Países reconhecem importância da inovação para enfrentar a Covid-19, diz diretora da CNI

Gianna Sagazio falou sobre a inovação no pós-pandemia em seminário virtual da Folha de S. Paulo. Para ela, o Brasil está na contramão do mundo em relação ao volume de investimentos em CT&I para combater a Covid-19

Técnicas de enfermagem manipulando seringa
Aumento do investimento em pesquisa é um dos caminhos para o Brasil enfrentar a crise na saúde

A diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gianna Sagazio, afirmou nesta quinta-feira (25) que os países mais inovadores reconheceram a importância e aumentaram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para enfrentar a pandemia de Covid-19.

A declaração foi feita durante participação no webinário Inovação no Brasil, realizado pela Folha de S. Paulo. Segundo Gianna, o Brasil está na contramão do mundo, por contingenciar de forma recorrente os recursos para investimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I).


“Estamos na contramão do que está acontecendo no mundo. Com a pandemia, os países reconheceram a importância da inovação e investiram mais em P&D. Já nós no Brasil contingenciamos a principal fonte de investimentos em inovação em quase 90% no ano passado e neste ano reduzimos a previsão do orçamento federal também por volta de 90%”, disse Gianna


“É difícil enfrentar uma crise de saúde com um investimento tão pequeno em pesquisa e desenvolvimento”, acrescentou durante a participação no painel Inovação no pós-pandemia.

De acordo com a diretora de Inovação da CNI, sem uma política nacional de CT&I e apoio às indústrias, as empresas brasileiras não se adequarão à transformação digital. “A maior parte das empresas não conseguirá entrar na quarta revolução industrial sem políticas públicas de incentivo para que  invistam em inovação. E se a empresa não procurar entrar, poderá deixar de existir”, alertou.

Gianna Sagazio observou que a 62ª posição do Brasil no Índice Global de Inovação é incompatível com o fato de o país ser a 12ª maior economia do mundo. Durante o painel, ela também apresentou dados de pesquisas da CNI que mostram o quanto o país está atrasado na agenda de inovação. 

Pesquisas mostram que inovação é o caminho para superar a crise

Um dos dados que chamam a atenção, segundo a diretora, é que 83% das empresas acreditam que a inovação é o caminho para as empresas superarem a crise e voltarem a crescer, embora mais de 80% considerem que não têm estratégia para inovar. “A pesquisa mostra que os empresários entendem que a inovação é de fato o caminho para que as empresas possam voltar a crescer e, ao mesmo tempo, revela a dificuldade que têm para inovar”, pontuou.

Também participaram do painel Inovação no pós-pandemia, moderado pelo jornalista da Folha de S. Paulo Vinicius Torres Freire, o chefe de tecnologia da IBM Brasil, Alberto Miyazaki; o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Francisco Saboya Albuquerque Neto; e o professor do curso de administração USP Leonardo Augusto de Vasconcelos Gomes.

“Temos que transformar em algo comum que empresas tenham estratégias claras de inovação. É preciso criar no país uma cultura que aceite o fracasso, a falha e a incerteza como parte do jogo”, destacou Leonardo Gomes.

Francisco Saboya, por sua vez, defendeu uma política nacional e programas de longo prazo de estímulo à competitividade para que a agenda de inovação avance no país. Já Miyazaki destacou que a competição do mercado sempre vai gerar inovação. “Tenho percebido que as empresas inovaram dentro de seus contextos, sempre por causa da competitividade”, disse.
 

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