Oficiais do Exército são apresentados a projetos de ponta em indústrias e institutos de inovação

Militares visitaram instalações de institutos do SENAI e laboratórios tecnológicos durante imersão da CNI e da MEI que passou por cinco cidades. Objetivo é firmar parcerias para desenvolvimento de produtos nas áreas de defesa e segurança
Participantes da imersão visitaram o Instituto SENAI de Inovação em Engenharia de Polímeros, no Rio Grande do Sul

Militares foram apresentados ao que há de mais moderno em pesquisas e desenvolvimento de produtos tecnológicos no país, durante a 17ª edição do Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O grupo de oficiais do Exército visitou, entre os dias 15 e 19 de julho, nas cidades de São Leopoldo (RS), Florianópolis, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, unidades de inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e empresas como a SAP, IBM e Totvs – todas participantes da MEI, movimento liderado pela CNI que reúne CEOs de mais de 200 grandes empresas do país.

Uniformes inteligentes, mira de alta precisão para armamentos, sistemas para monitoramento aéreo de grandes áreas, coletes balísticos e equipamentos diversos para o setor da defesa são exemplos de produtos desenvolvidos por Institutos SENAI de Inovação que podem ser ou, em alguns casos, já são usados pelas Forças Armadas.

“A imersão foi realizada a pedido do Alto Comando do Exército, com o objetivo exatamente de apresentar aos militares a inovação tecnológica presente na indústria brasileira e de viabilizar parcerias para a área de segurança e defesa nacional”, afirmou a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio.

O Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação já levou empresários brasileiros, representantes do governo e da academia a diversas regiões do Brasil e a países como Estados Unidos, Alemanha, Israel e China. Nesta edição, a imersão foi organizada em conjunto com o Exército, por meio do Sistema Defesa, Indústria e Academia de Inovação (SisDIA/Exército), e contou com o apoio do Conselho Temático da Indústria de Defesa (Condefesa). Ao longo da semana, 71 pessoas participaram das visistas organizadas pela CNI, sendo a grande maioria integrantes do Exército.

O presidente em exercício da CNI e presidente do Condefesa, Glauco Côrte, observou que a ideia central das imersões é tornar o ambiente industrial brasileiro mais inovador, especialmente por meio da chamada “tripla hélice”, que é a colaboração entre empresas, governo e universidades para o desenvolvimento de projetos de inovação.

“A nossa expectativa é que essa experiência se transforme em uma sinergia forte, que resulte em projetos importantes para o Exército, a indústria e o país”, disse. “Temos condições de construir um grande sistema tecnológico, em que os institutos SENAI sejam catalisadores entre Exército, academia e indústria”, completou.

Instituto SENAI em Engenharia de Polímeros, em São Leopoldo (RS)

SOBERANIA – Na avaliação do general Carlos Roberto de Souza, coordenador do Escritório Central do SisDIA e representante do Exército junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a indústria é um setor estratégico para o desenvolvimento de tecnologia de defesa, fator essencial, na visão dele, para a soberania nacional.

“É fundamental termos soberania tecnológica, principalmente nas tecnologias críticas de interesse da defesa, que são muitas vezes negadas por aquelas nações que as detém, uma vez que geram um diferencial no poder de combate, que é como nos referimos à competitividade no setor de defesa”, destacou o general.

No primeiro dia de visitas, o grupo passou por dois institutos SENAI de Inovação: o de Engenharia de Polímeros e o de Soluções Integradas em Metalmecânica, ambos localizados em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre. Entre os produtos da área de defesa produzidos nessas unidades estão uma moderna “mira optrônica” feita com polímeros voltada para acoplagem em armamento e um equipamento para monitoramento aéreo, que pode ser usado para manejo florestal e segurança de fronteira.

O Instituto de Polímeros mantém parceria com o Exército para certificação de embalagens para o transporte de produtos perigosos. “Se não tivermos um motor potente e vontade de inovar, essas três hélices não girarão. Por isso, temos trabalhos integrados com a indústria e uma próspera parceria com o SENAI”, enfatizou o coronel Antonio Augusto Moura, chefe do Núcleo de Estudos Estratégicos do Comando Militar do Sul.

O especialista em Inovação do SENAI Alberto Pavim ressaltou o potencial da rede de institutos SENAI para a confecção de produtos para a área de defesa, em parceria com as Forças Armadas e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Também no Rio Grande do Sul, os militares visitaram o único dos 19 laboratórios da alemã SAP sediado na América Latina

“A nossa ideia é sempre acelerar as inovações tecnológicas. Nesse contexto, esperamos colaborar com veículos não tripulados, cybersegurança, segurança para cidades, novos materiais aplicados a armamentos e vestimentas para o Exército”, disse. “Temos muito a crescer juntos como instituições que querem trabalhar em prol do Brasil”, acrescentou Pavim.

Também no Rio Grande do Sul, os militares visitaram o único dos 19 laboratórios da alemã SAP sediado na América Latina. Localizado no parque tecnológico da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), onde funcionam diversas startups, o “SAP Labs Latin America” desenvolve soluções tecnológicas para grandes empresas e abriga um dos quatro primeiros centros de coinovação e transformação digital da empresa. 

Os generais visitaram o Instituto da Indústria Robson Braga de Andrade, onde funciona o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados e o Centro de Inovação SESI em Tecnologias para Saúde

PRODUTOS INOVADORES – Em Santa Catarina, os generais acompanhados por representantes da CNI e do SENAI visitaram o Instituto da Indústria Robson Braga de Andrade, onde funciona o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados e o Centro de Inovação SESI em Tecnologias para Saúde.

Um dos projetos apresentados na unidade do SENAI é o nanossatélite, pequeno satélite de menos de 10 kg produzido em parceria com a empresa Visiona que será lançado nos próximos meses. Com câmera de alta resolução, o satélite oferecerá dados valiosos para monitoramento de áreas. O satélite tem capacidade para dar a volta à Terra em 90 minutos e é capaz de observar qualquer ponto do território nacional em apenas 3 dias.

“Os países mais desenvolvidos do ponto de vista tecnológico têm uma sinergia muito grande com as Forças Armadas. Queremos deixar todas as portas abertas para aprender com os senhores e trabalharmos em conjunto. Queremos identificar oportunidades, considerando a capacidade estratégica do Exército”, disse o diretor de Inovação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), José Eduardo Fiates.

Os militares também conheceram a Fundação Certi, instalada no campus da Universidade Federal de Santa Catarina, onde empresas e academia se unem à instituição para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a iniciativa privada e o governo em setores como o aeroespacial e da defesa. O grupo conheceu laboratórios da Certi e projetos desenvolvidos em parcerias com startups da região e com grandes indústrias.

Executivos da IBM apresentaram aos militares o que a multinacional norte-americana produz de mais inovador nas áreas de inteligência artificial e computação quântica

Em São Paulo, o dia foi dedicado a visitas a duas grandes empresas do setor de tecnologia: IBM TrinkLab e à sede da Totvs. Executivos da IBM apresentaram aos militares o que a multinacional norte-americana produz de mais inovador nas áreas de inteligência artificial e computação quântica. Na Totvs, empresa brasileira de software que emprega 12 mil pessoas, o grupo assistiu a palestras de dirigentes da empresa sobre a extensa área de atuação voltada para a criação de soluções sob medida. Depois, os oficiais do Exército conheceram o ambiente despojado da Totvs, que tem uma sala de criação, mesas de sinuca e ambiente que promove ampla inteiração entre os profissionais.

PROGRAMAS ESTRATÉGICOS – “Nós temos um portfólio de programas estratégicos bastante amplo. Passa pela defesa cibernética, pelo monitoramento de fronteira, defesa antiaérea e blindados. Existe um campo enorme para parcerias com o setor industrial. Por isso, essa atividade de imersão é importante para que possamos nos conhecer melhor e integrarmos as nossas necessidades e possibilidades”, observou o general João Chalella, comandante da 2ª Região Militar, em São Paulo.

No quarto dia de imersão, o grupo seguiu para o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI), em Belo Horizonte

No quarto dia de imersão, o grupo seguiu para o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI), em Belo Horizonte. A unidade reúne os institutos SENAI de Inovação em Metalurgia e Ligas Especiais e de Engenharia de Superfícies, além de institutos de tecnologia do SENAI. Segundo o coordenador do Escritório de Ligação do SisDIA em Minas Gerais, general Rômulo Bini Pereira, a indústria mineira tem um papel de destaque como fornecedora para as Forças Armadas Brasileiras.

A imersão foi encerrada na sexta-feira (19), no SENAI Cimatec, em Salvador, onde estão instalados três Institutos SENAI de Inovação. Os militares conheceram inúmeros projetos criados na unidade, como o Flatfish – robô submarino autônomo que será usado na inspeção de dutos de petróleo em águas profundas. O protótipo foi feito em parceria com a Shell e o instituto alemão de inteligência artificial DFKI. O grupo também foi apresentado ao projeto do Cimatec Industrial, complexo tecnológico de 4 milhões de metros quadrados que abrigará laboratórios avançados, áreas de segurança para testes e pista de teste multiuso para projetos de inovação do setor automobilístico.

No SENAI Cimatec, em Salvador, estão instalados três Institutos SENAI de Inovação

SOBRE O CONDEFESA - Implementado pela CNI em novembro de 2018, o Conselho Temático da Indústria de Defesa tem como missão apoiar projetos estratégicos e incentivar o crescimento do setor da defesa, por meio da aproximação da indústria, das Forças Armadas e do alinhamento dois oito conselhos já implantados nas federações das indústrias em todo o Brasil.
 
Entre as atribuições do Conselho estão a proposição e o acompanhamento de políticas que tratem dos interesses da indústria da defesa; a elaboração de estudos; e a antecipação a demandas prioritárias da defesa e segurança em termos de projetos, novas tecnologias e produtos e serviços.
 
SOBRE O SisDIA - O Exército é um parceiro estratégico do setor industrial. Por intermédio do Sistema Defesa, Indústria e Academia de Inovação trabalha para potencializar o intercâmbio na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias nacionais de produtos e sistemas de defesa, contribuindo para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID).
 
Nesta segunda década do século XXI, intensas transformações nas estruturas socioeconômicas impõem a busca pela competitividade nos diversos setores, inclusive o de defesa. O Exército busca uma transformação inovadora e empreendedora para aumentar sua capacidade o que diz respeito aos desafios militares do futuro.

FOTOS - Confira todas as fotos da 17ª edição do Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação da MEI no Flickr da CNI.

SAIBA MAIS - Acesse o site dos Institutos SENAI de Inovação.

Relacionadas

Leia mais

4 países e os ingredientes para um ecossistema de inovação bem-sucedido
Inovação depende de sintonia entre setores público e privado
Inovação é fundamental para ganho de produtividade, mas exige política de longo prazo

Comentários