Empresários mostram que é possível inserção na Indústria 4.0 com ajuda do SENAI

Durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, 40 empresários e executivos apresentaram experiências de como deram os passos essenciais para a atualização tecnológica de suas empresas
Apresentações no SENAI, que possui um programa com quatro passos voltado à atualização tecnológica especialmente de pequenas e médias indústrias

Durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, 40 empresários e executivos mostraram que é possível inserir-se na Indústria 4.0, o uso no processo produtivo de tecnologias digitais como inteligência artificial, internet das coisas e big data, entre outras. As apresentações foram feitas no estande do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que possui um programa com quatro passos voltado à atualização tecnológica especialmente de pequenas e médias indústrias. 

O pequeno empresário Vinicius Pereira, por exemplo, relatou como foi a experiência de digitalização do setor empacotamento da Pipolândia, empresa familiar de Ananindeua (PA), que produz pipoca, salgadinhos e outros produtos. A empresa já havia participado do programa Brasil Mais Produtivo, executado pelo SENAI, que utiliza técnicas de manufatura enxuta (lean manufacturing) para otimizar o processo produtivo. Em média, as participantes do programa obtiveram ganho de 52% em produtividade. 

Após essa primeira etapa, sensores foram instalados em máquinas e passaram a emitir dados acompanhados em tempo real por meio de smartphones ou tablets. Exibindo o celular à plateia, Pereira mostrou aos participantes do Summit a produção em sua fábrica naquele exato momento: “Agora eu sei que foram produzidos 4.700 pacotes de salgadinhos em uma máquina, ou seja, está na palma de minha mão. Isso para uma pequena empresa, é excelente”, apresentou. “Consigo verificar também os motivos de parada, você vai na raiz e elimina o problema. É ter uma gestão mais eficiente. Como gestor posso tomar atitudes de melhora para estar melhorando continuamente”, completa. 

Segundo ele, é possível a pequenas empresas inserir-se na quarta revolução industrial, pois o retorno do investimento de R$ 1 mil em sua empresa ocorreu em cerca de três meses. 
 

“Quando a gente fala de indústria 4.0, digitalização, os empresários de pequenas empresas imaginam custos elevadíssimos e não é bem assim. Com um sensor de R$ 50 e um coletor de R$ 300, é possível ter informações super importantes”, explicou.

Vinicius Pereira fala sobre experiência de digitalização na sua empresa Pipolândia, que produz pipoca e salgadinhos

PASSOS – O SENAI possui um guia para orientar pequenas e médias empresas a se inserir na indústria 4.0. O processo inclui a otimização de processos, por meio de técnicas de manufatura enxuta; a digitalização – o uso de sensores e análise de dados para compreender o funcionamento da fábrica; a inovação, que permite à empresa manter-se competitiva ou ampliar sua fatia no mercado e, principalmente, a qualificação de profissionais. Sem funcionários preparados para lidar com as novas tecnologias é impossível realizar a atualização tecnológica de forma eficaz. 

Durante o Summit, foram apresentados casos de sucesso nas quatro áreas. O empresário Alfredo Macias contou como a consultoria do SENAI mudou sua empresa, a Panaderia, localizada em Maceió. “Eu me casei com o SENAI. Não cometi crime de bigamia, minha esposa está em Maceió, mas o SENAI fez toda a diferença no meu negócio”, brincou ele. As técnicas de lean manufacturing foram aplicadas na linha de produção do rocambole, o que resultou em 205% de aumento de produtividade e redução de 90% de movimentação de funcionários. 

“Eu falo com muito entusiasmo, o lean também mudou a cultura da empresa, o pensamento dos funcionários, nos mostrou um norte para escalabilidade, para novos modelos de negócio, repensar o modelo de padarias”, elogiou Alfredo Macias.

O assessor técnico anti-corrosão da Petrobras, Andre Koebsch, também apresentou projeto realizado em parceria com o SENAI de robô de pintura segura de plataformas de 350 metros de comprimento e 45 metros de altura. As tintas utilizadas também possuem componentes que geram alto desperdício de tinta. “Foi um grande desafio a ideia, pois, no Brasil, você conta nos dedos da mão quem conhece esse tipo de pintura. Realmente foi um desafio entender tudo o que precisava ser feito”. Outros robôs estão sendo desenvolvidos em parceria do SENAI com a Petrobras para inspeção de navios em operação no mar e para áreas de acesso trabalhoso, como a popa do navio, área arredondada difícil de ser alcançada.

QUALIFICAÇÃO – No campo da qualificação, Fábio de Jesus, apresentou os ganhos pessoais e o reflexo na digitalização da empresa Goedert, de produtos e equipamentos de limpeza, após participar do curso de MBI em Indústria Avançada realizado no SENAI de Santa Catarina.

“O SENAI conseguiu me desmontar com a pós-graduação e me remontar de forma totalmente diferente em um ano e meio. Passei por todas as fases da indústria, até nanotecnologia, que eu achei que não ia usar, manufatura aditiva. O resultado na minha empresa foi muito importante, eu saí de um faturamento de R$ 650 mil para R$ 1,2 milhão, dobrei meu faturamento, melhorei minha produção por funcionário. Tudo isso graças à requalificação que eu tive no SENAI”, relatou. 

Além de pós-gradução, o SENAI oferta cursos de aperfeiçoamento em cada uma das tecnologias da Indústria 4.0, assim como firmou parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para oferecer a engenheiros uma pós-graduação sobre o tema. Além disso, está atualizando todos os seus cursos para inserir conhecimentos e competências que serão exigidos dos profissionais nesse campo. 

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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