Confira os destaques do 1º dia do Congresso de Inovação da Indústria

Pesquisa científica, geopolítica, inteligência artificial e transição ecológica foram os temas abordados por pesquisadores, grandes indústrias e deep techs, nesta quarta-feira (25)

Maestro João Carlos Martins e robô do SESI celebram a união entre arte e inovação no 11º Congresso de Inovação da Indústria

Por quanto tempo o Brasil continuará sendo grande demais para ser irrelevante, mas pouco ambicioso para ser protagonista? Em busca de respostas, que passam necessariamente por uma estratégia de Estado ancorada na inovação, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizam o Congresso de Inovação da Indústria.

A 11ª edição do evento, que reúne 2 mil lideranças empresariais e representantes do governo e de instituições de ciência e tecnologia, acontece nesta quarta (25) e quinta-feira (26), em São Paulo. No primeiro dia, os temas pesquisa científica, geopolítica, inteligência artificial e transição ecológica dominaram os debates. 

Cerimônia de abertura e painéis sobre ciência e geopolítica 

A cerimônia de abertura do Congresso encantou e provocou a plateia ao misturar arte e fomento público para inovação. Autoridades subiram ao palco logo após a apresentação da orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP e da cantora Roberta Miranda para falar dos desafios de construir consensos sobre prioridades, mobilizar recursos de forma sustentada, desenvolver capacidades institucionais e coordenar múltiplos atores em torno de objetivos compartilhados. O Sistema Indústria e o Sebrae também lançaram o movimento Juntos pela Indústria

Pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio mostrou a trajetória da pesquisa científica até se transformar em um novo medicamento. No caso da substância que ela estuda há mais de 20 anos, a polilaminina, um marco para desenvolvimento em produto foi a parceria e os investimentos da indústria farmacêutica Cristália.

“Mais que criar uma ponte, é necessário entender a demanda do setor produtivo. Empresas precisam ser ativas e buscar pesquisadores, porque tem muita gente boa querendo cooperar”, afirmou Tatiana. Segundo o diretor de operações, PD&I e novos negócios da Cristália, Rogério Almeida, o papel da indústria é transformar a descoberta da academia em solução, por meio de um produto, para a sociedade.

Confira o vídeo:

Ainda pela manhã, especialistas discutiram como o cenário global influencia a transição energética, climática e global. Vivemos um momento singular e de incertezas, com tensões geopolíticas, guerras, eventos climáticos extremos, envelhecimento populacional e persistentes desigualdades, que marcam o cotidiano das pessoas e organizações.

“Há 500 anos, somos um país extrativista e, até hoje, o capital natural é extremamente relevante. É incrível termos sol abundante, mas quem domina a tecnologia do solar para energia são os chineses. Existem gargalos tecnológicos que precisam ser superados para que a gente chegue diferente no futuro”, alertou Mônica Sodré, CEO da Meridiana. Segundo ela, o país precisa ser ambicioso e integrar as políticas industrial, externa e de atração de investimentos.

Inteligência artificial e pessoas 

E, se tem uma tecnologia que avança em velocidade e alcance recordes, é a Inteligência Artificial. Pela primeira vez no Brasil, a diretora de Pesquisa em IA Industrial da Siemens, Olympia Brikis, explicou o que é IA física e quais disrupções a empresa, líder global em tecnologia, está implementando. 

“Não é só adicionar a IA em um velho processo, é preciso redefinir todo o processo. Você não precisa parar no horário que seu trabalhador vai para casa, você tem conhecimento e operação disponível o tempo todo. A barreira é baixa e todo mundo pode usar. Mas, quanto às aplicações industriais movidas por IA, existe um certo nível de competência para instalar IA física na fábrica, ela precisa estar conectada com as máquinas”, recomendou Olympia. 

Segundo a diretora da Siemens, 7,9 milhões de vagas são projetadas para o setor de manufatura. São empregos de maior complexidade que os atuais que vão demandar profissionais qualificados. Para falar de desenvolvimento de pessoas, um painel sobre formação ágil, upskilling e reskilling reuniu Hitendra Patel, co-Fundador da Kyra Group e professor da Universidade de Toronto, e representantes da Positivo Tecnologia, da FGV e da Ânima Educação.  

As discussões trouxeram o indivíduo como protagonista do processo de desenvolvimento tecnológico. “Brasil pode decidir se vai investir em tecnologia junto com recursos humanos para não fazer mais adivinhações e apostas, mas acertar nas próximas decisões ousadas que fizer”, ponderou Patel.

O que os grandes têm feito 

Grandes players, como o Grupo Boticário, a Tupy, a Petrobras, a Viveo, a Bosch e a Granbio encerraram as discussões do primeiro dia no palco Roberto Simonsen falando sobre como as práticas de transição ecológica e digital estão se revelando diferenciais competitivos para o país.  

O fundador da GranBio, Bernardo Gradin, contou como a empresa surgiu em uma cafeteria na Unicamp há 15 anos a partir de uma discussão sobre como converter a biomassa barata e abundante do Brasil em produto exportável de baixo carbono, pensando em combustíveis.  

Já a Bosch puxou o debate para mobilidade flex. “Segurança energética é tema fundamental, diante de conflitos e tensões políticas. Nos EUA, maior produtor de petróleo do mundo, o híbrido tem papel cada vez mais importante. Já a China é dependente e maior importadora de petróleo do mundo e, por isso, investe, há mais de 20 anos, em eletrificação e baterias”, comparou Fernando de Oliveira Junior, gerente de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento da Bosch.

Confira a transmissão do palco Roberto Simonsen:

Palco Juntos pela Indústria  

Um dos oito maiores produtores de petróleo no mundo, o Brasil está no caminho de ser protagonista em mobilidade flex. Mas, para isso, precisa traçar rotas estratégicas de transição.  

No palco Juntos pela Indústria, os debates giraram em torno de empreendedorismo científico, biodiversidade, economia circular, biotecnologia e arte.

Confira a transmissão do palco Juntos pela Indústria:

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