Tecnologias ajudam a prevenir doenças e garantir longevidade

Equipamentos como pulseiras de monitoramento e chips inseridos em órgãos vão permitir às pessoas cuidar melhor da saúde e combater males que levam ao envelhecimento
Erika Györvary, coordenadora de Tecnologia do Centro Suíço de Eletrônica e Microtecnologia (CSEM), diz que as pessoas estão assumindo a responsabilidade sobre seu estado de saúde

Utilizar tecnologias para prevenir doenças é uma das melhores estratégias para garantir longevidade, na opinião dos participantes do painel “Longevidade e tecnologias aplicadas à saúde: onde realmente estamos?”, realizado nesta terça-feira durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria.

Equipamentos que monitoram quantidades de passos, de batimentos cardíacos devem evoluir para medir outros dados em tempo real como pressão arterial, ajudando a combater, por exemplo, a hipertensão, contou a coordenadora de Tecnologia do Centro Suíço de Eletrônica e Microtecnologia (CSEM), Erika Györvary. “Hoje estamos mais conscientes da nossa responsabilidade e no futuro tudo será mais personalizado. Ao se automonitorar, as pessoas realmente assumem responsabilidade sobre seu estado de saúde”, disse ela. 

A vice-presidente do Weizmann Institute of Science, Michal Neeman, de Israel, também reforçou essa ideia. “Prevenção é a palavra-chave. Esse é o meio mais eficaz para combater doenças que levam ao envelhecimento”, disse. Para ela, o compromisso deve partir dos indivíduos, ao evitar o uso do tabaco e cuidar da alimentação, por exemplo, mas também é responsabilidade de governos e empresas. Fatores ambientais, como poluição da água e do ar, também são causas relevantes de doenças. “Podemos reduzir muito o custo de saúde com água tratada e ar despoluído”, defendeu Neeman. 

Michal Neeman, vice-presidente do Weizmann Institute of Science, explica que prevençaõ é a palavra-chave

CHIPS DE ÓRGÃOS – A tecnologia está ainda no centro de uma nova forma de se pesquisar o mecanismo fisiológico de órgãos e o funcionamento de medicamentos: são os chips de órgãos, apresentou a especialista. Atualmente, esses testes são feitos em animais ou em amostras de cultura de células. Os resultados, no entanto, nem sempre são eficazes ou os medicamentos se tornam muito caros devido ao alto investimento do processo. Com os chips, é possível testar as novas substâncias dentro dos órgãos.

“Nosso corpo é um grande microorganismo, muito mais complexo do que podemos replicar nesses tipos de testes e exige muitas vezes monitoramento contínuo. Com os avanços na engenharia e da nanotecnologia, hoje temos a possibilidade de ter um novo conceito, chips de órgãos”, relatou Erika Györvary.

O diretor de Soluções da Nokia, Wilson Cardoso, também apresentou aplicações da tecnologia voltadas à saúde, como o sistema em uso na China, que permite transferir em tempo real ao hospital dados do estado de pacientes enquanto são transportados em ambulâncias. Ao chegar, o paciente continuar monitorado por sensores e tem um prontuário eletrônico, que poderá ser enviado a outros médicos, caso a pessoa precise de atendimento em viagem, por exemplo. “São pequenas alterações que a gente pode fazer no dia a dia por meio de conectividade”, contou ele.

Wilson Cardoso, diretor de Soluções da Nokia, também apresentou aplicações da tecnologia voltadas à saúde

Para Cardoso, um dos focos da pesquisa nessa área, especialmente no Brasil, deveria ser como levar saúde de qualidade  ao interior do país, por meio de conexões de satélites ou redes 5G. “Como trazer instalações médicas para locais como o Amazonas? Como fornecer os mesmos serviços que temos em São Paulo em Manaus? Como educar a população para cuidar da própria saúde? São esses pontos a serem focados no meu entendimento”, defendeu.

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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