A receita inovadora de China e Índia

Durante 8º Congresso Brasileiro de Inovação Industrial, especialistas internacionais mostraram como os dois países evoluíram no Índice Global de Inovação e o que o Brasil tem a aprender com esses gigantes
Carsten Fink, economista-chefe da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), explica sucesso chinês

Investimento persistente em inovação e comprometimento de líderes são parte da receita da China para evoluir no Índice Global de Inovação, um dos principais instrumentos de referência sobre a situação da inovação no mundo.  Os chineses melhoram sua posição progressivamente nos últimos cinco anos até atingir a posição 17º no ano passado. O Brasil também evoluiu no ranking nos últimos anos, mas, localizado na 64ª colocação, está distante das potências inovadoras.

Estratégias da China e da Índia para evoluir no Índice foram apresentadas, nesta segunda-feira, em São Paulo, pelo coeditor da publicação, Soumitra Dutta, ex-reitor e professor da SC Johnson College of Business da Universidade Cornel, nos Estados Unidos, e pelo economista-chefe da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI),  Carsten Fink. Eles participaram do 8º Congresso Brasileiro de Inovação Industrial, organizado a cada dois anos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A avaliação de Carsten Fink é que o sucesso da China deve-se, principalmente, a dois fatores. Um deles é o comprometimento de líderes políticos em investir em inovação parte da riqueza gerada durante os últimos anos. O país asiático chegou a crescer 10% ao ano e atualmente possui taxas anuais de 5% de aumento do Produto Interno Bruto (PIB).

A segunda razão é a continuidade de políticas voltadas à área, diz o especialista. “É impressionante como a China melhorou sua performance”, destacou o economista.

“Sucesso em inovação requer perserverança, um comprometimento de longo prazo de todas as partes interessadas, de aceitar eventuais falhas e assim mesmo continuar tentando”, avalia Carsten Fink

IDENTIFICAÇÃO – Soumitra Dutta apresentou o cenário na Índia, país que atingiu a posição 57ª no último Índice Global de Inovação. Em 2009, os indianos apostaram em um grande banco de dados de identificação de identidades, inspirados pelo modelo do GPS, o sistema de localização global. É o maior projeto de identificação biométrica do mundo, chamado Índia Stack. O número único permitiu inicialmente ao governo organizar o sistema de benefícios e subsídios.

Em seguida, o sistema estimulou a digitalização da economia indiana, especialmente a partir do sistema bancário, que viu facilidades para transferência de dinheiro. Os produtos para inclusão financeira, de saúde e de educação em grande escala afetaram decisivamente o ecossistema de inovação no país.

Soumitra Dutta apresentou o cenário na Índia, país que atingiu a posição 57ª no último Índice Global de Inovação

“A Índia não tem grandes empresas como Ali Baba, como Facebook, o que o sistema permitiu foi a digitalização de pequenas empresas. É um modelo diferente de digitalização, que não depende de grandes companhias digitais”, explicou Dutta.

O próximo Índice Global de Inovação será divulgado em 24 de julho. Publicado anualmente desde 2007, o IGI é atualmente um dos principais instrumentos de referência para dirigentes empresariais, formuladores de políticas e todos aqueles que busquem conhecimento sobre a situação da inovação no mundo. Formuladores de políticas, líderes empresariais e outras partes interessadas usam o IGI para avaliarem o progresso permanentemente.

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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