Empresa atendida por programa da CNI e do Sebrae eleva produtividade e planeja abrir franquias

Por meio de capacitações do Procompi, ateliê de bijuterias em Maceió relata redução de desperdícios e ganho em eficiência. Casos de sucesso do programa serão apresentados nos dias 15 e 16
“Eu perdia muitas peças que ficavam sujas de cola. Com a experiência dos outros empresários, aprendi como limpá-las e simplesmente não as perco mais” - Lúcia Bastos

O ateliê de bijuterias de Lúcia Bastos nasceu de uma vocação natural. Aos 21 anos de idade, a alagoana começou a produzir brincos e colares em casa e, de forma despretensiosa, passou a vender as peças para amigos e conhecidos. O ano era 2007 e Lúcia era estudante de medicina veterinária. A nova descoberta não apenas a fez mudar de planos como moldou toda a sua vida desde então.

Hoje, aos 32 anos de idade, Lúcia é formada em administração e tem uma pequena fábrica em Maceió com produção reconhecida de brincos, anéis, colares e, mais recentemente, sandálias.

Com formação técnica em design de joias e capacitação em ilustração em aquarela, Lucia é responsável por todo o desenho das peças de seu ateliê. A partir deles, sua equipe de 30 funcionários trabalha na produção, no controle de qualidade e nas vendas das bijuterias. O valor das peças vai de R$ 79,90 até perto de R$ 900 – este último valor corresponde a uma peça exclusiva com pedras swarovski.

Com o desejo de melhorar a qualidade de sua produção e alavancar seu negócio, o ateliê Lúcia Bastos é um dos participantes do atual ciclo do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi) em Alagoas. O programa, uma parceria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), capacita empresas industriais de pequeno porte para que elas elevem a produtividade e a eficiência de seus negócios.

Até agora, Lúcia já realizou os cursos de design thinking, desenvolvimento de coleções e de formação de preços. O próximo é o de lean manufacturing, conhecido como manufatura enxuta, técnica que busca contribuir para a redução no tempo de produção das peças e no desperdício de materiais. “As capacitações são valiosas e se refletem no aumento de nossa produtividade como um todo”, afirma a empresária. 

Ela ressalta que, por meio do contato com outros empresários do setor, reduziu significativamente a perda de peças usadas na produção. “Eu perdia muitas peças que ficavam sujas de cola. Com a experiência dos outros empresários, aprendi a como limpá-las e simplesmente não as perco mais”, afirma. Depois do Procompi, Lúcia pretende reestruturar toda a sua produção e partir para o modelo de franquia. “Eu já faço um teste desse modelo com um quiosque que abri no Parque Shopping Maceió. Minha ideia é concentrar o desenho e a produção das bijuterias aqui para que elas possam ser vendidas nas franquias”, diz.

Uma equipe de 30 funcionários trabalha na produção, no controle de qualidade e nas vendas das bijuterias

PRODUTIVIDADE - Em Alagoas, a atual edição do Procompi investe R$ 1,3 milhão no desenvolvimento de seis projetos, totalizando 104 empresas beneficiadas. Esses projetos são desenvolvidos por meio de uma parceria entre Federação das Indústrias do Estado do Alagoas (FIEA) e o Sebrae de Alagoas.
A empresa de Lucia Bastos é atendida especificamente pelo projeto voltado para o desenvolvimento de micro e pequenas indústria do setor têxtil da região metropolitana de Maceió e do Agreste Alagoano.

Dentro desse projeto, ao todo, 17 confecções são beneficiadas com consultorias que buscam não apenas ampliar sua competitividade no mercado, mas estimular a cooperação entre elas, permitindo que o setor se organize como um todo.Os empresários alagoanos do setor passaram por consultorias sobre negócios; adequação de maquinas e equipamentos; tratamento de resíduos; modelagem; balanceamento do fluxo de produção; gestão financeira; gestão da inovação; gestão empresarial; e saúde e segurança no trabalho.

Em termos de produtividade, o conjunto de empresas atendidas pelo projeto na área têxtil relatou um crescimento de 41,67%. Em termos de resultados qualitativos, percebeu-se a criação de uma cultura em torno da segurança do trabalho, o que promoveu benefícios dentro e fora das empresas.

FATURAMENTO - Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, da Confecção de Roupas Íntimas e da Fabricação de Bijuterias e de Joalheria do Estado de Alagoas (Sindivest), Francisco Acioli, o impacto atinge não apenas capital, mas também o interior. De acordo com ele, as empresas que participam do projeto aumentam o seu faturamento entre 10% e 15% e ampliam sua carteira de clientes.

“O associado mudou sua visão de negócios. Vemos isso em Maceió, em Palmeira dos Índios, em Murici. É uma transformação da mentalidade empresarial, com valorização profissional, humanização das equipes. Os negócios estão ganhando espaço fora de Alagoas também, já que hoje algumas dessas empresas fazem negócios com Pernambuco, por exemplo”, afirma Acioli.

SOBRE O PROCOMPI – Criado em 2000, o Procompi busca elevar a competitividade das empresas industriais de menor porte, por meio do estímulo à cooperação entre as empresas, à organização do setor e ao desenvolvimento empresarial e territorial. Por meio de projetos submetidos por federações estaduais de indústrias e unidades do Sebrae, grupos de empresas de pequeno porte do mesmo setor recebem capacitação e consultoria para alavancar a produtividade e eficiência nos negócios.

Ao todo, no atual ciclo do programa, 2.277 empresas são beneficiadas por meio de 117 projetos. Essas empresas representam 19 segmentos industriais e estão distribuídas entre 22 estados brasileiros. Desde a sua criação, o Procompi já investiu 109 milhões em 472 projetos. Foram atendidas mais de 8 mil empresas em todo o Brasil. 

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