Na vanguarda da educação, SENAI avalia competências socioemocionais de alunos

Técnicos formados pela instituição alcançam nota média 8,5 de seus supervisores diretos em relação a capacidades como negociação, trabalho em equipe e resolução de problemas; resultado está em Pesquisa de Acompanhamento de Egressos realizada todos os anos

Técnicos formados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), quando avaliados por seus supervisores diretos, alcançam uma média de 8,5 (escala de 1 a 10) quanto à aplicação de princípios éticos no trabalho, capacidade de negociação, trabalho em equipe, resolução de problemas e flexibilidade para lidar com mudanças. A avaliação das capacidades não cognitivas é um dos indicadores de destaque da mais recente Pesquisa de Acompanhamento de Egressos divulgada pelo SENAI, Painel 2015-2017, que monitora resultados da educação profissional relacionados aos estudantes e às empresas.

Tais capacidades, conhecidas como competências socioemocionais ou soft skills, são cada dia mais valorizadas pelo setor produtivo. Com a incorporação de novas tecnologias e o surgimento de novas formas de produção, o mercado de trabalho está em busca de profissionais com vasto conhecimento técnico, mas que também tenham habilidade para administrar situações não previstas e trabalhar de forma harmônica e integrada com os colegas. Essas características não são específicas de um cargo ou área de atuação. São relevantes para qualquer profissional, independentemente do setor de atuação ou do tempo de experiência. 

Daniela Metzger, especialista em Gestão de Pessoas da Philip Morris, afirma que a contratação de profissionais com competências socioemocionais desenvolvidas representa vantagem competitiva para a empresa. “Em um cenário de constante transformação, abertura a mudanças, resiliência, agilidade de aprendizagem e empreendedorismo – no sentido de buscar soluções inovadoras – são críticos para o sucesso das equipes e da organização. Buscamos estas competências em todos os níveis hierárquicos”, diz.

Aula prática de Técnico em Eletrotécnica, no SENAI Araçás, de Villa Velha (ES)

CARREIRA – Sob a ótica do profissional, João Luiz Nopes, gestor de qualidade da Tecnilange Usinagem Industrial, afirma que as soft skills são essenciais para alavancar a carreira. “Essas competências afetam diretamente a performance na área de atuação e a adaptação a um novo cargo ou a uma nova empresa”, explica. 

Em relação aos técnicos formados pelo SENAI que hoje atuam no processo fabril da Tecnilange, Nopes confirma que, além de uma base prática muito forte, os profissionais têm as competências socioemocionais bem trabalhadas, o que impacta em melhor rendimento, ambientação e comunicação. “Eles chegam sabendo o que fazer e como fazer”, diz. 

De acordo com Daniela Metzer, a Philip Morris prioriza a contratação de ex-alunos da instituição. “Percebemos que eles vêm preparados de uma forma mais sistêmica, inclusive em termos de gestão”. De fato, a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos revela que 95% das indústrias têm preferência por profissionais da instituição.

Alinhada às necessidades do setor industrial, a Metodologia SENAI de Educação Profissional, citada em documentos do Banco Mundial, trabalha o desenvolvimento das soft skills a partir de situações de aprendizagem em todas as unidades curriculares. Situações reais de empresas são abordadas em resolução de problemas, estudo de caso, pesquisa aplicada e projeto integrador.

Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, a educação profissional tem que acompanhar a evolução do setor fabril. “A Indústria 4.0 traz um novo cenário para as fábricas. Com uso intensivo da tecnologia, os profissionais terão papéis cada vez mais analíticos e estratégicos. Na vanguarda da educação, o SENAI já está incorporando novas tecnologias, aprendizagem adaptativa e inteligência artificial, para promover as interações de ensino e mediar a aprendizagem de acordo com a necessidades específicas de cada aluno”, completa.

João Luiz Nopes, gestor de qualidade da Tecnilange Usinagem Industrial, e técnicos do SENAI

EMPREGABILIDADE – Outro indicador monitorado pela Pesquisa de Acompanhamento de Egressos é a empregabilidade. O painel revela que 6 em cada 10 estudantes que concluíram o curso técnico estão inseridos no mercado de trabalho – um número expressivo frente ao cenário econômico de recessão. 

Formado em eletroeletrônica pelo SENAI de Rondonópolis/MT, Junior Gonçalves de Souza, 23 anos, está entre os ex-alunos que atuam na área de formação. Meses depois de iniciar o curso técnico, o estudante conquistou uma vaga de estágio no Grupo Petrópolis, segunda maior cervejaria do Brasil. 

Confiante em seu desempenho, a empresa patrocinou sua participação na Olimpíada do Conhecimento, a maior competição de educação profissional das Américas. Durante um ano e meio, Junior manteve o contrato de estágio enquanto se dedicava integralmente aos treinos para o torneio. Após esse período, foi efetivado pela cervejaria como eletricista e, há três meses, assumiu o cargo de Técnico em Automação Industrial, área na qual pretende seguir carreira. 

“O SENAI abriu minha visão de mercado e me tornou um profissional muito melhor. Além do conhecimento técnico, aprendi muito sobre gestão, administração de tempo, planejamento e alcance de metas. Isso valeu não apenas para a competição, mas para minha vida como um todo”, afirma. Hoje, Junior está no sexto semestre de Engenharia de Controle e Automação, na Faculdade UNIP de Rondonópolis/MT. 

Olimpíada do Conhecimento 2014 - Delegação de Mato Grosso

INDICADORES – Os indicadores da Pesquisa de Acompanhamento de Egressos também revelam que a satisfação dos ex-alunos com os cursos realizados no SENAI é expressiva. A nota média dos avaliados foi de 9,0 (escala de 0 a 10), sendo que 79% dos ex-alunos pretendem estudar novamente no SENAI e 99% indicariam os cursos da instituição. Os números também indicam um alto nível de satisfação das empresas com a contratação de egressos da instituição. A média das notas nesse quesito foi de 8,6.

“Esse acompanhamento é de suma importância para o processo de melhoria contínua das ações formativas no âmbito do Sistema Indústria, pois gera insumos que indicam se os objetivos do curso e o perfil profissional dos formados correspondem à realidade do mercado”, destaca Felipe Morgado, gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI.

A Pesquisa de Acompanhamento de Egressos é dividida em três etapas, sendo realizada uma a cada ano. Na primeira fase, participam da pesquisa alunos em fase de conclusão de curso nas modalidades de Aprendizagem Industrial, Técnico de Nível Médio e Qualificação Profissional. No Painel 2015-2017, 181.703 concluintes participaram do monitoramento. 

Após um ano, a pesquisa tem sua segunda etapa realizada. Por participação amostral, o SENAI entra em contato com estudantes formados para coletar dados como inserção no mercado de trabalho. Já na terceira e última fase, é avaliada a satisfação da empresa com a contratação de formados pela instituição. Em 2016, foram ouvidos 43.046 egressos e, em 2017, 3.587 gestores imediatos foram entrevistados, encerrando o ciclo da pesquisa.

ACOMPANHAMENTO DE EGRESSOS EM NÚMEROS

  • 95% das empresas preferem contratar técnicos formados pelo SENAI

  • 8,5 é a nota média dos técnicos do SENAI na avaliação das competências socioemocionais (princípios éticos no trabalho, capacidade de negociação, trabalho em equipe, resolução de problemas e flexibilidade para lidar com mudanças)

  • 8,6 é a nota de satisfação das empresas com os ex-alunos do SENAI (0 a 10)

  • 9,0 é a nota de satisfação dos ex-alunos com os cursos do SENAI (0 a 10)

  • 6 em cada dez ex-alunos do SENAI estão colocados no mercado de trabalho

  • 99% dos egressos indicariam os cursos do SENAI

  • 79% dos ex-alunos pretendem fazer outros cursos 
     

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