Conselho da Agroindústria discute defesa comercial e impactos do cenário internacional

Promovida pela CNI, reunião do Coagro recebeu dirigente da ANIP, que expôs preocupação do setor de pneus diante do aumento da entrada de insumos importados

O Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) se reuniu nesta quarta-feira (30) para debater mecanismos e ações de defesa comercial e impactos do cenário internacional para a agroindústria do país. Durante o encontro, os conselheiros discutiram o acordo de cooperação técnica firmado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para fortalecer a competitividade internacional das empresas brasileiras. 

Convidado do encontro, o presidente executivo da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), Rodrigo Navarro, falou sobre as preocupações do segmento. Segundo ele, nos últimos anos a indústria de pneus vem enfrentando uma crise devido ao aumento da participação de produtos importados no mercado de pneus de passeio e carga.  

De março de 2019 a março de 2026, a participação passou de 31% para 69%. De acordo com a associação, esse cenário tem resultado em demissões nas fábricas, paralisações de linhas de produção, reduções de turnos, férias coletivas, excesso de estoque de borracha natural nas usinas e produtores trocando seringueiras por outras culturas. Para alertar sobre o problema, a ANIP lançou um manifesto, assinado por mais de 45 entidades que apoiam propostas para enfrentar a crise e reverter a situação. 

O presidente do Coagro, Pedro Robério de Melo Nogueira, destacou que o pneu é um insumo muito sensível à indústria de maneira geral e fundamental para os maquinários agrícolas. Ele destacou que entre as propostas do setor para reverter o quadro crítico apresentado pela ANIP, um dos principais pontos é a expectativa de aprovação do marco legal da política industrial (PL nº 4133/2023), que pode trazer um ambiente regulatório positivo para o desenvolvimento de acordos comerciais.  

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, afirmou que o momento reúne urgência e oportunidade. “A indústria precisa repensar seu modo de agir em relação à inserção nos mercados externos. A CNI tem uma posição cada vez mais consolidada de estar nesse processo de aperfeiçoamento com a base industrial, de defesa e de fortalecimento da indústria nacional como um todo. Quando a gente olha a exposição da nossa pauta de comércio exterior, com a importação e a exportação muito concentradas em poucos segmentos, isso revela uma vulnerabilidade muito grande da nossa economia a certos movimentos geopolíticos e outras complexidades”, destacou o superintendente. 

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, reforçou a necessidade de unidade do setor industrial em defesa da competitividade e da isonomia. “Temos um grande dever que é o de tentar traduzir os prejuízos dessa crise e do fechamento de indústrias para o país, independentemente do setor afetado”, destacou.  

Acordo prevê medidas para enfrentar aumento de barreiras comerciais 

O acordo de cooperação técnica firmado pela CNI e MDIC reúne ações voltadas à ampliação das exportações, diversificação de mercados, defesa comercial, internacionalização empresarial e melhoria das condições de acesso a mercados externos. A iniciativa busca aproximar as capacidades técnicas e institucionais do governo e do setor produtivo para enfrentar um cenário de comércio internacional marcado pelo aumento de barreiras comerciais e mudanças nas cadeias globais de produção.  

Para isso, estabelece quatro eixos de atuação: governança, diálogo e articulação institucional; produção de conhecimento, inteligência e formulação de propostas; desenvolvimento e apoio à capacidade exportadora; e capacitação e desenvolvimento de competências.   

Entre as ações previstas está a criação de um grupo de diálogo sobre mecanismos de defesa comercial, além da realização de estudos e de diagnósticos, mapeamento de mercados estratégicos, criação de metodologias para diversificação das exportações e análises sobre sistemas de crédito, garantias e seguro à exportação. Outro foco da parceria será o fortalecimento da capacidade exportadora das micro, pequenas e médias empresas.   

“Trata-se de um conjunto de medidas imediatas de proteção dos setores afetados, com um avanço a médio prazo para uma diversificação do nosso mercado exportador e, a longo, para uma estratégia de inserção do setor externo como um verdadeiro eixo de desenvolvimento e de adensamento produtivo”, complementou Silveira.

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