2º dia de Congresso de Inovação levanta debate sobre deep techs, saúde, IA e energia

Além dos painéis temáticos, evento teve lançamento de programa para impulsionar startups, assinatura de protocolo de eventos climáticos e reuniões do FNI e Copin

Grandes empresários e pequenos empreendedores falaram de suas soluções com DNA 100% brasileiro baseadas em IA

Entre visões mais otimistas e outras mais críticas, o segundo dia do Congresso de Inovação da Indústria provocou debates enriquecedores sobre temas estratégicos para o país. Os dois palcos reuniram pesquisadores, empresários e especialistas para falar de segurança digital, inteligência artificial, saúde, transição energética e recursos para inovação. 

O evento, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae, aconteceu no WTC em São Paulo nesta quarta (25) e quinta-feira (26). Confira os destaques do primeiro dia

Sem respostas definitivas, os participantes deixaram claro que, quando se trata de inovação, a maior dificuldade não é a ideia, mas sim a execução. No palco dedicado a deep techs, startups de base científica, a conclusão é que a pesquisa acadêmica pode sim virar negócio - de milhões! - se atender uma demanda de mercado. 

Mas, afinal, o que o Brasil já tem de inovador?

Logo cedo, enquanto o norte-americano George Young, VP de Segurança de Operações Digitais da Rockwell Automation, encerrava seu painel sobre os riscos com a digitalização de processos, empreendedores começavam, no outro palco, a contar suas soluções com DNA 100% brasileiro baseadas em IA. 

Especializada em biotecnologia, a BioLinker é uma deep tech que descobre, desenvolve e produz proteínas para diferentes aplicações industriais. Como a CEO da empresa, Mona Oliveira, explicou, o diferencial está no uso da IA, já que eles utilizam a tecnologia para produzir de maneira personalizada, com alta agilidade e escalabilidade. 

“Hoje os dados públicos têm só 0,2% de todas as proteínas, seja de animais, fungos, bactérias, tudo que é vivo, além de proteínas sintéticas. Essa é uma área em crescimento, não só para saúde, mas alimentos, cosméticos, agronegócio. O Brasil tem a maior biblioteca genética do mundo e não temos isso sequenciado”, alertou Mona Oliveira. 

Brasil avança em energia e alimentos

Outra área que também caminha, a passos largos, é a de energia. Das startups paranaense Protium Dynamics e da potiguar Doelab às grandes empresas, como Casa dos Ventos, Aneel e Tupy, já são muitas as soluções inovadoras.

Protium Dynamics desenvolve eletrolisadores, células de combustível, entre outros produtos, para reduzir o consumo de diesel nos setores rodoviário, ferroviário, industrial e naval. “Precisamos de conexão efetiva. Às vezes tem uma empresa buscando uma solução em outros países, quando tem essa solução a 300 km em uma universidade ou startup. Isso aconteceu com a gente diversas vezes no estado”, relatou Igor Zanella, CEO da Protium. 

Foi para unir indústria e startups que o Sebrae e a CNI lançaram, neste segundo dia de Congresso de Inovação, o programa Deep Tech Indústria. O projeto piloto será implementado nos próximos dois anos com 40 deep techs.  

A CNI e o Sebrae querem ver mais startups de sucesso, como a Cellva, que desenvolve gordura animal cultivada a partir de células, sem necessidade de abate. A empresa coleta células de suínos e as cultiva em biorreatores para produzir gordura com foco na indústria de alimentos. Ao lado da CEO e fundadora da Cellva, Paula Speranza, representantes da Proverde e da InnovaReg falaram da revolução tecnológica na indústria de alimentos.  

A agroindústria, já consolidada no Brasil, também teve espaço no painel Simbiose Indústria-Agricultura: o potencial brasileiro para alta tecnologia. Participaram as startups Symbiotech, de produção de fertilizantes ecológicos, e a InEdita Bio, que faz edição genômica de plantas. 

O impacto das mudanças climáticas na saúde

Um dos pontos altos do Congresso foi a participação da pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, que destaco que a Covid-19 expôs fragilidades, como a capacidade de resposta rápida e a produção de insumos estratégicos, reforçando o papel da indústria em momentos de crise sanitária. 

“Nós saímos da experiência da Covid-19 com mais cicatrizes do que pele. Isso deixou claro que o Brasil precisa estar mais preparado para futuras pandemias, com uma estrutura de Estado e não de governo, e com a indústria atuando de forma integrada, garantindo produção, inovação e resposta rápida em momentos críticos”, relembrou Dalcomo.   

A especialista também enfatizou o conceito de saúde única, que integra saúde humana, animal e ambiental, e alertou para os impactos diretos das mudanças climáticas sobre o aumento de doenças, especialmente respiratórias. Eventos extremos como secas, queimadas e enchentes já afetam diretamente a saúde da população, com maior impacto sobre grupos vulneráveis, como idosos.  

Nesse sentido, o SESI, o Ministério da Saúde e a Sanofi assinaram protocolo para combater secas e queimadas. O programa prevê níveis de prontidão e atuação entre indústria, SUS, Defesa Civil e bombeiros em emergências. 

Dalcolmo ressaltou ainda que o Brasil investe pouco em saúde e precisa avançar em políticas públicas, colaboração entre setores e inovação. Nesse contexto, o complexo industrial da saúde — incluindo tecnologias, equipamentos e soluções digitais — é estratégico para fortalecer o SUS e ampliar a capacidade de prevenção e resposta a emergências. 

Financiamento e reuniões do FNI e Copin

E, como não dá para falar de inovação sem falar de incentivo financeiro, três painéis abordaram o tema de recursos para as empresas. No palco Roberto Simonsen, BNDES, Finep e Embrapii discutiram as linhas de fomento reembolsáveis e não reembolsáveis para transição ecológica e digital. Enquanto no palco Juntos pela Indústria, Natura, Klabin e Wylinka debateram sobre como pessoas físicas investem em deep techs. Pouco depois, Ahead Ventures, Vésper Biotechnologies e N7 Ventures abordaram as trilhas para escalar startups, como investidores anjo e ventures. 

O Congresso de Inovação também teve reuniões importantes para a indústria. No Fórum Nacional da Indústria (FNI), CNI, associações e sindicatos discutiram os desafios do comércio exterior, escala 6x1 e reforma tributária. Já o Conselho de Política Industrial (Copin) analisou o balanço de dois anos da Nova Indústria Brasil. 

Assista a transmissão do palco de deep techs:

O Congresso de Inovação da Indústria

Realizado bianualmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Congresso de Inovação da Indústria tem correalização do Serviço Social da Indústria (SESI)Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL)

Esta edição conta com o apoio estratégico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoio institucional do INPI e do OCB. Além de patrocínio da EmbrapiiFinepBNDESEmbraerPetrobrasItaúGrupo BoticárioBoschRockwell, Siemens e Vale, na cota prata.   

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