Vacina estimulará economia em 2021

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destaca que afastado o risco da doença, a confiança trará fôlego ao consumo e à produção

Chegamos ao fim de 2020 com um feito admirável que confirma a extraordinária capacidade do ser humano para superar as mais severas adversidades. Os cientistas e a indústria farmacêutica se mobilizaram e desenvolveram não uma, mas várias vacinas contra a Covid-19, em tempo recorde. Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Rússia já estão imunizando suas populações.

Tudo indica que, em pouco tempo, as vacinas começarão a ser distribuídas no Brasil e nas demais nações. À medida em que a vacinação for avançando, as incertezas econômicas, políticas e sociais relacionadas à pandemia se dissiparão. Afastado o risco da doença, as pessoas e as empresas se sentirão mais seguras para retomar plenamente suas atividades. A confiança trará novo fôlego ao consumo e à produção, o que acelerará a recuperação das perdas deixadas por essa que é uma das mais graves crises sanitária e econômica enfrentadas pela humanidade.

Com isso, poderemos concentrar esforços nas ações necessárias para iniciarmos um ciclo de crescimento sustentado. Projeções da CNI indicam que, depois de uma queda estimada em 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o Brasil deverá crescer 4%, e a indústria terá uma expansão de 4,4% em 2021. Mesmo assim, a taxa de desemprego continuará elevada, podendo ficar próxima de 15%. Para reverter esse quadro, é preciso criar um ambiente que favoreça a atração de novos investimentos.

Um dos grandes desafios do país para 2021 é o reequilíbrio das contas públicas e a manutenção do teto de gastos. O ajuste fiscal ajudaria a elevar a confiança dos investidores e a reduzir as pressões sobre os juros, além de aumentar a capacidade do Estado de investir. Um passo decisivo nessa direção seria a aprovação de uma reforma administrativa, que racionalize os gastos públicos e melhore a qualidade dos serviços prestados à população.

Também é fundamental buscar a redução efetiva do custo Brasil. Isso requer, sobretudo, a realização de uma reforma tributária ampla. Felizmente, ao longo deste ano, cresceu a percepção de que não podemos mais adiar essas mudanças. A implantação de um sistema de arrecadação de impostos mais simples, eficiente, sem cumulatividade e alinhado às boas práticas internacionais aumentará a competitividade das empresas e estimulará investimentos na produção.

É preciso, ainda, que se busquem alternativas para que tenhamos uma Justiça mais ágil e que dê segurança jurídica para a sociedade e para o setor privado. A modernização dos marcos regulatórios e a adoção de regras claras e estáveis, por exemplo, são fundamentais para incentivar a participação da iniciativa privada nas obras de infraestrutura. Um avanço considerável nessa área foi a aprovação, neste ano, do novo marco legal do saneamento básico.

Também está em estágio bastante avançado no Congresso Nacional a tramitação da Nova Lei do Gás. Investimentos em saneamento, transportes, energia e telecomunicações produzem efeitos positivos imediatos sobre a economia e o emprego.

Além disso, é indispensável ampliar a inserção internacional do Brasil, por meio da negociação de acordos comerciais equilibrados que resultem em ganhos econômicos e estabeleçam condições e prazos compatíveis à adaptação do setor produtivo ao novo ambiente de concorrência.

O aumento dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação é outra premissa crucial para o país se conectar à economia global no contexto da indústria 4.0, que está revolucionando processos de produção e modelos de negócios em todo o mundo.

A agenda do Brasil é muito complexa, mas devemos manter o otimismo. A exemplo do que fez a ciência, que encontrou rapidamente formas de combater o coronavírus, também temos capacidade para enfrentar, e vencer, os diversos obstáculos que historicamente atravancam o desenvolvimento econômico e social do país.

Com foco, persistência e união, poderemos construir em 2021 um país melhor para todos os brasileiros.

*O artigo foi publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia 30/12/2020.

Robson Braga de Andrade é o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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