“Essa experiência mudou a forma como enxergo a vida”, diz Leandra Lemos após câncer

Diagnosticada com câncer de mama em janeiro deste ano, a especialista em comunicação da CNI Leandra Lemos enfrentou meses de tratamento e hoje transforma sua experiência em alerta para outras mulheres

O câncer de mama ainda é o mais comum entre mulheres no Brasil. Aos 44 anos, Leandra Ventorim Lemos, da CNI, enfrentou a doença com coragem após diagnóstico inesperado e tratamento intenso.
Foto: Gilberto Sousa / CNI

O câncer de mama é uma das doenças que mais desafiam as brasileiras. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é o tipo mais comum entre as mulheres, representando cerca de 30% dos casos registrados no Brasil. Apesar dos avanços na detecção precoce e nos tratamentos, o impacto do diagnóstico ainda é profundo, físico e emocional. A doença impõe pausas, redefine prioridades e revela forças até então desconhecidas. 

Aos 44 anos, Leandra Ventorim Lemos, especialista em comunicação na Confederação Nacional da Indústria (CNI), enfrentou uma jornada que exigiu coragem e superação ao passar por mastectomia, quimioterapia e radioterapia. O diagnóstico veio de forma inesperada, durante uma mamografia de rotina. “A princípio parecia algo minúsculo, como um grão de sal, mas chamou a atenção. Na ressonância, o resultado veio como BI-RADS 4. Ali já era praticamente certeza de câncer”, relembra. 

Inicialmente, a indicação médica era de mastectomia total. Após a cirurgia, no entanto, os exames revelaram metástase no sistema linfático. A notícia mudou completamente o tratamento. “Foi um impacto enorme. Meu médico me ligou muito chateado e disse: Eu não queria te dar essa notícia, mas vamos precisar começar a quimioterapia. É perigoso”, conta Leandra. 

Entre agulhas, efeitos colaterais e cicatrizes 

O carcinoma mucinoso é um tipo raro de câncer de mama, responsável por apenas 2% a 4% dos casos no Brasil. Por produzir mucina (substância gelatinosa que envolve as células do tumor), tende a se desenvolver lentamente, acometendo, na maioria das vezes, mulheres acima dos 70 anos. Em poucos dias, Leandra foi encaminhada ao oncologista clínico, implantou o cateter e iniciou o protocolo de tratamento. Foram 16 sessões de quimioterapia - quatro vermelhas, a cada 14 dias, e doze brancas, semanais - um protocolo intenso que marcou uma nova fase em sua vida. 

“Os primeiros ciclos foram muito duros e rápidos, não tive tempo de processar como na primeira etapa. Até então, meu conhecimento sobre quimio era o que via em novela: queda de cabelo, enjoos, vômitos. E de fato é um processo muito pesado, mas também diferente do que eu imaginava”, relata. 

Leandra recorda que, ao concluir as sessões de radioterapia, o corpo já não era o mesmo. “Andava de bengala, o coração acelerava ao menor esforço, havia perdido massa muscular, e as unhas estavam roxas e frágeis”, compartilha. 

Ela destaca, ainda, que encontrou nos pais e na filha o apoio essencial para atravessar o período da jornada. “Passei por tudo com muito apoio. Moro ao lado dos meus pais, e isso foi vital. Precisei muito deles, já que não podia dirigir, tinha limitações físicas e ainda sou mãe solo. Conversei com minha filha, expliquei que seria um ano difícil. […] Família e amigos foram fundamentais”, afirma.  

No trabalho, o carinho dos colegas também foi essencial. Leandra conta que recebeu diversas mensagens e bilhetes de apoio, que guarda até hoje na sua “caixinha do amor”. “Isso me sustentou em muitos momentos”, relembra emocionada. 

Após encerrar o tratamento em 30 de setembro, Leandra Lemos, da CNI, celebra estar livre de metástase e transforma sua experiência com o câncer de mama em um alerta sobre a importância da prevenção.
Foto: Gilberto Sousa / CNI

“Essa experiência mudou a forma como eu enxergo a vida” 

O tratamento chegou ao fim recentemente, em 30 de setembro, marcando o encerramento de uma etapa longa e exaustiva. Atualmente, Leandra vive a fase de controle da doença. Como o câncer era hormônio-dependente, ela segue em tratamento de bloqueio hormonal e enfrenta uma menopausa química induzida.  

O protocolo, que se estenderá por dez anos, inclui uma injeção abdominal mensal. Mesmo com a rotina médica ainda presente, Leandra respira aliviada: está sem sinais de metástase e se prepara para iniciar o processo de reconstrução mamária. “Essa experiência mudou a forma como eu enxergo a vida. Você entende que qualquer um pode ser acometido, e que precisa se preparar para qualquer desfecho, bom ou ruim. Hoje sou mais conectada à natureza, mais atenta às pessoas e entendi que pequenos gestos, como um elogio, podem mudar o dia de alguém”, diz.  

Um alerta que pode salvar vidas 

Leandra faz questão de transformar sua vivência em mensagem de prevenção. “Minha mensagem final é sobre prevenção. Eu não fazia mamografia porque não tinha histórico familiar, e aprendi que isso não significa nada. […] A prevenção pode evitar um caminho muito mais árduo”, conclui Leandra Lemos. 

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