O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) deram, nesta semana, os primeiros passos para a criação do cluster de Inovação New Space no Brasil.
A proposta foi submetida pelo Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados no último trimestre de 2024 e selecionada pelo MIT no início deste ano e visa propor um ecossistema de inovação espacial no país, com foco em Florianópolis.
A participação do MIT se dá no âmbito do programa de Laboratório de Organizações Globais (Go-Lab), um laboratório intensivo de Action Learning dentro do Execuive MBA (EMBA). O GO-Lab faz parcerias com organizações multinacionais para abordar desafios ou oportunidades críticas de gestão transfronteiriça.
Trata-se de um projeto de quatro meses (janeiro a abril), que inclui discussões com estudantes no campus e o estudo de caso em organizações de várias regiões do mundo, no caso o Instituto SENAI de Inovação de Florianópolis.
Até o momento, mais de 130 organizações em todo o mundo sediaram projetos do GO-Lab e alavancaram equipes de EMBA para análise focada e objetiva de seus desafios organizacionais estratégicos.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, o estado já tem experiências no desenvolvimento de nanossatélites. "O Instituto SENAI de Sistemas Embarcados participou do desenvolvimento do VCUB, uma iniciativa da empresa Visiona Aerospacial. Além disso, o mesmo instituto e a Universidade Federal estão desenvolvendo dois exemplares da Constelação Catarina”, explicou.
Para Pablo Garcia Naranjo, diretor sênior de Estratégia da Orbia e integrante da comitiva do MIT, a iniciativa diz respeito ao presente, não mais ao futuro. “O espaço novo já está lá fora. Do GPS, Google Maps, o celular, tudo vem da tecnologia espacial. Todos os países estão investindo na tecnologia espacial. Então, o Brasil precisa estar no jogo”, frisa.
Ele acrescenta ainda que a indústria é uma das principais interessadas em avanços neste setor, pois cria processos mais eficientes usando a tecnologia espacial.
Principais propostas e características do projeto
“O projeto seguirá em desenvolvimento nos próximos meses. A proposta final abrangerá um modelo de governança, sustentabilidade e empreendedorismo para estruturar o cluster aeroespacial no Brasil, garantindo sua viabilidade e alinhamento com a regulamentação nacional”, afirma o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira.
Entre as principais frentes propositivas, estão a pesquisa e a inovação em foguetes, rovers (veículos de exploração espacial projetados para se moverem pela superfície de planetas, luas ou outros corpos celestes), nanossatélites e Internet das Coisas (IoT) aplicada ao setor de economia aeroespacial.
A capacitação profissional também é um eixo estratégico, com a criação de cursos técnicos, graduações e pós-graduações em engenharia aeroespacial e áreas correlatas.
Além disso, o projeto prevê investimentos de infraestrutura, como laboratórios de ponta, além de espaços colaborativos voltados à experimentação e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para o ecossistema. O fomento ao empreendedorismo ganha destaque com programas de incentivo a startups, incubadoras, hackathons e premiações.
No cenário internacional, o cluster buscará ampliar sua atuação por meio de parcerias estratégicas, incluindo os Acordos Artemis, que promovem intercâmbio de tecnologia e alinhamento com padrões globais da indústria espacial.
O projeto também prevê a criação de um modelo de governança que garanta a distribuição equitativa de recursos, a simplificação de processos regulatórios e a promoção da colaboração entre os atores envolvidos. A meta é posicionar o Brasil como referência em inovação espacial na América Latina até 2030, impulsionando o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
A delegação envolvida do MIT é composta por Rachit Agarwal, atuário-chefe da Sun Life International; Pablo Garcia Naranjo, diretor sênior de estratégia da Orbia; Priya Sundararaman, chefe de ciência de dados para produtos de talento na Amazon e Kathryn Wallach, engenheira de sistemas chefe, atua no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.



