Adaptar formatos, inovar na apresentação de temas nas redes sociais ou transformar o modo de vender um produto ou serviço. Estes são desafios apresentados por federações das indústrias de diferentes estados do país, para os quais foram desenvolvidas novas formas de comunicar.
A segunda edição do Encontro de Comunicadores do Sistema Indústria foi palco para compartilhar exemplos de mudança de processos adotados pelas federações que fazem diferença no dia a dia de como as pessoas recebem notícias da indústria. O evento, que acontece anualmente, foi realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, nos dias 17 e 18 de agosto.
Dados que contam e encantam
A gerente corporativa de Comunicação da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Juliska Azevedo, pontuou que há três anos a comunicação da federação recebeu o desafio de aumentar a interação nos conteúdos que eram divulgados. Em função dessa demanda, houve um planejamento para ampliar a produção audiovisual.
“Não aumentamos equipe e nem orçamento, mas tivemos que adaptar o processo e mudar a forma de pensar. Começamos a pensar não só na pauta jornalística, mas também na produção multiplataforma”, enfatizou a gerente.
Juliska trouxe dois exemplos de parcerias com a Rede Globo do estado, a afiliada Inter TV: o “FIERN em Destaque”, informativo semanal exibido semanalmente no intervalo do programa “Bom Dia”, e o quadro “Termômetro da Economia”, produto desenvolvido pelo Observatório da Indústria da FIERN que mensalmente ocupa espaço no mesmo programa para apresentar os principais dados e índices da economia local.
“O quadro Nossa Economia só começou porque representantes da emissora foram conhecer o trabalho do Observatório da Indústria MaisRN. Eles ficaram encantados com a quantidade de números e dados para a economia do estado que tínhamos ali”, destacou Juliska. “A partir daí, um representante da instituição passou a participar de um quadro na emissora, quinzenalmente, para explicar dados e estudos do Observatório da Indústria MaisRN”.
Produtos que foram criados:
- FIERN em Destaque: boletim semanal para redes sociais com os principais acontecimentos da federação, que passou a ser exibido na TV;
- Podcast Fala, Indústria: entrevistas quinzenais com empresários e autoridades transmitidas na Jovem Pan News Natal, Band RN e YouTube da FIERN;
- FIERN – Por uma Indústria Mais Forte: matérias semanais sobre projetos e ações da FIERN;
- Quadro Nossa Economia – boletim mensal no Bom Dia da Globo local onde o gerente do Observatório da Indústria apresenta os dados e e índices da economia local e interage com o apresentador.
Alcance dos Baby Boomers à Geração Z
Beatriz Seixas, gerente de Comunicação e Relações Públicas da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES), trouxe um exemplo de criação voltado para as redes sociais, o “Explicando a FINDES para Gerações”.
O produto estreou em abril de 2026 com quatro episódios publicados em carrosséis no Instagram e Linkedin. O principal objetivo da ação foi utilizar temas culturais com referências específicas para diferentes gerações, como a série de ficção científica Stranger Things e o bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter, para explicar a atuação da federação.
Ao contrário da FIERN, a gestora conta que a FINDES não recebeu nenhuma demanda específica para a criação do “Explicando a FINDES para Gerações”, mas o próprio time de comunicação institucional trouxe a ideia numa conversa durante um café da tarde. “A partir desse brainstorming despretensioso surgiu um dos nossos conteúdos institucionais que teve um dos melhores resultados entre todos os nossos materiais”, conta Beatriz.
O desafio, nesse caso, foi trazer um conceito de uma maneira “pop”. “A gente trouxe a questão de explicar a FINDES, criar identificação, mas também encontramos o timing, porque buscamos referência cultural tentando mirar no repertório das pessoas com o que estava sendo falado fora da linguagem institucional”, detalha a comunicadora.
SENAI como inspiração
“De que forma a gente pode usar as nossas marcas ao nosso favor?” Essa foi a pergunta-chave que direcionou o estudo de reposicionamento de marca, produção de conteúdo e presença digital da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), o Sistema indústria 360º.
“O SENAI é uma marca muito forte quando se fala em cursos profissionalizantes e ao chão de fábrica. A nossa dor, em Goiás, era levar as outras faces do SENAI, tecnologia e inovação, para outros cantos”, contou a gerente de Comunicação e Marketing da FIEG, Sandra Tokarski Persijn.
A pesquisa ouviu mais de 580 pessoas, entre professores, colaboradores, alunos e ex-alunos do SENAI, para entender como diferentes públicos veem o papel da instituição. Os resultados, segundo Sandra, foram esclarecedores e trouxeram insights importantes. “Com isso, queríamos atrair as pessoas que ainda não estavam no SENAI, porque a pesquisa nos disse que já havia um match entre os que já estavam inseridos na unidade, até porque entre os alunos avaliados, cerca de 91% disseram ter orgulho do SENAI”, relatou.
Comunicação também é autoconhecimento
Em 2024, a área de mídias sociais da FIEG identificou um problema interno na gestão dos perfis da instituição. Um alto número de queda de páginas de perfis META, o que gerou inúmeras solicitações de suporte.
“A gente descobriu o número de páginas que tínhamos ativas nas unidades, porque não era de conhecimento da comunicação. Várias unidades, escolas e até projetos internos tinham páginas que começaram a cair”, detalhou Luciana Oliveira, coordenadora Digital da FIEG.
Para solucionar o problema, foi criado o “Projeto Guarda-Chuva”, que criou um portfólio empresarial do SESI/SENAI Goiás para ter mais segurança e controle sobre os perfis e conteúdos. A federação teve ajuda de uma consultoria especializada para concentrar 30 perfis relacionados à atuação do sistema no estado e recuperar dados que foram perdidos nas quedas de 2024.
E como alinhar o que seria, então, publicado em 30 canais de mídias sociais? Daí surgiu o “Projeto RDs” (Representantes Digitais) que, a partir do mapeamento, realizou a contratação de profissionais para a produção de conteúdos exclusivos para cada unidade. Foram vinculados à comunicação da FIEG cerca de 24 representantes para dar consultoria em comunicação às instituições.
“Fazemos uma padronização de todos os materiais, preparamos relatórios e entregamos para os diretores de cada unidade. É um trabalho de formiguinha, nutrição da decisão e de suporte para as vendas”, reforçou Luciana.



