Quem ensina robótica? Conheça a trajetória dos professores do SESI

No Dia dos Professores, educadores contam como suas formações se conectam à tecnologia e ampliam as possibilidades de aprendizagem

O que Biologia, Artes, Ciências Sociais e Física têm em comum com a robótica? Para quatro professores do Serviço Social da Indústria (SESI), a resposta está na possibilidade de transformar conhecimentos em experiências e em ajudar estudantes a descobrir novos caminhos.

Na Bahia, Luís Henrique de Souza Cardoso aproximou a Biologia da formação técnica em Eletromecânica, enquanto Jarbas de Carvalho Azevedo levou sua experiência em Artes e Design Gráfico para o ensino de robótica.

Já no Distrito Federal, Manuel Jesus Guerra Sepulveda Neto conectou as Ciências Sociais as competições e às equipes da região. No Rio Grande do Norte, Josinaldo Araújo trocou as aulas tradicionais de Física por um desafio na Educação Tecnológica há cerca de 15 anos.

Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, eles compartilham como a mudança de área, a formação contínua e a aprendizagem na prática transformaram as trajetórias e a maneira como enxergam o papel de educar.

De Biologia à robótica educacional

Licenciado em Ciências Biológicas, técnico em Eletromecânica e especialista em Docência do Ensino Superior, Luís Henrique começou a trabalhar com robótica educacional no SESI Bahia em 2016. Até então, a experiência era na área de Ciências e Biologia.

A transição exigiu dedicação. O professor buscou formação em programação, eletrônica, mecânica e montagem de protótipos para integrar novos conhecimentos à prática pedagógica. Hoje, na sala de aula, ele procura estimular a investigação científica e a criatividade, com atividades que desafiam os estudantes a planejar, construir, testar e aperfeiçoar soluções.

Nesse processo, Luís Henrique também aprendeu a encarar os erros de outra maneira, reconhecendo que também fazem parte da descoberta. “Um dos maiores desafios é transformar a tecnologia em aprendizagem significativa, respeitando os diferentes ritmos dos alunos. Precisei aprender a lidar com erros e imprevistos, entendendo que testar, errar e recomeçar também fazem parte do processo de aprendizagem e isso tudo em uma aula”, afirma.

A experiência ultrapassou os limites da sala de aula. Entre as iniciativas marcantes está o BoxLife, projeto desenvolvido com foco no transporte de córneas, aprovado por um conselho médico. Para o professor, experiências como essa mostram como a robótica pode aproximar o conhecimento científico de necessidades reais da sociedade.

Das Artes à STEM Racing

A trajetória de Jarbas de Carvalho Azevedo, de 50 anos, também mostra como diferentes áreas podem se complementar na educação tecnológica. Licenciado em Desenho e Plástica e com experiência em Design Gráfico, ele foi convidado, em 2021, a integrar a equipe responsável pela estreia da Escola SESI Djalma Pessoa, na Bahia, na competição STEM Racing.

A formação contribuiu para orientar os estudantes na criação, no marketing e na comunicação da escuderia. Com o avanço do projeto, Jarbas ampliou os próprios conhecimentos em engenharia, modelagem 3D e manufatura.

Nas atividades do contraturno escolar, os jovens assumem responsabilidades e participam de diferentes etapas do desenvolvimento dos projetos. O trabalho exige conciliar as demandas da competição com o calendário escolar, além de manter o engajamento da equipe.

Ao acompanhar os estudantes, o professor percebeu que o erro pode ser um ponto de partida para novas descobertas, em vez de representar apenas uma falha a ser corrigida.

“Para mim, ser professor de robótica é ser um designer de futuros”, resume Jarbas, que vê no trabalho a oportunidade de ajudar os jovens a descobrir interesses, desenvolver habilidades e enxergar possibilidades profissionais que talvez ainda não conhecessem.

Da Física à Educação Tecnológica

Há cerca de 15 anos, Josinaldo Araújo, então professor de Física no SESI, recebeu o convite para assumir o trabalho com Educação Tecnológica. A proposta ainda estava começando, e ele precisou buscar conhecimentos em robótica e explorar novas ferramentas para conectar os conceitos científicos às atividades práticas.

“Foi um desafio, pois minha formação era em Física e eu ainda não tinha experiência específica com robótica. Mas aceitei a missão e comecei a buscar conhecimentos, explorar novas tecnologias e descobrir maneiras de integrar a ciência às atividades práticas”, relembra.

Atualmente, como professor de Ciências da Natureza e Educação Tecnológica no SESI Escola de Referência de São Gonçalo do Amarante (RN), Josinaldo trabalha com pensamento computacional, programação, letramento digital, eletrônica, circuitos elétricos, modelagem e impressão 3D, além de atividades maker.

As aulas estimulam os estudantes a experimentar, criar e trabalhar em equipe. Nesse percurso, o professor também aprendeu a valorizar as tentativas e os erros como parte da construção do conhecimento, entendendo que ensinar tecnologia não é apenas apresentar ferramentas, mas preparar os jovens para compreender e criar soluções.

Quando as Ciências Sociais encontram a robótica

Licenciado em Ciências Sociais e mestre em Sociologia, Manuel Jesus Guerra Sepulveda Neto, de 32 anos, é professor de Ciências Humanas no SESI do Gama (DF) e atua há três anos como técnico de uma equipe da FIRST® LEGO® League Challenge (FLLC).

A aproximação com a robótica começou no primeiro ano de trabalho na instituição, quando propôs projetos interdisciplinares que articulavam iniciação científica e diferentes áreas do conhecimento. O interesse da equipe pedagógica abriu caminho para que participasse da preparação de equipes de robótica para as competições.

Sem domínio inicial de programação e montagem de robôs, Manuel buscou formação específica e trocou experiências com outros técnicos da rede SESI. Hoje, ajuda os estudantes a organizar tarefas, desenvolver projetos e aprimorar habilidades técnicas e socioemocionais.

Para ele, um dos desafios é mediar conflitos e estimular a colaboração entre os integrantes da equipe. Outro é incentivar os jovens a investigar possibilidades sem esperar que o professor apresente respostas prontas.

Na opinião de Manuel, o educador precisa orientar o processo e criar condições para que os estudantes encontrem seus próprios caminhos. “Meu trabalho não é dizer como eles devem fazer, mas ensiná-los o que precisam se perguntar para chegar aonde querem chegar”, explica.

Em 2026, uma das experiências mais marcantes foi levar a equipe a outras escolas para apresentar projetos e conduzir oficinas. Ao ver os estudantes explicarem o que desenvolveram com autonomia e segurança, Manuel reconheceu o potencial da aprendizagem construída na prática: os jovens deixam de apenas receber conhecimento e passam também a compartilhá-lo.

Educar é abrir caminhos

As experiências de Luís Henrique, Jarbas, Manuel e Josinaldo revelam diferentes maneiras de exercer a docência, mas compartilham uma mesma compreensão: ensinar também é estar disposto a aprender. Neste Dia dos Professores, eles destacam a importância de acolher os desafios, incentivar a curiosidade e respeitar o tempo de cada estudante.

Mais do que ensinar conteúdos ou tecnologias, os educadores contribuem para que os jovens desenvolvam autonomia, reconheçam suas capacidades e encontrem novas possibilidades para o futuro. Afinal, quando a educação estimula perguntas, permite experimentar e transforma erros em oportunidades, o aprendizado vai muito além da sala de aula.

🥳 Feliz Dia dos Professores para todos os profissionais do ramo! 🥳

A robótica educacional do SESI  

De maneira pioneira no Brasil, o SESI começou a implementar o programa de robótica internamente nas escolas em 2006. Seis anos depois, a instituição passou a realizar as competições da organização internacional FIRST no Brasil. Desde então, já passaram pelos torneios mais de 45 mil estudantes, de escolas da rede e de instituições de ensino públicas e privadas.   

Já são 15 anos operando a modalidade FIRST® LEGO® League Challenge (FLLC); e, em 2019, o SESI começou com a FIRST® Tech Challenge (FTC). Há três anos foi a estreia da FRC.  

Nesse período, os estudantes brasileiros conquistaram mais de 190 prêmios internacionais, somente na FLLC, incluindo os torneios abertos e os mundiais. 

Relacionadas

Leia mais

Alunos do SESI e SENAI Paraíba conquistam premiações na Olimpíada Brasileira de Robótica
De dados à robótica: conheça 4 áreas de especialização com alta demanda na indústria
Do museu para a escola: SESI Lab forma educadores para multiplicar experiências

Comentários