E se a indústria parar?

Em artigo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry, fala sobre o importante papel da indústria no cenário de retomada da economia nacional
“A valorização da indústria será capaz de romper essa tendência de declínio da economia nacional”, afirma o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry

A greve dos caminhoneiros deixou um rastro de questionamentos e temores que colocam a sociedade brasileira diante de decisões importantes sobre o futuro do país.

A mais impactante ameaça da paralisação foi o desabastecimento. Filas nos postos de combustíveis e até prateleiras vazias formaram uma nova paisagem urbana.

Mas, por incrível que possa parecer, existe um cenário ainda pior do que esse: a inexistência de carga a ser transportada. Não por recusa dos caminhoneiros, mas pela inatividade das fábricas. Uma imagem digna de filmes apocalípticos mostraria filas de caminhões vazios, parados diante dos portões fechados das indústrias, sem nada para carregar. Máquinas desligadas e pessoas de braços cruzados formariam a moldura dessa nova crise.

Portanto, enviar a conta da greve dos caminhoneiros para a indústria não é sensato, já que toda a sociedade terá prejuízos, tanto no bolso – pelo aumento de custos repassados aos consumidores – ou pela perda de oportunidades e de renda, quando as fábricas fecham.

Se continuarmos na trajetória atual, onde o tabelamento dos fretes é um ícone do intervencionismo estatal na economia, poderemos chegar a uma lamentável realidade de “desprodução” industrial. O setor fabril não vem recebendo a atenção merecida através de políticas e programas de crescimento. Ao contrário, tem sido utilizado apenas como a principal fonte de arrecadação de tributos para governos cada vez maiores.

O encolhimento da indústria tem efeitos negativos numa escala catastrófica. Quando a produção fabril diminui, caem os empregos, a renda fica menor e o consumo se reduz. Vendendo menos, as empresas não crescem. Como resultado, a arrecadação de impostos cai e os governos entram em colapso financeiro e param de investir.

Nesse cenário desastroso, o que propomos é a urgente decisão de elevar o Brasil ao patamar de uma nação industrial. Só assim poderemos garantir um futuro digno para a sociedade. Este é o compromisso que queremos ver estampado nas plataformas dos novos governantes e políticos que iremos eleger em outubro. Tudo para evitar a repetição de crises como a atual num país cada vez mais empobrecido.

A valorização da indústria será capaz de romper essa tendência de declínio da economia nacional. As fábricas não podem parar!

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