Educação, cultura e acesso ao conhecimento podem abrir novos caminhos. Com esse propósito, o SESI Lab participou da feira de profissões promovida pela Unidade de Internação de Saída Sistemática (UNISS). O objetivo da feira é apresentar perspectivas profissionais e ampliar horizontes para os adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa de internação.
Durante a programação, o SESI Lab conduziu a oficina prática “extração de DNA do morango”. A atividade, que alia ciência, experimentação e diálogo, explicou aos participantes conceitos científicos de forma acessível enquanto refletiam sobre temas como identidade e pertencimento.
O educador do SESI Lab João Gabriel Borges explica que levar ações do museu para fora é essencial para quebrar o senso comum de que museus de ciência não são para todas as pessoas. “Todo mundo faz ciência, mas nem todo mundo sabe disso. Poder trazer oficinas educativas para espaços como a UNISS ajuda os jovens a entenderem que eles também fazem parte desse espaço científico e que é um conhecimento que pode ser acessível para todos”.
Para a oficina foram montadas mesas com equipamentos de laboratório como provetas e bequer. Olhares desconfiados e muita timidez marcaram o começo da prática, mas logo os jovens ficaram à vontade para tirar dúvidas e realizar as atividades.
A primeira etapa foi explicar o que é o DNA. Os participantes foram incentivados a pensar em tudo que têm DNA e o que isso significa. Em seguida, eles começaram a colocar a mão na massa: no bequer colocaram água morna, detergente neutro e uma colher de sal e mexeram para virar uma mistura uniforme. Durante a prática o educador explicou a razão de cada item: o uso do detergente para dissolver as membranas celulares e o sal para ajudar a liberar o DNA das proteínas.
Em seguida, eles maceraram o morango em um saco plástico para virar polpa e misturaram com a solução. Depois, o morango é passado em uma peneira e o líquido que sobra vai para a proveta com o álcool etílico. Nesta hora a mágica, que na verdade é ciência, acontece: fios esbranquiçados parecido com “nuvens” sobem na proveta. Eles são o DNA.
Os jovens puderam pegar no material genético, sentir sua textura, ver todo processo acontecendo. Depois vem mais um convite a reflexão: o DNA está presente em quase tudo. O chipanzé, por exemplo, que é o animal mais próximo do ser humano, tem um DNA 99% semelhante ao do homem. Neste momento eles debateram sobre diferenças e semelhanças entre os seres vivos, pertencimento e identidade e sobre como aconteceu toda dinâmica. O silêncio de rostos tímidos abriu espaço para questionamentos e entusiasmo.
Um dos adolescentes, de 17 anos, comentou que não sabia que museus tinham ações como essa. “Eu nunca tinha conhecido um biólogo ou matemático nem sabia que eles podiam trabalhar em um museu ou serem educadores. É muito legal ver possibilidades que a gente nem imagina, eu quero terminar meus estudos quando sair daqui”, comentou.
Outro jovem, de 19 anos, contou que sonha em transformar sua vida. “Quero trabalhar e melhorar minha condição de vida, da minha família. Acho que vou ser barbeiro, mas sei que dá para pensar em várias outras possibilidades e quero considerar todas”.
A feira aconteceu na Unidade de Internação de Saída Sistemática do Recanto das Emas, no Distrito Federal, onde ficam atualmente 16 jovens e adolescentes que já estão na fase final do cumprimento da medida socioeducativa.
A gerente sociopedagógica da UNISS, Valéria Dornelas, conta que o intuito da feira é apresentar realidades e vivências possíveis para os internos. “Nosso objetivo aqui é ajudar na reintegração desses jovens em suas famílias e na sociedade. Não podemos esperar que eles larguem a criminalidade sem apresentar caminhos diferentes e ampliar horizontes”.



