Estudantes aprovam projeto piloto do novo ensino médio

Relatório de percepção de estudantes em escolas piloto do SESI – com parceria do SENAI – mostram ampla satisfação com as mudanças curriculares na etapa intermediária de ensino
Alunos do curso técnico em Eletrotécnica do SENAI de Vila Velha (ES)

Nove em cada dez alunos participantes do projeto piloto de implantação do novo ensino médio estão satisfeitos com a experiência. A conclusão faz parte do relatório feito pela área técnica do Serviço Social da Indústria (SESI), que monitorou as unidades de ensino pioneiras na metodologia em 2018. No ano passado, as escolas do SESI, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), iniciaram sete turmas com o novo currículo em cinco escolas, localizadas em Alagoas, na Bahia, no Ceará, no Espírito Santo e em Goiás.

Em 2019, 20 estados passaram a oferecer turmas em 39 escolas e o número de alunos matriculados subiu de 226 para 1.952. A boa avaliação dos estudantes, o bom desempenho das escolas na execução do novo currículo e a regulamentação das Diretrizes Curriculares Nacionais e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no fim do ano passado pelo Ministério da Educação foram essenciais para a expansão em escolas SESI/SENAI de todo o país. Com isso, a rede do Sistema Indústria tem a principal experiência do novo ensino médio em execução no Brasil.

Durante o piloto, as turmas de ensino médio fizeram o itinerário de formação técnica e profissional na área industrial de energia e habilitação profissional de técnico em eletrotécnica. Em 2019, a rede oferece mais dois itinerários: o de ciências da natureza e o de matemática. No itinerário de formação técnica e profissional as opções também foram ampliadas com as áreas de metalmecânica e de tecnologia da informação.

No novo ensino médio, as escolas podem oferecer itinerários em cinco áreas de conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional. “O novo ensino médio é um avanço, pois alinha o sistema educacional brasileiro às melhores experiências mundiais, ao incluir a formação técnica e profissional no currículo regular”, diz o diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi.

Segundo ele, há uma enorme distorção na matriz educacional brasileira. No país, apenas 11% dos jovens de 15 a 17 anos fazem educação profissional e 17% vão para a universidade”. 

Laboratórios de informática, salas de aula, bibliotecas, salas de robótica e as salas SESI matemática foram os espaços mais bem avaliados

AVALIAÇÃO - Na percepção dos alunos, a experiência do novo ensino médio é positiva em todos os aspectos analisados. A escala de respostas utilizada no questionário pontuava nos conceitos baixo, médio, alto e superior. A qualidade dos professores e o engajamento da coordenação pedagógica são destaques elencados pelos estudantes – 72% veem a atuação desses profissionais como superior. Se os docentes são de ciências humanas e sociais, a avaliação superior foi ainda melhor, de 91,8%.

O processo de ensino e aprendizagem também foi ressaltado, sendo que o material didático, a metodologia e o diálogo entre alunos, professores e coordenação pedagógica foram vistos como superiores para mais de 70% dos estudantes. A infraestrutura das escolas também colaborou para a percepção positiva do novo ensino médio. Laboratórios de informática, salas de aula, bibliotecas, salas de robótica e as salas SESI matemática foram os espaços mais bem avaliados, com 69% das respostas indicando um nível superior.

O estudante Joel Robson Macedo Marinho, de 15 anos, participou da primeira turma do novo ensino médio na Escola SESI Euzébio Mota de Alencar, em Fortaleza (CE). Ele conta que queria fazer o ensino médio junto com o técnico para ter uma profissão. Encontrou no SESI a proposta ideal para experimentar o currículo do novo ensino médio.

O jovem conta que a mãe ficou receosa com o modelo adotado pela escola, tanto que o obrigou a estudar no SESI e em uma escola pública. “No começo, eu fiquei nas duas escolas, até que eu comecei a falar para a minha mãe que o SESI tinha tudo que eu precisava e ela concordou que eu ficasse somente lá”, lembra. 

O professor Francisco Eurivan Costa Filho, da área de linguagens e suas tecnologias na turma do novo ensino médio da Escola Euzébio Mota, considera que a mudança no modelo educacional está no caminho de modernizar o ensino. “Estamos no século XXI e não podemos educar como no século XVIII. Agora os meninos são protagonistas do processo de aprendizagem”, diz. 

PARCERIAS - Embora esteja atualmente trabalhando em parceria com o SESI, o SENAI está preparado para oferecer o itinerário de formação técnica e profissional para todo o país, tanto em escolas públicas quanto privadas. Algumas escolas de redes particulares já estão em negociação com o SENAI. Diferentes modelos de parceria podem ser feitos, desde os que oferecem os modelos didáticos àqueles que oferecem professores e infraestrutura.

Segundo o gerente-executivo de educação profissional do SENAI, Felipe Morgado, a instituição já capacitou 42 curriculistas para adequar o conteúdo dos cursos técnicos ao novo ensino médio. Além disso, 86 professores estão disponíveis em todo o Brasil e são capazes de atender 60 mil matrículas. 

 - Os alunos têm 1.800 horas de formação geral básica, orientada pela BNCC, e até 1.200 horas de itinerários formativos como aprofundamento de estudos.

- Cada município tem que oferecer pelo menos dois dos cinco itinerários previstos.

- Os estudantes podem fazer mais de um itinerário durante o ensino médio, de forma simultânea ou subsequente. Podem, ainda, mudar de itinerário ao longo do curso.

- No itinerário de formação técnica profissional, as redes podem oferecer cursos técnicos, que costumam durar de um a três anos, ou de qualificação, com duração média de três meses.

- Os itinerários possíveis são: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional.

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