Designer brasileira ganha o mundo com apoio da Rede CIN

Marca de acessórios paranaense já está em 18 países, incluindo Estados Unidos, França, Itália e Colômbia
Amanda começou a confeccionar acessórios ainda na época do Orkut, após o incentivo de uma amiga

A paranaense Amanda Machado Joppert, 34 anos, não imaginava que seguiria uma carreira fora da advocacia. O plano era ser promotora de Justiça. Foram anos ouvindo a mãe, Maria da Silva Machado, contando casos de uma cliente que tinha esse cargo. Mas as reviravoltas fizeram dela uma designer de acessórios de mão cheia. O que começou com um pequeno investimento hoje é uma marca exportada para 18 países, com o apoio da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Tudo começou quando Amanda concluiu a faculdade de Direito e estudava para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2010. Após inúmeras tentativas sem sucesso, ela percebeu que precisava de uma forma para ter renda própria e ajudar nas despesas de casa. No hoje finado Orkut, enquanto pesquisava coisas ligadas à moda, ela encontrou um acessório para a cabeça, uma headband, que ainda não aparecia nas vitrines da sua cidade natal, Cascavel (PR).

Resolveu fazer uma para ela mesma e mostrou para uma amiga, que gostou muito e a incentivou a começar um negócio, com a divulgação nas redes sociais. Ela confessa que, no início, se sentiu insegura. “Tinha até vergonha de postar foto. Imagina eu, formada em Direito, mostrando que faço acessório de cabelo”, conta a empreendedora. Não demorou muito para o sentimento passar. Amanda percebeu que tinha jeito para a coisa e decidiu investir. R$ 50 emprestados do marido, mas investiu.

No primeiro ano, Amanda produzia apenas acessórios para cabeça e não esquece que a primeira cliente era do Rio de Janeiro. Com o sucesso, a mãe, que levava os produtos para o trabalho, se tornou a primeira revendedora oficial da marca na cidade.

As peças são desenhadas por Amanda e feitas a mão pela equipe

No segundo ano, ela sabia que se quisesse seguir no negócio, teria de inovar. Foi quando uma amiga que mora nos Estados Unidos a procurou para encomendar alguns acessórios e falou que gostaria de comercializar produtos brasileiros no exterior, como bijuterias. “Ela me disse: ‘Queria tanto vender umas bijus brasileiras. Aqui não tem bijuterias bonitas como no Brasil. Você faz para mim?’. Eu disse que sim, mas nem sabia fazer”, revela.

Comprou material, contratou a irmã, Alana, e colocou a mão na massa. Deu certo. A Amanda Machado Acessórios hoje tem 11 funcionários, incluindo o marido, Júlio. Todas as peças são desenhadas por ela e fabricadas manualmente.

EXPANSÃO – A venda de peças ao exterior aconteceu esporadicamente desde o começo da empresa. Há dois anos, Amanda decidiu profissionalizar a comercialização de seus produtos lá fora. Ela conheceu a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex- Brasil) e, na sequência, a Rede CIN, onde encontrou incentivo e orientação sobre como investir para melhorar o produto e construir a marca no exterior.

Em 2018, ela integrou missão comercial promovida pela Rede CIN e pela Apex-Brasil à feira Colômbia Moda. Era a primeira primeira viagem para o exterior a trabalho.

“Foi muito importante participar porque me abriu novas portas. Lá, tive contato com uma peruana, que se apaixonou pelas peças e entrou em contato comigo quando retornei para o Brasil. Nós fechamos contrato e há um ano ela é a minha representante oficial no Peru e na Colômbia. Já até inaugurou dois quiosques em um grande shopping de Bogotá”, explica Amanda.

A primeira viagem de Amanda a negócios foi em 2018, para a feira Colômbia Moda

Ali, a empresária percebeu que o mercado externo está aberto (e muito) para produtos brasileiros, mas é necessário estar preparado para aproveitar as oportunidades. Por isso, Amanda fez um MBA em Desenvolvimento e Divulgação de Produtos de Moda, direcionado para artigos de luxo e continua buscando formas para melhorar o desempenho da empresa.

FUTURO – Com um contrato recém-assinado para distribuir os acessórios em mais pontos nos EUA, Amanda está passando por várias mudanças. Em outubro, ela inaugura um espaço que abrigará tanto uma nova loja quanto a fábrica das peças. O site da marca está em desenvolvimento e um novo enxoval de embalagens de luxo ficará pronto em breve.

Entre os planos de Amanda estão abrir uma nova loja e lançar o site da empresa em Outubro

Com o auxílio da Rede CIN e da Apex-Brasil, o plano é abrir uma filial ou um ateliê na Colômbia. A expansão, garante ela, não vai ameaçar o trabalho manual e detalhista que consagrou a marca. “A gente tem que levar os nossos produtos para lá. Digo para as pessoas não terem receio de participar de missões como essa da Rede CIN. Vá! Pode ter certeza que isso vai agregar muito na marca. Quando você volta para o Brasil com experiências no exterior e continua exportando, você atinge outro nível”, destaca a dona da Amanda Machado Acessórios.

Outro nível de fato. Mesmo tendo mudado de carreira, depois que consolidou os negócios, Amanda resolveu refazer a temida prova da OAB. Passou. "Hoje eu vejo que era o propósito de Deus na minha vida. Ele não deixou eu passar nos primeiros exames da OAB para que construísse minha marca e, quando tive a certeza que a empresa era o que eu queria para minha vida, ele me deu a aprovação. E com nota boa para provar que eu realmente sabia”, conta Amanda.

REDE CIN – Coordenada nacionalmente pela CNI, a Rede CIN promove a internacionalização das empresas brasileiras por meio de um conjunto de serviços customizados a suas necessidades.

Presente nas 26 federações de indústria dos estados e no Distrito Federal, ela conta com especialistas de comércio exterior que desenvolvem soluções encadeadas e complementares para os diversos níveis de maturidade das empresas brasileiras. Acesse o canal da Rede CIN e saiba mais.

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