Preços dos insumos subiram 6,2% no segundo trimestre, mas medidas econômicas reduziram o custo final da indústria

O Indicador de Custos Industriais mostra queda nos custos de capital de giro, tributário e com pessoal devido às ações do governo para reduzir os efeitos da pandemia. O custo do óleo combustível caiu por redução na demanda
Aumento do índice de custo é reflexo do impacto do câmbio no preço dos insumos

O Indicador de Custos Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra um cenário positivo, mas preocupante, e precisa ser analisado com cuidado. Os custos industriais caíram 1,5% no segundo trimestre deste ano. Esse percentual em si é um alívio para o setor industrial. A queda do indicador, contudo, oculta um problema que deve aparecer nos próximos meses: os insumos estão em alta, impactados pela depreciação do real em relação ao dólar.

“Percebemos que a maioria dos fatores que puxaram esse índice para baixo é transitória. Os impostos foram adiados, mas serão pagos. O custo de energia, com a retomada da economia, tende a aumentar. O mesmo vale para os custos com pessoal e com capital de giro. Os preços do insumos subiram bastante em parte devido a queda temporária da oferta em razão da crise e, em parte à desvalorização do real. Temos um problema que começa a aparecer e que vai ficar patente assim que as medidas emergenciais tiverem seu fim”, avalia o gerente-executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca.

O índice de custo com bens intermediários subiu 6,2%, reflexo do impacto do câmbio no aumento do preço dos insumos, nacionais e importados. O custo com bens intermediários importados cresceu 17,1%. E o custo com bens intermediários nacionais aumentou 4,1%. Esse resultado também é influenciado pela taxa de câmbio, a medida que o dólar mais caro incentiva a exportação dos insumos produzidos no país, com aumento de preços para a demanda interna.

Custos caíram 21,2% com tributos e 9% com energia

Nos componentes do índice, há quedas acentuadas, como a de 21,2% no custo tributário, devido à postergação do prazo de pagamento de impostos; queda bastante significativa de 19,2% no custo do capital de giro, que ocorreu pelas medidas de aumento da liquidez do Banco Central; e de 6,6% no custo com pessoal, provada pelos acordos de redução de jornada e salário. Houve queda de 9% no custo com energia, o que se deve à menor demanda por combustíveis devido à menor circulação de pessoas e menor atividade econômica.

Os custos caíram mais que os preços das mercadorias produzidas, indicando ganho de lucratividade da Indústria brasileira no segundo trimestre. Enquanto os custos caíram 1,5%, os preços das mercadorias produzidas caíram menos: 0,1%.

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