Quem já pisou em uma Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP) sabe que, entre um painel e outro, existe um circuito paralelo que movimenta tanta gente quanto as negociações: o dos estandes que oferecem comida e bebida. É o mapa invisível que leva participantes a descobrir onde tem, gratuitamente, café forte, chá fumegante, milho embalado a vácuo, vinho ao fim do dia ou até um leque personalizado. Cada delegação tem uma estratégia para atrair visitantes e contar uma história.
Na COP30, em Belém, há mais um ponto de peregrinação nesse mapa gastronômico-climático: o estande de Singapura. Ali, a cortesia ganhou outro significado. O pavilhão oferece uma cerveja pilsner feita com água reciclada de sanitários. Quando contada, a informação provoca risos, sobrancelhas levantadas e celulares a postos para registrar a curiosidade.
E, claro, a pergunta: Mas como o processo é feito? Quem se aproxima do estande logo ouve as explicações sobre o sistema de purificação que permite transformar água residual em água potável. Isso acontece após uma combinação de filtragem avançada, membranas e luz ultravioleta. É a mesma tecnologia que ajuda Singapura a garantir segurança hídrica em um território sem grandes reservas naturais de água.
A água passa primeiro por uma desinfecção com luz ultravioleta. O segundo passo é o de filtragem por membranas que removem partículas. Desse ponto em diante, o processo é o mesmo de qualquer outra produção de cerveja.
Mas, por trás da surpresa, há uma ideia bem planejada. A distribuição da cerveja é uma iniciativa da agência nacional de água de Singapura para colocar a crise hídrica no centro das conversas. Estimativas da ONU indicam que pelo menos 50% da população do planeta (4 bilhões de pessoas) enfrentam falta de água em pelo menos um mês do ano. Até 2025, é provável que 1,8 bilhão de pessoas enfrentem o que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) chama de "escassez absoluta de água".
As latinhas, ilustradas com ícones de sustentabilidade, reforçam a mensagem de inovação que o país quer apresentar ao mundo.A narrativa se completa no próprio pavilhão. Em Belém, as filas diante do estande mostram que a proposta, além de despertar curiosidade, abre espaço para uma conversa acessível sobre reúso de água.
Entre o café brasileiro do estande da CNI, o chá chinês e o vinho português, a cerveja entrou no circuito das pausas estratégicas da COP30, ao ensinar, de forma simples e direta, que a água, mesmo quando descartada, pode voltar ao ciclo com segurança e qualidade.
CNI na COP30
A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).
Institucionalmente, a iniciativa é apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPA, Instituto Amazônia+21, U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).
A realização das atividades da indústria na COP30 recebe o patrocínio de Schneider Electric, JBS, Anfavea, Carbon Measures, CPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, Pepsico, Suzano, Syngenta, Acelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A., Ambev, Braskem, Hydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.




