Se engana quem pensa que visitar o SESI Lab se limita a conhecer as exposições e interagir com os aparatos do museu. A experiência pode se estender para uma formação, um café para conhecer colegas e até em cursos semanais sobre criatividade. Essas são algumas das atividades que o museu de arte, ciência e tecnologia de Brasília promove para profissionais da educação que frequentam o espaço com seus alunos, fortalecendo vínculos com quem cuida do futuro do país.
“O SESI Lab nasceu há quatro anos já com esse olhar especial aos profissionais da educação”, afirma a superintendente de Cultura do SESI, Claudia Ramalho. “Ao proporcionar as ferramentas e a oportunidade de colocar ideias em prática, buscamos fortalecer os educadores como multiplicadores de novas práticas, ampliando a relação com o museu e as possibilidades de aprendizagem em suas escolas e comunidades”, completa.
É como pensa também a professora da licenciatura em dança do Instituto Federal de Brasília, Mariana Mota. Ela participou do curso “Museus e Educação: Criatividade Maker” promovido pelo Programa Educativo do SESI Lab, que, ao longo de seis semanas, subsidiou profissionais da educação no desenvolvimento de atividades pedagógicas que conectem o currículo escolar com os museus de ciências.
“Acho que o curso me abriu muitas possibilidades dentro de sala de aula”, explica Mariana. “Quero mudar um pouco o ensino tradicional, tentando trazer novas propostas para instigar o aprendizado pelo fazer: não somente criar um projeto, um trabalho em si, mas eles aprenderem durante o processo”, detalha.
Mais de 3.000 profissionais da educação já participaram de atividades no SESI Lab desde a inauguração do museu, em 2022. A ideia é multiplicar conhecimento e empoderar professores a levar para a sala de aula – e para o próprio museu – o que foi apresentado nos cursos de formação. Mais de 180 mil estudantes visitaram o SESI Lab em quatro anos.
“O museu de ciências, como o SESI Lab, está muito conectado com os grandes desafios da contemporaneidade”, explica Maria Antônia Goulart, diretora de Acessibilidade e Inclusão do SESC SENAC do Rio de Janeiro e uma das professoras convidadas do curso “Museus e Educação: Criatividade Maker”. “Poder trazer educadores aqui para pensar de forma prática, reflexiva, mas também criativa e criadora, sobre essa inter-relação entre ciência, sociedade e escola é muito importante. Esses educadores vão trazer os alunos. Então, isso também gera um ciclo virtuoso para trazer cada vez mais gente para experimentar o museu”, completa a profissional.
Os cursos “Museus e Educação” acontecem semestralmente e são divulgados pelas redes sociais do SESI Lab e pelo grupo de WhatsApp de ações do museu para profissionais da educação.
Como os educadores podem se aproximar do museu?
Para os professores que querem transformar a visita ao museu em uma extensão do trabalho realizado em sala de aula, o SESI Lab oferece diferentes possibilidades. O primeiro passo é conhecer as opções disponíveis e pensar qual experiência faz mais sentido para cada grupo. As visitas educativas podem seguir percursos temáticos, mediados pela equipe de educação e acompanhados de atividades ou oficinas, ou percursos autoguiados, adaptados às necessidades dos visitantes.
O Café com Profissionais da Educação é uma das principais ações promovidas pelo SESI Lab para este público. Com mais de 10 edições anuais, apresenta temáticas específicas relacionadas à programação do museu. A próxima edição será no dia 17 de outubro (sábado), das 10h às 13h, e debaterá a experiência das crianças em museus e as inúmeras possibilidades de aprendizagem nesses espaços. O objetivo é apresentar as atividades educativas oferecidas para esse público e fornecer ferramentas que potencializem a experiência das crianças na visita ao SESI Lab. São 40 vagas e os participantes recebem certificado.
Quem costuma ir ao café é Sidney Costa, professor de Língua Portuguesa no CED Estância III, em Planaltina. Ele foi contemplado duas vezes no sorteio de diárias de ônibus para professores de escolas públicas do DF levarem alunos ao museu. Costa participou da edição sobre a exposição SESI 80: Construindo Futuros, em cartaz no SESI Lab até dezembro.
“Foi uma experiência fantástica. Alguns dos alunos nunca tinham visitado o Plano Piloto, então foi muito especial observar a interação deles com as possibilidades oferecidas pelo espaço e, depois, ouvi-los compartilhar a experiência com os colegas”, detalha. “A formação nos orienta sobre as atividades e possibilita que eu dê uma orientação mais qualificada aos alunos, para que aproveitem ao máximo a visita. A sala de aula não precisa ficar fechada no mundo da escola. Ela pode se ampliar para outros espaços”, diz o pedagogo.
Outra edição de sucesso do Café com Profissionais da Educação foi a do projeto Instituto Banco Vermelho, que atraiu dezenas de professores da rede SESI e SENAI. O museu recebeu o Instituto para rodadas formativas dedicados à reflexão sobre violência contra a mulher e à construção de uma cultura de respeito e equidade. A programação promoveu diálogos sobre o papel das escolas na prevenção ao feminicídio, além de uma atividade prática voltada a inspirar educadores a atuar ativamente em prol do feminicídio zero, como explica a vice-presidente do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi:
“Esse tema ainda é muito velado. Costumamos dizer que nenhuma criança nasce racista, machista, homofóbica ou com qualquer outro tipo de preconceito. Por isso, trabalhamos com educação lúdica, simulando situações em que crianças cometem esses atos e usamos uma linguagem infantil. Explicamos, por exemplo, que uma menina pode ser astronauta e que um menino não tem o direito de empurrá-la nem de achar que tem mais mérito do que ela por ser menino. Assim, construímos essa narrativa de forma lúdica”, explica Limongi.
Amigos e instrutores de design gráfico do SENAI, Hugo Carneiro e Alberto Mohamad elogiaram a iniciativa de trazer a temática. “Gostei muito, não só pela dinâmica e pelo assunto, mas também porque é um tema muito pesado, mas que foi apresentado de um jeito leve e didático. Acho importante perceber que os homens, professores e funcionários também foram instruídos e receberam novas informações”, disse Carneiro. “Eventos como esse trazem conhecimento para que possamos entender como tratar o tema em sala de aula e também na vida inteira”, complementou Mohamad.
A coordenadora de Ações Educativas e Pesquisa do SESI Lab, Luciana Conrado Martins, explica que a relação dos museus com as escolas é antiga e rende muitos frutos para ambas as instituições:
“Os museus são espaços com muitas possibilidades educativas, que complementam o currículo escolar, apresentando os conteúdos de uma forma lúdica e interativa, que desperta a curiosidade dos alunos. O professor que, apesar de todos os obstáculos, consegue proporcionar essa experiência para sua turma abre uma janela de oportunidade na formação desse estudante. Nosso compromisso com a formação de profissionais da educação é facilitar o uso pedagógico do museu pelo professor e aproximar a comunidade escolar desse equipamento tão importante para a ampliação de repertório e para a formação do pensamento crítico na nossa sociedade, como são os museus”, finaliza Luciana.




