O controle da inteligência artificial (IA), seu consumo de recursos naturais e seus impactos na criatividade e na autonomia humana são temas do Festival Futuros Possíveis, no Rio de Janeiro.
Realizada pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RJ), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a 9ª edição acontece em 22 e 23 de outubro, na Casa Firjan, com o tema “Era IAxial: o mundo sob um novo eixo”.
“A proposta desta edição surge do diagnóstico de que a IA se tornou uma infraestrutura crítica comparável à eletricidade no século XX e à internet nos anos 2000”, explica Maria Isabel Oschery, gerente de Conteúdo e Inovação Empresariais da Casa Firjan.
Estudo aborda riscos e oportunidades para 2027 e 2028
Durante o festival, o Lab de Tendências da Firjan IEL lançará a 9ª edição do Estudo de Macrotendências. O documento reúne fatores de risco e oportunidades de negócio para 2027 e 2028, com o objetivo de apoiar o planejamento estratégico de empresas. A programação, estruturada pelo laboratório, está organizada em 4 eixos:
- Estudo de futuros: como a análise de tendências, a imaginação estratégica e a compreensão das relações entre diferentes fatores podem ajudar empresas e pessoas a identificar oportunidades.
- Entre o visível e o invisível: como a tecnologia será produzida e sustentada diante de recursos finitos e quem terá controle sobre ela.
- Inteligências compartilhadas: como criatividade e capacidade de produzir conteúdos, soluções e decisões relevantes podem gerar valor para além dos ganhos de eficiência.
- Humanidade híbrida: como a IA modifica as relações entre pessoas e máquinas, ampliando capacidades e alterando a autonomia, a identidade e a possibilidade de agir e decidir.
Instalação explora os custos materiais da inteligência artificial
No saguão principal da Casa Firjan, a instalação “2047 / Arquivo Terra Viva”, de Giselle Beiguelman e Felipe Sztutman, abordará a relação entre inteligência artificial, extração de recursos naturais e infraestrutura digital. A obra utiliza notícias em tempo real, processamento por IA, impressão em papel e projeções de imagens para discutir os custos materiais das tecnologias digitais.
O circuito funciona em 4 etapas:
- Entrada de notícias: a instalação recebe conteúdos públicos sobre mineração, terras raras, consumo de água e energia, centros de processamento de dados, lixo eletrônico e crise climática.
- Processamento por IA: um agente desenvolvido para o projeto reorganiza as notícias e produz fragmentos de texto e boletins conceituais.
- Impressão: os boletins são impressos continuamente por uma impressora matricial. O som do equipamento e o acúmulo de papel dão uma dimensão física ao processamento de dados.
- Projeção de imagens: os fragmentos alimentam um sistema de geração de imagens. As projeções exploram falhas e distorções visuais, sem ilustrar diretamente os textos.
Giselle Beiguelman é artista, curadora e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). Felipe Sztutman é artista e pesquisador, com atuação em tecnologias emergentes, IA generativa e novas mídias.
Oficinas, podcasts e exposição completam a programação
As palestras e os painéis serão realizados nos auditórios Aquário e Arena. As oficinas práticas ocuparão os laboratórios do Fab Lab e as salas da Casa Firjan. O público também poderá acompanhar gravações de podcasts ao vivo e conteúdos em formato curto.
O festival terá ainda uma experiência imersiva no hall de entrada e a inauguração da exposição de longa duração “Construir Futuros”, realizada pelo Serviço Social da Indústria (SESI-RJ). Com visitação ao público a partir de 23 de outubro, a exposição ocupará o Palacete Celina e Linneo de Paula Machado. Recursos imersivos, conteúdos acessíveis e experiências interativas convidarão os visitantes a refletir sobre seu papel na construção de futuros.



