Mineração de terras raras para competir globalmente é tema de reunião do Conselho de Mineração da CNI

Essenciais na fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e equipamentos eletrônicos, os Elementos Terras Raras (ETRs) são um conjunto de 17 elementos químicos que, apesar de abundantes, são encontrados em baixas concentrações e demandam um complexo processo de extração e separação

31ª reunião do Conselho Temático de Mineração debateu terras raras | Foto: Michelle Fioravanti

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou hoje a 31ª reunião do Conselho Temático de Mineração (COMIN), em formato presencial e virtual. A pauta incluiu licenciamento ambiental, legislação mineral, segurança no setor e iniciativas setoriais. 

Um dos destaques foi a discussão sobre a corrida global por terras raras, elementos essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética. A apresentação, conduzida pelo conselheiro Luiz Antônio Vessani, presidente da empresa de desenvolvimento em mineração Edem, ressaltou a predominância da China nesse mercado: o país controla cerca de 60% da produção mineral de terras raras, 87% do processamento, 91% da produção de metal, 94% da fabricação de ímãs e 99% da capacidade de reciclagem.

"O protagonismo é resultado de um trabalho planejado ao longo de décadas, em que o país utilizou energias alternativas para estruturar toda a cadeia produtiva, com impactos diretos também na agenda climática", avaliou Vessani. 

Brasil tem grandes reservas mas precisa desenvolver a cadeia 

O Brasil, por sua vez, tem um enorme potencial mineral ainda em desenvolvimento. No entanto, para se inserir de forma competitiva nesse mercado, é necessário ir além da extração: o país precisa avançar em etapas de separação, processamento e transformação, construindo uma cadeia produtiva completa que traga valor agregado, empregos e inovação.  

Isso exige investimentos em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento industrial, mas também medidas urgentes para reduzir a burocracia e dar mais celeridade ao licenciamento ambiental que é atualmente um dos grandes entraves ao setor. 

Outro desafio apontado é a insegurança jurídica que hoje aumenta custos e afasta investidores estratégicos, comprometendo a competitividade nacional. Para a CNI, garantir previsibilidade regulatória é essencial para atrair capital de longo prazo e viabilizar a mineração de terras raras como vetor de desenvolvimento econômico.  

"O momento é propício para transformar o potencial geológico brasileiro em políticas reais, que permitam não apenas exportar minério, mas também desenvolver indústria de ponta e ampliar a participação do Brasil na economia verde", afirma o presidente do Conselho, Sandro Mabel.

Veja as fotos da reunião do Conselho Temático de Mineração:

30/09/25 - 31ª Reunião do Conselho Temático de Mineração (COMIN)

Relacionadas

Leia mais

Conselho de Infraestrutura da CNI debate integração logística do Arco Leste
Brasil precisa de plano de Estado para a infraestrutura, avalia Roberto Muniz
Tecon 10 e mais investimentos em saneamento são prioridades para a infraestrutura

Comentários