Escolas do Futuro: SESI lança encontro para criar aprendizado com segurança e empatia

Primeiro Encontro Nacional de Competências Socioemocionais promove estratégias para tornar escolas mais inclusivas, acolhedoras e preparadas para os desafios do século XXI

O SESI, com apoio da Lekto, realizou nos dias 26 e 27/11 o 1º Encontro Nacional de Competências Socioemocionais

 

Qual seria o primeiro passo para transformar a escola em um espaço mais seguro, acolhedor e inclusivo para todos? É diante dessa reflexão sobre a violência escolar que o Serviço Social da Indústria (SESI), com apoio da Lekto, realizou nos dias 26 e 27 de novembro o 1º Encontro Nacional de Competências Socioemocionais da Rede SESI.

O objetivo do encontro foi fortalecer a integração entre o Programa de Competências Socioemocionais e o Ambiente Positivo de Aprendizagem (APA), estratégia desenvolvida pelo SESI para auxiliar toda a comunidade escolar a construir um ambiente seguro e positivo, que estimule o desenvolvimento integral dos estudantes.

Na abertura, o superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira, destacou a importância do evento para fortalecer o respeito à diversidade, o bem-estar de alunos e equipes escolares, e promover valores essenciais para a formação de crianças e jovens, como empatia e inclusão.

“A violência afeta a todos, é um dos grandes desafios da escola do século XXI. Diante disso, precisamos construir uma rede de apoio para garantir uma aprendizagem segura de ensino e formar estudantes com competências socioemocionais”, explicou Wisley.

Ele reforçou que esse compromisso com a educação de qualidade e segura é adotado pelo SESI, mas deve ser abraçado por todos — departamentos regionais e redes de ensino.

“É um compromisso coletivo enfrentar esse grande desafio que se tornou educar no Brasil. A pandemia afetou nossos estudantes, que ficaram isolados e, agora, estão reaprendendo a conviver em sociedade”, completou.

 

Na abertura, o superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira, ressaltou a importância do evento para valorizar a diversidade, o bem-estar escolar e ensinar empatia e inclusão a crianças e jovens

Protocolos de prevenção e acompanhamento próximo ao aluno

“Há a necessidade de refletirmos os protocolos de segurança nas escolas”, enfatizou o superintendente do SESI Tocantins, Fernando Whitman.

Para ele, o acompanhamento próximo ao aluno é essencial, pois, por meio da escuta ativa, professores e equipe escolar conseguem identificar questões socioemocionais e mudanças de comportamento. Esse acompanhamento deve ocorrer em parceria com a família.

“Pais e responsáveis devem criar o hábito de observar o que os filhos consomem nas redes sociais e examinar mochilas, cadernos e desenhos. Um simples desenho pode indicar sinais do que a criança sente”, explicou.

O primeiro passo para transformar a escola é identificar os problemas, lembrando que nem toda situação é violência e cada caso exige intervenção específica, como diferentes remédios para diferentes pacientes

Convivência e esperança: construindo escolas resilientes

Luciene Tognetta, professora, doutora e livre docente do Departamento de Psicologia da Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), destacou a urgência de uma escola cuidadosa, que tem a missão de formar e reparar, e não punir.

“A natureza da escola é formar, não criminalizar. A punição paga pelo passado; a restauração ensina para o futuro”, afirmou.

Durante sua palestra, Luciene provocou a reflexão: “O que está por trás das violências que ninguém vê?”

Ela explicou que o termo “adolescente” tem dois significados: tornar-se e adoecer. E o cenário pós-pandemia intensificou o adoecimento desses jovens, que muitas vezes vivem sem esperança e sem perspectiva de futuro.

O primeiro passo para transformar o ambiente escolar, segundo Luciene, é identificar e diferenciar os problemas que afetam a escola, pois nem toda questão é violência. Diferentes situações exigem intervenções específicas, assim como um médico não receita o mesmo remédio para todos os pacientes.

“Hoje, o papel do educador é identificar essas manifestações e dar sentido ao aluno que perdeu a esperança”, concluiu.

 

A escola reflete a sociedade, e conflitos ou bullying exigem diferentes formas de proteção e intervenções adequadas a cada caso

Por que trabalhar com o Ambiente Positivo de Aprendizagem (APA)?

Juliana Ferrari, consultora especialista do Banco Mundial, explicou que o APA é um convite ao acolhimento. Segundo ela, é peça-chave do programa, pois o cérebro não aprende em situações de risco, estresse ou violência.

A escola reflete a sociedade, e conflitos físicos, psicológicos, preconceito e bullying podem ocorrer mesmo com protocolos de prevenção. Para cada tipo de violência existem diferentes formas de segurança — social, física, emocional e acadêmica — e intervenções específicas devem ser aplicadas conforme cada situação.

“O grande desafio é buscar soluções para que crianças e jovens possam aprender livremente”, afirmou Ferrari.

Aprendizagem é convivência: segurança como prioridade escolar

Para a especialista, aprender é conviver. A escola deve proporcionar relações harmoniosas, pautadas na ética e na gentileza, para que todos os estudantes se desenvolvam emocional e cognitivamente.

Juliana Ferrari destacou que gestores, professores e colaboradores devem estar preparados com escuta ativa, atenção plena e diálogo aberto, além de envolver os alunos em ações de conscientização, projetos de saúde mental e prevenção de riscos.

“Com a colaboração de todos, é possível transformar a escola em um lugar de aprendizagem significativa, inclusiva e segura”, concluiu.

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