SENAI capacita instrutores para qualificar trabalhadores no Haiti

Pareceria com INFP resultará na capacitação de 12 gestores de escolas técnicas e de 30 instrutores qualificados em cinco áreas tecnológicas para qualificar e ampliar a empregabilidade da população da ilha caribenha

A ação terá duração de 2 anos, iniciada em setembro de 2020 e que se encerra em setembro de 2022

A baixa qualificação de mão de obra é um dos muitos desafios enfrentados pelo Haiti no processo de reconstrução de sua economia, abalada por desastres naturais e crises políticas nos últimos anos. A superação desse gargalo, porém, conta com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industria (SENAI), em parceria com o Instituto Nacional de Formação Profissional (INFP), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e s Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que desenvolveram, ao longo dos últimos dois anos, um projeto para apoiar a formação técnica e profissional no país caribenho.


“Esse projeto tem como grande objetivo apoiar o governo haitiano a reconstruir o país, contribuindo para a empregabilidade da população, sobretudo a dos jovens. A ampliação da oferta de mão de obra qualificada é essencial para a expansão do setor privado, a geração de renda e, consequentemente, a redução da pobreza”, afirma o superintendente de Negócios Internacionais do SENAI.


A ação terá duração de 2 anos, iniciada em setembro de 2020 e que se encerra em setembro de 2022. No Modelo SENAI de Gestão Escolar e Rotinas Administrativas, foram qualificados 12 gestores e pessoal administrativo do INFP, na modalidade EAD em 2020 e 2021 e na modalidade presencial, no Brasil, em fevereiro de 2022, no idioma francês. Esses profissionais são Diretores, Coordenadores Pedagógico e Secretários Escolares dos Centros de Formação Profissional, localizados em Les Cayes, Fort Liberté e Saint Marc, onde atuarão, junto com os novos instrutores, na formação dos futuros profissionais.

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Em outra frente, na Metodologia SENAI de Educação Profissional, foram qualificados 30 instrutores do INFP, na modalidade EAD em 2020 e 2021, especificamente nas 5 áreas, escolhidas em alinhamento com o INFP, em razão da maior demanda por cursos, dado o cenário atual do Haiti, e pela maior possibilidade dos alunos virem a empreender o próprio negócio: metalmecânica, construção civil, tecnologia da informação, refrigeração e climatização e mecânica automotiva, que foi adaptada e customizada no idioma francês, idioma oficial do Haiti. Esse grupo, agora, passará dois meses no Brasil em 2022, para capacitação presencial. Com a missão de formar os futuros alunos, eles contarão com a plataforma online do SENAI, que ficará disponível pelos próximos cinco anos.

No Modelo SENAI de Gestão Escolar e Rotinas Administrativas, foram qualificados 12 gestores e pessoal administrativo do INFP

A capacitação é apenas o começo do desenvolvimento profissional

A economia haitiana passa por grandes desafios, desde 2010, quando um grande terremoto devastou a capital Port-au-Prince e região. Foram mais de 80 mil habitantes que perderam suas casas e há 25 mil famílias na capital que ainda vivem em condições precárias. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o produto interno bruto (PIB) do Haiti, em 2019, caiu 1,7%, em decorrência dos níveis de violência e piquetes viários, o que resultou em semanas de paralisia econômica no país. Enquanto em 2020, com a pandemia de Covid-19, o PIB sofreu uma queda maior de 3,7%, além da depreciação da moeda em quase 30%. 

A economia, atualmente, está concentrada em 85% das riquezas do país monopolizadas nas mãos de uma minoria de 5% da população, além do desequilíbrio econômico no que se refere à exportação e importação, em que a minoria de insumos é importada.

Por conta da alta desigualdade, a indústria haitiana foi destruída em favor de um modelo industrial voltado paro o exterior, dependente do capital estrangeiro. Há também outros fatores como a falta de capital destinado a financiar a industrialização do país e a ausência de política de industrialização do estado. 

Esse grupo, agora, passará dois meses no Brasil em 2022, para capacitação presencial

A educação é uma ponte promissora para o crescimento industrial do Haiti

A educação profissional no Haiti não apresenta um padrão de qualidade e, por isso, é preciso uma ação focada na adequação entre a oferta formativa e as necessidades de mão de obra qualificada das empresas. É necessário, também, a promoção da qualidade da formação oferecida nos Centros de Formação profissional e estabelecimento de mecanismo de financiamento para ajudar as pequenas e médias empresas.

A capitação do SENAI foi apenas o começo das ações. O projeto também apostou em:

  • Planos de cursos e recursos didáticos nas 5 áreas tecnológicas;
  • Critérios de seleção de alunos customizados, visando o início da oferta de cursos de formação profissional; e
  • Condição técnica adequada para a realização de avaliações periódicas das máquinas, instrumentos e equipamentos adquiridos e entregues no Centro de Formação Profissional.

Como o país conta com uma população jovem, além da abundância de recursos naturais, 3 mil quilômetros de costa e forte potencial turístico, a economia pode, ao longo dos anos, com o foco na educação, melhorar as condições precárias, criar um espírito empreender no país e ofertar melhores oportunidades de desenvolvimento.

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