Aluna do SENAI cria coleção de bolsas para pessoas com dificuldade de locomoção

Emilly Cherry desenvolveu os produtos no projeto de conclusão do curso de Design de Modas no Cetiqt. Ela pretende lançar produtos nas redes sociais
"A proposta é que as bolsas sejam para todos os tipos de pessoas" - Emilly Cherry

Uma bolsa impermeável transversal que também vira mochila pode facilitar a vida de pessoas com dificuldades de locomoção, em especial as que dependem de transporte público ou andam a pé nos grandes centros. Esse foi o projeto de fim da graduação de Emilly Cherry, aluna de Design de Modas no Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt), do Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial (SENAI).

O protótipo foi desenvolvido e testado por Silvana Correa, irmã do padrasto de Emilly, que se locomove com muletas. “A bolsa é bastante funcional, bem compartimentada, e pode se adequar tanto a cadeirantes quanto a quem usa muletas. Se estivesse à venda, eu compraria”, declara Silvana.

Pelo jeito, em breve, Silvana poderá adquirir o produto. Emilly pretende lançar sua coleção de bolsas artesanais inclusivas nas redes sociais no próximo ano e já tem 15 modelos de peças desenhadas.

“A proposta é que as bolsas sejam para todos os tipos de pessoas com design que leve em conta a ergonomia e valorize a estética, com cores, materiais e estampas”, detalha Emilly.

A estudante de design de modas despertou para a questão da inclusão na moda quando cursou a disciplina Comunicação aplicada à Moda, em 2018, que abordava questões relacionadas à inclusão de pessoas com deficiência. A partir daí, Emilly passou a questionar a falta de relação do mercado com esse público. “Não quero desenvolver peças para quem tem deficiência, porque isso continua sendo segregação”, critica.

Projeto de bolsa impermeável para pessoas com dificuldades de locomoção permite uso transversal ou nas costas para adequar à necessidade de cada usuário

Moda aliada à responsabilidade socioambiental

Segundo a professora de ergonomia, Cristiane Santos, que orientou Emilly no projeto, destacou que é comum os alunos da instituição buscarem inspiração para seus projetos finais em temas de disciplinas do curso. Dos cerca de 41 projetos desenvolvidos pelos alunos, houve intensa preocupação com questões de inclusão, conservação ambiental e até soluções para o momento da pandemia, como o desenvolvimento de um desfile virtual.

“Os jovens ingressam no curso querendo produzir roupas para passarela, mas não tem passarela para todo mundo”, diz Cristiane. “Procuro trabalhar com os alunos para que eles ampliem o olhar e relacionem a moda com os desafios que vivenciamos no dia a dia".

Para reforçar esse olhar dos alunos para os desafios atuais, o SENAI Cetiqt lançou em 2019 a Semana de Responsa para apresentação de projetos relacionados a desafios como inclusão e acessibilidade na moda. “Todos os professores são comprometidos com a temática e estimulam assim o engajamento dos alunos. A Semana de Responsa foi organizada pelos docentes em parceria com os alunos”, conta Monica Di Filippo, que é interlocutora do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI) no Cetiqt.

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