O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Lar Cooperativa Agroindustrial deram um novo passo na aproximação entre educação e indústria com o lançamento das primeiras turmas do programa UniSenai Dual, realizado ontem (18), em Cascavel (PR). A iniciativa marca o início de uma experiência de ensino superior que coloca teoria e prática lado a lado e busca preparar profissionais para atuar de forma mais estratégica diante dos desafios do setor produtivo.
As primeiras turmas reúnem 40 estudantes, sendo 20 de Cascavel e 20 de Rolândia. O lançamento contou ainda com transmissão simultânea, para ampliar o alcance da iniciativa e permitir que diferentes públicos acompanhassem o início do projeto.
Fruto de uma iniciativa do SENAI, desenvolvida em cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria de Trier (IHK Trier), da Alemanha, o UniSenai Dual chega ao Paraná inspirado na experiência alemã de formação dual, mas com uma proposta adaptada às características e às necessidades da indústria brasileira. A implantação do modelo é resultado de uma construção conjunta que reúne Confederação Nacional da Indústria (CNI), SENAI, UniSenai PR, Lar Cooperativa Agroindustrial, SESCOOP/PR e EIC Trier, além de professores, gestores, equipes técnicas e demais profissionais envolvidos no desenvolvimento da iniciativa.
Formação conectada ao chão de fábrica
Na prática, o diferencial do modelo está justamente na possibilidade de transformar o ambiente industrial em espaço de aprendizagem. Para o professor Luciano Barbosa, a integração entre os dois universos permite que o estudante aplique rapidamente aquilo que aprende em sala.
“O principal diferencial pedagógico do modelo dual é a oportunidade que o aluno terá de aprender a teoria e, imediatamente, aplicá-la dentro do polo fabril. A teoria se transforma em prática de forma muito rápida, o que gera um conhecimento mais consistente, baseado em experiências reais”, explica.
Segundo o professor, a proposta também amplia a capacidade dos estudantes de compreender os desafios da indústria e desenvolver soluções aplicáveis. Os alunos serão formados em Gestão da Produção Industrial, com preparação para atuar como gestores e líderes, conectando estratégia, operação e equipes.
“A principal proposta do modelo dual é oferecer ao aluno a oportunidade de desenvolver, desde a formação, essa visão integrada entre gestão, estratégia e operação”, destaca Barbosa, que também projeta trabalhos finais mais próximos das necessidades reais das empresas, justamente pela presença contínua dos estudantes no ambiente industrial.
Essa conexão com a realidade profissional também aparece na percepção dos próprios estudantes. Damaris Alves Caceres, que está há quatro anos na Lar e começou sua trajetória na cooperativa como auxiliar de produção, vê a primeira turma como uma oportunidade de transformar a experiência acumulada na empresa em conhecimento acadêmico.
“Fazer parte da primeira turma é uma oportunidade de levar toda essa experiência que adquiri dentro da empresa para a graduação e continuar construindo minha trajetória profissional. Com esse modelo, conseguimos estudar e aplicar o conhecimento dentro da própria empresa, unindo teoria e prática”, afirma. Para ela, por ser sua primeira graduação, a experiência representa ainda um importante passo para a formação e o futuro profissional.
Parceria para formar profissionais preparados para o futuro
A implantação do UniSenai Dual também representa um investimento estratégico da Lar Cooperativa na formação de profissionais preparados para acompanhar o crescimento da organização e os desafios da indústria. Para o diretor-presidente da cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, a parceria com o SENAI cria uma oportunidade importante para ampliar a qualificação dos colaboradores e, consequentemente, fortalecer a competitividade da empresa.
“Poder estar agora participando dessa iniciativa e proporcionar ao Lar Cooperativa, em parceria com o SENAI, a oportunidade de graduar 40 gestores nessa área certamente vai nos ajudar muito a tornar a nossa atividade mais competitiva”, destaca.
A gerente de RH da Lar, Fabiane Poleto Bersch, ressalta que a iniciativa também nasceu do contato com experiências internacionais. A visita à Alemanha, segundo ela, permitiu conhecer de perto o modelo e identificar possibilidades de adaptação à realidade brasileira. “Nós temos um pilar muito importante dentro da cooperativa, que é a educação. Quando estivemos na Alemanha, enxerguei essa experiência como uma oportunidade de chegarmos aqui e sermos pioneiros, inclusive na implementação desse modelo pela parceria entre o UniSenai e o Lar no Brasil”, afirma.
Para Fabiane, a formação acadêmica está diretamente relacionada à estratégia de preparar profissionais para acompanhar o crescimento da cooperativa. A perspectiva de crescimento também é compartilhada pela estudante Daniela Andrade Monteiro, que está há cinco anos na cooperativa. Para ela, a oportunidade de cursar a primeira graduação ofertada pela empresa representa uma preparação para acompanhar a expansão da organização.
“Além de estudar em sala de aula, poder aplicar esse conhecimento no nosso dia a dia, dentro da empresa, vai nos ajudar bastante. A empresa está crescendo cada vez mais e, junto com ela, nós, colaboradores, também estamos crescendo. Com essa graduação, estou me preparando para o futuro e para acompanhar o crescimento da empresa”, afirma.
Experiência alemã como referência, com adaptação ao Brasil
A experiência internacional também foi destacada por Matthias Fuchs, da EIC Trier, que não participou presencialmente do lançamento, mas contribuiu com uma avaliação sobre os aprendizados do modelo alemão e os cuidados necessários para sua implementação no Brasil.
Para Fuchs, um dos pontos centrais está na cooperação estruturada entre instituições de ensino e empresas, com responsabilidades compartilhadas no desenvolvimento dos estudantes. Ele também destaca a importância de uma formação prática consistente, com participação ativa das empresas na definição dos objetivos de aprendizagem, orientação dos alunos e alinhamento entre a experiência prática e o currículo acadêmico.
“Na minha perspectiva, a integração próxima entre teoria e prática, a forte cooperação entre universidades e empresas, além de estruturas claras e mecanismos de garantia da qualidade, são elementos essenciais do modelo alemão de formação dual”, afirma.
Ao olhar para as novas turmas brasileiras, Fuchs reforça que a adaptação ao contexto local é fundamental. “Para as novas turmas no Brasil, acredito que seja particularmente importante adaptar esses elementos já comprovados ao contexto local, mantendo um forte foco na prática”, destaca. Para ele, a abordagem pode contribuir não apenas para o desenvolvimento de competências profissionais, mas também para fortalecer a cooperação de longo prazo entre instituições de ensino e empresas.
Para os 40 estudantes que iniciam a trajetória, a expectativa é transformar desafios reais em oportunidades de aprendizagem. Para as empresas, a aposta é contar com profissionais cada vez mais preparados para compreender problemas, desenvolver soluções e contribuir para a competitividade. E, para o UniSenai PR e parceiros, o início das turmas representa o primeiro capítulo de um modelo que pretende aproximar, de maneira cada vez mais efetiva, educação, trabalho, inovação e indústria.




