Inovação é fundamental para ganho de produtividade, mas exige política de longo prazo

Subsecretário de Inovação do Ministério da Economia aponta o programa do SENAI Brasil Mais Produtivo como exemplo de sucesso. Já foram capacitadas 3 mil empresas com ganho de produtividade médio de 52%
8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria recebeu mais de seis mil pessoas nos dois dias de evento

O subsecretário de Inovação do Ministério da Economia, Igor Nazareth, afirmou nesta terça-feira (11) que a inovação é fator fundamental para o aumento da produtividade de um país. Ele participou do 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em São Paulo. Igor mencionou o programa Brasil Mais Produtivo, criado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e executado em parceria com o governo federal, como caso de sucesso a ser expandido em prol da agenda da inovação e produtividade.

“Um exemplo é o programa Brasil Mais Produtivo, em parceria com o SENAI, que faz uma intervenção rápida junto às empresas, com lean manufacturing e digitalização. Já foram capacitadas 3 mil empresas com ganho de produtividade médio de 52%. O nosso desafio é trazer 100 mil empresas nos próximos 3 anos e meio”, disse o subsecretário de Inovação.

Também palestrante do painel “Política de inovação: desafio de longo prazo”, o secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Paulo Alvim, enfatizou que é ponto central para o país que todos entendam que inovação é um “processo continuado”. Ele observou que, dentro do esforço em prol da inovação, uma das prioridades é atender a demanda crescente por recursos humanos qualificados. “Precisamos rapidamente de um grande esforço que envolve o Sistema S e o sistema universitário para que tenhamos jovens capacitados para atender o setor produtivo”, frisou.

Subsecretário de Inovação do Ministério da Economia, Igor Nazareth: o programa Brasil Mais Produtivo, em parceria com o SENAI, faz uma intervenção rápida junto as empresas, com lean manufacturing e digitalização.

EXEMPLO ALEMÃO – O diretor-geral adjunto de Política de Inovação e Tecnologia do Ministério Federal da Economia e Energia da Alemanha, Ole Janssen, contou que o modelo mais eficaz para inovar privilegia investimentos privados em inovação e recursos públicos direcionados para pesquisa. Ele lembrou que, em 2006, o governo alemão criou a meta de ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de 2,5% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), meta atingida dez anos mais tarde. “Temos agora uma nova meta de chegar a 3,5% do nosso PIB até 2025”, disse.

MOBILIZAÇÃO EMPRESARIAL PELA INOVAÇÃO – O diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Américo Pacheco, ressaltou o papel da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) – grupo coordenado pela CNI que reúne mais de 300 lideranças empresariais – na união de empresas, governo e academia em prol de uma agenda comum. “A MEI serviu como plataforma muito importante para criar consenso em torno das lideranças privadas e públicas de que a inovação é estratégica para o Brasil”, afirmou.

O diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, avalia que a falta de conexão dos empreendedores com a academia ainda é o principal entrave para a inovação no Brasil. “A desintegração é uma barreira adicional para o empreendedor. Esse é o grande elemento faltante no Brasil. Temos uma série de recursos para serem impulsionados, mas sabemos que não há inovação sem liberdade para pensar e agir”, pontuou.

Moderador do painel, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Ultrapar e líder da MEI, Pedro Wongtschowski, observou que o governo tem uma lista extensa de tarefas para propiciar um ambiente no qual as empresas possam inovar com segurança jurídica. “Um dos grades resultados do trabalho que a MEI tem feito é disseminar no Brasil a relevância da inovação e firmar o conceito de que a inovação é uma atividade eminentemente privada, mas que exige suporte do Estado brasileiro”, destacou Wongtschowski.

COMBUSTÍVEL DA INOVAÇÃO - Para Frédérick Bordry, diretor de Aceleradores e Tecnologia da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), sediada na Suíça, a pesquisa é o primeiro passo para os países inovarem e crescerem. “Gostaria de dizer que acredito que pesquisa de base é o marcapasso da humanidade. Precisamos aumentar o orçamento na ciência aplicada para ser o combustível da inovação”.

Na avaliação do diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Guimarães, o Brasil tem grande potencial para inovar, mas para que esta agenda deslanche é necessário que seja encarada como prioridade. “Precisamos de prioridade para estimular esse enorme potencial que temos. Inovação requer flexibilidade”, frisou.

O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal (Finep), general Waldemar Barroso Neto, por sua vez, fez questão de dizer que a Finep está pronta para colaborar com a inovação no Brasil. Ele se mostrou otimista quanto ao avanço da agenda no Brasil em um futuro próximo. “Acreditamos que a inovação pode passar rapidamente das ideias para a realidade. A Finep atua desde a fase conceitual, da pesquisa básica, até para a capitalização das empresas. Passa por toda a cadeia, trabalhando de forma integrada para produzir conhecimento, riqueza e melhorar a qualidade de vida”, explicou.

URGÊNCIA – Nos dois dias de Congresso Brasileiro de Inovação de Inovação da Indústria, seis mil pessoas passaram pelo São Paulo Expo. “Foi o maior Congresso que já realizamos. O nosso objetivo é sempre trabalhar no sentido de tornar o Brasil um país mais inovador. E para isso é necessário urgência, porque o resto do mundo está avançando rapidamente. Podem contar conosco para caminharmos no sentido da modernidade para o país”, discursou a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio, no encerramento do evento.

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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