Italo será o primeiro baiano a representar o Brasil em Mecatrônica na WorldSkills

Na disputa em dupla, o plano é trazer o ouro e muito orgulho para a Bahia e para o país
Ele teve contato com essa área desde novo, pois acompanhava e observava o pai, que era eletricista autônomo

O hábito de observar o que há no caminho pode mudar o próprio destino. Foi assim com Italo Carlos Costa Gonçalves, 20 anos. O baiano estudava eletrotécnica no SENAI-Cimatec (BA). Todos os dias, ele comia com os colegas nas dependências da escola. Entre a sala de aula e o refeitório havia um laboratório que chamou a atenção de Ítalo: o de mecatrônica. “Tinha uma janela de vidro que dava para ver todo o laboratório. Aí eu passava e olhava. Às vezes eu via o pessoal treinando para as seletivas de 2016”, recorda.

Certo dia, as mesmas pessoas que Italo costumava ver concentradas no laboratório foram até a sala de aula avisar que seria feita seleção para a escolha dos novos representantes da Bahia nas seletivas para o nacional e WorldSkills, o mundial das profissões. Italo não pensou duas vezes: se inscreveu sem titubear. 75 estudantes se inscreveram. Foi feita uma prova objetiva: Italo ficou entre os 15 melhores da Bahia. Da seleção escolar, Italo começou uma escalada de vitórias: venceu o estadual, depois, o nacional, que disputou com representantes de outros oito estados brasileiros. Agora, ele é o futuro representante brasileiro na modalidade Mecatrônica.

“É a primeira vez que a Bahia tem representantes na WorldSkills”, diz, orgulhoso.

A modalidade de Mecatrônica é feita em dupla. Italo cuida da parte de hardware do sistema, ou seja, ele monta e faz o funcionamento inicial, e a dupla faz a parte de software, isto é, a programação. “O mais difícil da modalidade em dupla é que não é só você. Você tem que estar bem comunicado com o seu parceiro, sabendo o que cada um está fazendo - ainda mais em mecatrônica porque uma atividade depende da outra. A gente tem que estar bem sincronizado”, comenta. Italo tinha outra dupla antes do atual, Edmilson Silva Souza Neto, entretanto, o seu parceiro anterior desistiu dos treinos e foi substituído.

INTERESSE - O interesse de Italo pela eletrônica e mecatrônica vem desde pequeno. O pai dele é eletricista autônomo e aprendeu o ofício na prática. Uma das memórias de Italo é do pai levar peças para a casa e ele manusear este material. O baiano lembra que o primeiro computador da casa foi ele quem montou a partir de peças de máquinas diferentes. “Meu pai trazia o computador quebrado, aí eu pegava as peças que estavam boas de um e de outro e montava”.

A ideia de fazer o curso técnico veio logo, no início de 2016. A opção foi o SENAI-Cimatec porque era a única escola de Salvador com eletrotécnica. Com isso, todos os dias, ele pegava o ônibus em Cajazeiras, bairro onde mora com a família, e percorria 60 km diários (ida e volta). Na época dos treinos ainda na Bahia, Italo lembra da jornada exaustiva. “Eu saía de casa às 7h e só voltava 23h”.

Ítalo está orgulhoso por ser o primeiro baiano a competir nessa ocupação

Uma das grandes incentivadoras de Italo é a sua mãe. “Teve uma época que não dava para ir para o Cimatec mais porque não tinha a bolsa - eu usava a bolsa do técnico para ir treinar também. Aí, depois que eu terminei o técnico, a bolsa acabou. Foi a minha mãe que me ajudou a continuar ir e treinar”.

FOCO - A determinação é um dos pontos fortes no discurso de Italo. Questionado sobre o futuro pós-WorldSkills ou sobre a curiosidade de ir para outro país, ele é enfático em responder que não pensa muito a respeito porque quer trazer o ouro para o Brasil. A área de Mecatrônica esteve no pódio nas últimas edições da WorldSkills. Além disso, Italo quer trazer o título para a Bahia e para o Brasil.

“Nunca viajei para o exterior. Eu não estou muito focado na viagem para Kazan, estou focado na prova mesmo, na preparação e na prova que a gente vai fazer lá. Questões de ‘ah, outro país’, eu não estou ligando muito para isso”, afirma.

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