Como preparar talentos para a transformação digital no Brasil

No Café EXAME Tecnologia, diretor do SENAI e gerente da Fiat debateram sobre a necessidade de investimentos em educação profissional para a Indústria 4.0
“Se não priorizar a educação profissional, o país corre o risco de perder o bonde da quarta revolução industrial, assim como ficou para trás na terceira”, afirmou Rafael Lucchesi

O Brasil enfrenta dois desafios para crescer quando o assunto é educação: aumentar sua produtividade e formar profissionais que ajudem as empresas a inovar. Não só para a nova geração, os trabalhadores atuais também precisam evoluir nessas duas frentes.

Segundo o diretor de educação e tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, investir em educação profissional  é fundamental para o Brasil se tornar competitivo no cenário da chamada Indústria 4.0, que já está em curso e de forma cada vez mais veloz.

“Se não priorizar a educação profissional, o país corre o risco de perder o bonde da quarta revolução industrial, assim como ficou para trás na terceira”, afirmou Lucchesi no painel Como atrair e formar talentos para a transformação digital do Café EXAME Tecnologia, nesta quarta-feira (25), em São Paulo.

O representante do SENAI lembrou que enquanto países como Alemanha, Áustria e Finlândia têm 53%, 76% e 70% de jovens frequentando cursos profissionais, respectivamente, no Brasil esse percentual é de apenas 9,3%. “Esse dado explica muito porque aqueles países são hoje muito mais desenvolvidos”, acrescentou.

Para Lucchesi, esse quadro só será revertido quando a educação for, de fato, vinculada a um projeto de desenvolvimento econômico e social do país, e não apenas como fator de status social. “Para isso, é crucial fazer uma mudança radical no modelo educacional, incluindo a priorização da educação profissional e uma maior sinergia entre as universidades e as empresas privadas”, disse.

O presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, falou sobre a atuação da entidade na busca pelo avanço de políticas públicas de inovação

SETOR AUTOMOTIVO - O gerente do projeto Plant X da Fiat, Miguel Lorenzini, também participou do painel e falou sobre sua experiência na montadora. De acordo com o especialista, no nível superior, é importante que os funcionários entendam o que é a inovação para a empresa na qual trabalham. A Fiat busca ouvir e entender as ideias de seus profissionais que podem levar a empresa adiante para que elas possam, então, virar projetos.

“Nosso funcionário operacional chega com um certo preparo ao qual temos que adicionar um conhecimento a mais para que ele possa contribuir para o nossos cenário de inovação. Hoje, eles não chegam prontos para inovar como queremos”, afirmou.

MOVIMENTO PELA INOVAÇÃO - O evento da revista Exame contou ainda com a participação do presidente da Empresa brasileira de Inovação industrial (Embrapii), Jorge Guimarães. Ele falou sobre a importância da entidade, criada por iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), da CNI, para o avanço das políticas públicas de inovação e também para aumentar e tornar mais racionais e estratégicos os investimentos de empresas privadas na área. 

José Borges Frias Júnior, diretor de marketing estratégico da Siemens; Gabriel Petrus, diretor-executivo da International Chamber of Commerce; e Julien Imbert, sócio do BCG, também fizeram parte dos debates do Café Exame Tecnologia.

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