R$ 3,3 bi é o valor que o Brasil teria para investir se a reforma da Previdência estivesse em vigor

Previdenciômetro da CNI mostra que, com essa economia, o país poderia construir 797 escolas ou 133 hospitais ou, ainda, 52.619 moradias populares
A indústria considera que a reforma da Previdência é urgente e crucial para o equilíbrio das contas públicas e a manutenção da estabilidade econômica

O Brasil teria economizado cerca de R$ 3,3 bilhões se a reforma da Previdência estivesse em vigor desde 1º de junho do ano passado. A informação é do Previdenciômetro, que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lança nesta quarta-feira (4).  A ferramenta mostra o valor que o país poderia dispor hoje para investir em outras áreas, caso as novas regras previdenciárias, previstas no substitutivo aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, estivessem valendo desde o início de junho de 2017. Entre as mudanças previstas no texto em tramitação estão a idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, a equiparação entre trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos e regra de transição até 2037.

O Previdenciômetro é mais uma contribuição da CNI para o debate em torno da mudança das regras para a aposentadoria.  A indústria considera que a reforma da Previdência é urgente e crucial para o equilíbrio das contas públicas e a manutenção da estabilidade econômica. "O único jeito de atacar a dívida pública para valer é corrigindo as distorções da Previdência Social. É preciso adaptar o sistema ao aumento da expectativa de vida da população e acabar com privilégios de uma minoria que suga da sociedade, de modo completamente injusto, uma gigantesca massa de recursos, perpetuando e agravando a difícil situação das contas do setor público", diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Ele observa ainda que a reforma da Previdência é inadiável. "Ou este governo faz a reforma da Previdência ou o próximo terá de fazê-la para o país não quebrar", alerta Robson Andrade.  "Não há e não haverá escapatória: como já fizeram outros países, o Brasil precisa enfrentar o problema. Quanto mais cedo fizermos a reforma, melhor para as contas públicas e para o crescimento da economia."

ECONOMIA SEGUNDO A SEGUNDO - De acordo com o Previdenciômetro, a economia é significativa e aumenta na medida em que o tempo avança. Os valores da economia, atualizados a cada segundo, foram calculados a partir de projeções feitas pelo Ministério da Fazenda e representam a diferença entre os gastos projetados com a manutenção das regras previdenciárias atuais e os gastos projetados  com a mudança dos critérios para a aposentadoria, de acordo com a reforma em discussão.  Além disso, o cálculo considera que, com a reforma, o déficit público diminuirá e, consequentemente, cairá o valor dos juros pagos sobre o valor economizado.

Para dar uma ideia da dimensão da economia que o país teria com a reforma, o Previdenciômetro permite que o usuário converta o valor economizado em número de hospitais, escolas, quilômetros de estradas ou moradias populares, que são importantes para melhorar a vida de todos os brasileiros. Por exemplo, com os R$ 3,3 bilhões que teriam sido economizados desde 1º de junho do ano passado, poderiam ser construídos 797 escolas ou 133 hospitais, ou, ainda 2.210 quilômetros de estradas, ou 52.619 moradias populares.

Esse cálculo considera, como exemplos, que cada escola custa R$ 4,16 milhões, como informa o Portal de Compras do Governo Federal. Para a construção dos hospitais, foram considerados os valores da Secretaria de Saúde de Mato Grosso, que orça em R$ 25 milhões a construção de um hospital com 350 leitos. O Previdenciômetro considera que o quilômetro de estrada vale R$ 1,5 milhão, conforme cálculos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). O valor da moradia popular é de R$ 63 mil, informa o Portal de Compras do Governo Federal. 
 

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