Mais do que competir: experiência na robótica redefine jornada profissional dos competidores

Ex-competidores da equipe RoboEcus relatam como os desafios na arena da FLL moldaram suas escolhas acadêmicas na engenharia e superaram barreiras

O que define o sucesso de uma carreira? Se antigamente a resposta estava limitada aos diplomas acadêmicos, hoje as perspectivas se expandiram para a capacidade de resolver problemas complexos e adaptar-se a tecnologias disruptivas. Para muitos jovens, essa virada de chave não acontece em uma mesa de escritório, mas no tapete de uma competição de robótica.  

Mais do que uma atividade extracurricular, o universo das máquinas programáveis tem se mostrado um laboratório de talentos, oferecendo novas perspectivas profissionais que unem o domínio técnico à inteligência emocional. É nesse cenário que o "aprender fazendo" deixa de ser um conceito para se tornar a base de trajetórias brilhantes. 

Recentemente, essa conexão entre o passado e o futuro ficou clara durante o Festival SESI de Educação, realizado em março. Em um momento de pura nostalgia e técnica, o Round da Saudade (partida especial para ex-competidores) reuniu gerações da equipe RoboEcus, de uma escola de São Paulo, provando que o impacto da robótica na carreira é permanente. 

Para muitos "robotiquers", o contato com os blocos de montar e a programação lógica define a escolha universitária muito antes do vestibular. É o caso de Lucas Câmara, de 20 anos. Veterano da RoboEcus, ele ingressou no universo FLL aos 11 anos e, hoje, colhe os frutos dessa imersão precoce.  

“A robótica mudou completamente a minha vida. Atualmente eu faço engenharia de robôs no Centro Universitário FEI e pretendo seguir carreira nessa área”, afirma Lucas. 

A trajetória dele exemplifica como o torneio deixa de ser um hobby para se tornar o alicerce de uma carreira técnica. A transição do ambiente de competição para a academia ocorre de forma fluida, pois os desafios enfrentados na mesa de missões são simulações reais de problemas de engenharia. 

Nem só de engrenagens se faz um profissional. O mercado de trabalho moderno exige as chamadas soft skills, habilidades comportamentais como oratória, resiliência e trabalho em equipe. Haig Arthur, membro da equipe desde 2023, destaca que a robótica foi a chave para sua evolução pessoal: 

“Faz muitos anos que a robótica vem mudando muita coisa para mim. Apresentar, falar em público... eu era um cara muito tímido e sem confiança. Agora mudou muita coisa para mim mesmo”, revela. 

 Essa transformação é vital já que em um torneio da FIRST®, o aluno precisa defender seu projeto de inovação diante de juízes especialistas, uma experiência que antecipa em anos o nível de pressão e exposição de uma reunião executiva ou apresentação de projeto corporativo. 

Talvez o maior indicador do sucesso desses torneios seja o desejo dos profissionais em retornar para "passar o bastão". Victor Lopes, atual técnico da RoboEcus, é a prova viva da longevidade desse ecossistema. Sua história começou em 2007, numa época em que a robótica educacional no Brasil ainda dava seus primeiros passos. 

Engenheiro mecatrônico por influência das competições, Victor viveu na Grécia a experiência única de competir lado a lado com seus estudantes no Desafio das Alianças. 

“Saber que hoje o Lucas faz engenharia de robô por causa da robótica, que eu fiz engenharia mecatrônica por causa da robótica, significa que a gente fez um ótimo papel. A robótica muda vidas”, celebra Victor. 

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