Aluno do SENAI cria luva para ajudar deficientes visuais

A luva-guia funciona com sensores que vibram quando a mão está perto de um objeto
Instrutor Vagner Vicentini, Vinícius Bail e Maria Eduarda da Silva

Era para ser uma corriqueira partida de futebol, mas a vida do estudante Vinícius Bail mudou para sempre, há 4 anos e meio, depois daquele jogo. Quando ele viu que o travessão do gol ia cair em cima do amigo, correu para salvá-lo. Conseguiu proteger o colega, mas foi atingido em cheio na cabeça. O acidente pressionou o nervo óptico de Vinícius e, depois de quase um mês em coma, ele acordou sem enxergar.

Aos 17 anos, ele só distingue vultos. Teve de se readaptar às limitações e traçar novos rumos profissionais. Hoje é aluno do curso técnico em Automação Industrial do SENAI Guarapuava (PR) e do Colégio SESI. Pensando na realidade dos trabalhadores da indústria que convivem com alguma deficiência visual, o jovem desenvolveu a luva-guia, em parceria com a aluna Maria Eduarda Pessoa da Silva e sob a supervisão do programador e instrutor de automação Vagner Vicentini.

Vinícius Bail apresenta a luva-guia, que ele criou para ajudar deficientes visuais

O projeto foi um dos vencedores da Mostra Inova, apresentado durante a 10ª edição da Olimpíada do Conhecimento, que aconteceu em julho deste ano, em Brasília.

O acessório, confeccionado com tecido de elastano, tem dois sensores que vibram quando está a uma distância aproximada de 1,40m de um objeto. Se o sensor direito dá o sinal, o usuário sabe que deve fazer um desvio para a esquerda e vice-versa. Isso evitaria esbarrões e quebra-quebra em espaços internos e pequenos em que a bengala também pode causar grandes estragos. A proposta também é atender as necessidades dos cegos que trabalham dentro do ambiente industrial. 

A luva tem autonomia de funcionamento de 12 a 14 horas e é recarregável. Além disso, está integrada a um aplicativo que avisa que a bateria está acabando. Também conta com um sistema GPS que apita quando a pessoa se afasta da faixa amarela, usada para delimitar a área de segurança dentro das fábricas, e também permite que o usuário emita um sinal aos companheiros caso se perca dentro do local de trabalho. Para garantir a proteção do trabalhador com necessidades especiais, o acessório ainda tem um bipe que é acionado quando há uma aproximação de 45cm de um campo de eletricidade.

Luva-guia funciona por sensores e pode evitar acidentes

Há uma versão do acessório em forma de pulseira, que facilita a rotina de quem exerce certas atividades que precisam das mãos livres. O projeto está sendo aprimorado e finalizado para ser apresentado no próximo mês ao Programa Impulsiona do SENAI do Paraná. Caso seja selecionado, passa para a etapa de incubação e aí estará pronto para a comercialização.

SAIBA MAIS - Vinícius Bail fala sobre a luva-guia e como ela pode ajudar no dia a dia das pessoas com deficiência visual. Ouça o que ele diz.

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