Tecnologias criam 14 novas profissões na Saúde

Em 10 anos, haverá 178,5 mil vagas para carreiras ligadas à digitalização do setor. O destaque é para as profissões de engenheiro hospitalar, técnico de assistência médica digital e engenheiro de dados da saúde

Nos próximos anos, a digitalização na saúde deve se intensificar e mudar o perfil dos profissionais que atuam em hospitais e clínicas

A pandemia impôs inúmeros desafios para o setor de saúde e mostrou a importância do uso das tecnologias para aumentar a eficiência – no controle e na distribuição de leitos e de vacinas, por exemplo – e para democratizar o acesso a atendimento, com a telemedicina. Nos próximos anos, essa digitalização deve se intensificar e mudar o perfil dos profissionais que atuam em hospitais e clínicas.

É o que revela o estudo Profissões Emergentes na Era Digital: Oportunidades e desafios na qualificação profissional para uma recuperação verde, realizado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ - Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH) e pelo Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

A pesquisa identifica tendências e 14 profissões emergentes na área da Saúde no curto (2 anos), médio (5 anos) e longo prazo (10 anos). Entre as três novas carreiras de destaque - engenheiro hospitalar, engenheiro de dados da saúde e técnico de assistência médica digital - o técnico é o que terá mais vagas em longo prazo.

Estima-se uma demanda de 31 mil profissionais em 10 anos, mas o Brasil só deverá ter formado cerca de 10 mil, um gap de 68%. É esse profissional quem fornece dados e avaliações a partir do uso de Inteligência Artificial (IA) para a tomada de decisão de médicos e gestores de hospitais.

Carreiras tecnológicas se aproximam de profissões tradicionais da saúde

Além da IA, internet das coisas, blockchain, big data, weareables, cloud, robôs colaborativos e realidade aumentada vão fazer parte da rotina de atendimento dos pacientes e da gestão das unidades de saúde. Para garantir a sua efetividade, profissionais especializados no uso dessas ferramentas, como analistas de dados, precisam conhecer os processos hospitalares, o fluxo de atendimento ao paciente e demais especificidades para que suas análises e inferências sejam precisas.

Já as equipes clínica e de negócios devem ser preparadas e reconhecer a importância das tecnologias. Existe, portanto, um desafio na formação de mão de obra. O Brasil precisa investir na capacitação dos profissionais existentes, assim como na formação de novos trabalhadores preparados para lidar com as tecnologias do setor, seja no nível médico ou técnico.

Uma solução apresentada pelos autores do estudo é, com uma maior abertura da área de saúde, em médio e longo prazo, alunos de cursos técnicos ou de graduação de carreiras tecnológicas realizarem estágios dentro

de hospitais, criando assim uma maior afinidade. Ou o inverso, médicos e demais profissionais da saúde se especializarem em áreas tecnológicas.

O diretor do NEO, Alejandro G. Frank, completa a lista de recomendações: além de apostar na imediata formação e requalificação de profissionais, o país precisa, a médio prazo, investir na formação de professores, na atualização constante dos currículos e na criação de novos cursos; incentivar a interdisciplinaridade; e desenvolver políticas de inclusão digital.

“Para longo prazo, é importante criar um plano de atualização dos cursos no Brasil, aproximar o estudante do ensino médio da formação técnica e aumentar a oferta de cursos e de capacitação de professores em áreas menos favorecidas do país”, observa Alejandro Frank.

A importância da educação e da conectividade

As estimativas de quantos profissionais serão necessários e as lacunas entre a demanda e a oferta – ou egressos de cursos – mostram como o setor educacional brasileiro pode reagir e desempenhar um papel fundamental no pós-pandemia.


O SENAI, que acompanha as transformações do mercado de trabalho por meio de observatórios técnicos setoriais, avalia que o estudo é mais um norte para o país assumir uma posição dianteira, em comparação com outros países que também precisam atualizar sua mão de obra. Essas tendências devem ser consideradas pelas instituições de ensino profissional na formação inicial e na requalificação dos trabalhadores”, ressalta o diretor geral do SENAI, Rafael Lucchesi.


Atendimento gratuito de qualidade é direito de todos os brasileiros e um dos maiores desafios para os governos municipais, estaduais e federal. As tecnologias emergentes têm muito a contribuir, não só para ampliar a oferta, com a telemedicina, por exemplo, mas para monitorar em tempo real os dados dos pacientes e permitir ações preventivas no atendimento básico, que desafogam os serviços de maior complexidade.

Pesquisa recente do Serviço Social da Indústria (SESI) com 200 indústrias mostra que, para 50% delas, a telemedicina veio para ficar e fará parte da realidade das empresas. “Inclusive, o SESI está desenhando um modelo de uso da telessaúde para apoiar empresas de todos os portes na gestão corporativa e no acesso a serviços de saúde de qualidade pelo trabalhador”, destaca Lucchesi, que também é diretor-superintendente do SESI.

Apesar de muitos hospitais ainda não possuírem recursos básicos de conectividade, como internet de qualidade, o estudo lembra que “algumas das iniciativas de destaque na estratégia de digitalização do sistema de saúde brasileiro são a consulta médica online através do e-SUS e o DigiSUS, plataforma de acesso móvel para acompanhamento de tratamentos em consultas e atendimento hospitalar”.

“Consideramos o cenário brasileiro atual e o impacto da transformação digital para mostrar a importância de determinadas profissões na definição de uma estratégia nacional de desenvolvimento econômico sustentável, que concilie fatores sociais, ambientais e econômicos”, explica o assessor Técnico da GIZ Martin Studte.

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