
Começaram oficialmente, nesta quinta-feira (25), as provas da WorldSkills Brasil 2025, organizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). À primeira vista, parece apenas uma competição técnica, mas quem acompanha de perto percebe que o evento também valoriza a inovação, o aprendizado e o desenvolvimento profissional dos participantes.
A etapa nacional reúne 374 jovens, de 17 a 23 anos, em 46 ocupações técnicas. A grande final, em Brasília (DF), acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde o público pode acompanhar gratuitamente os desafios até o dia 27 de setembro.
Quer ver como está o evento em Brasília? Confira este vídeo com um tour pelo local:
Para marcar o início da competição, reunimos curiosidades e bastidores que mostram por que a WorldSkills Brasil é muito mais que medalhas:
1. Até 23 anos: jovens transformam teoria em prática
Os competidores passam por um intenso processo de formação e seletivas nacionais antes de chegar à WorldSkills. Essa ponte entre sala de aula e indústria é o grande objetivo da competição. Para muitos, a jornada começa no ensino técnico e se estende a carreiras internacionais.
“Quem vive a Olimpíada é apaixonado por isso. Minha participação como competidor foi uma das melhores coisas da minha vida e depois, como avaliador, também aprendi muito”, conta Kennedy Yamashita, prata em Abu Dhabi (2017) e hoje avaliador-líder da ocupação Tecnologia da Água.
A competição é voltada para jovens de 17 a 23 anos, justamente porque corresponde ao período do ensino técnico e de aprendizagem profissional.
“É a faixa etária em que o estudante está saindo da aprendizagem ou do ensino técnico. Como a WorldSkills é voltada para esse nível de formação, essa regra vale para todos os países do mundo”, explica Jeferson Mateucci, coordenador técnico da competição nacional, delegado técnico do time brasileiro na etapa mundial e especialista em desenvolvimento industrial no SENAI.
2. Competição construtiva: o resultado só aparece no fim
Na WorldSkills, não existe placar parcial. As provas são avaliadas em silêncio, sem divulgação de desempenho. O resultado só vem no encerramento, o que garante suspense. Kennedy explica que os testes são divididos em módulos. Em Tecnologia da Água, por exemplo, há química, mecânica e automação.
“Um competidor pode começar no módulo mais desafiador no primeiro dia, outro no último. Só no fim conseguimos avaliar todos de forma justa”, explica.
A pontuação na WorldSkills é resultado de uma combinação de critérios objetivos subjetivos. Os objetivos incluem precisão, qualidade, acabamento, funcionalidade e segurança do trabalho. Já os subjetivos consideram método de trabalho, criatividade, organização, gestão do tempo, resiliência e postura profissional. Para garantir imparcialidade total, cada modalidade conta com uma banca de juízes de diferentes estados.
3. O desafio continua: o ouro nacional não garante vaga no mundial
Ganhar em Brasília é só o primeiro passo. Depois, os campeões passam por treinos, simulações e até disputas extras antes de garantir a vaga para a WorldSkills Internacional 2026, em Xangai. Segundo Jeferson Mateucci, essa fase funciona como um “play-off” esportivo.
“Às vezes o medalhista de ouro nacional enfrenta uma condição adversa aqui. Por isso, mantemos pelo menos dois competidores em desenvolvimento. Isso evita acomodação e garante preparo até a competição mundial”, explica.
4. Provas-surpresa: desafio até para os avaliadores
Nem todos os competidores sabem exatamente o que vão enfrentar. Em algumas ocupações, parte da prova é sorteada no dia ou pode ser alterada em até 30%. Isso garante imparcialidade e testa a capacidade de adaptação, criatividade e rapidez dos jovens diante de situações inesperadas.
“No meu módulo, os competidores recebem o projeto no dia e precisam executar de imediato. É um desafio para todos”, explica Kennedy, avaliador-líder em Tecnologia da Água. Essa metodologia também desafia os avaliadores, que precisam analisar com precisão o desempenho de cada participante mesmo diante de diferentes versões da prova.
5. Bastidores: quem cuida dos competidores?
Por trás de toda essa estrutura, dando suporte a cada jovem, há uma equipe formada por técnico, chefe de equipe e delegado técnico. O técnico atua na parte prática; o chefe de equipe é responsável pelo apoio emocional; e o delegado técnico coordena toda a delegação.
“O chefe de equipe funciona quase como um pai ou mãe para os alunos. Ele cuida do bem-estar, da motivação e até da saúde, sendo essencial para o equilíbrio emocional durante as provas”, explica Mateucci.
No primeiro dia de competições, por exemplo, uma competidora foi vista chorando após uma prova, frustrada com seu desempenho. Ela não estava sozinha: duas profissionais de apoio psicológico de sua delegação conversavam com ela, tentando acalmá-la. Situações como essa são comuns e muitas vezes ajudam os alunos a seguirem motivados, mesmo diante de desafios.
Sobre o SENAI
Referência nacional em educação profissional e inovação tecnológica, o SENAI já qualificou mais de 92 milhões de trabalhadores desde a fundação, em 1942. Presente em todos os estados brasileiros, a instituição oferece cursos técnicos, de aprendizagem, graduação, pós-graduação e soluções em tecnologia para a indústria. Com mais de 3,1 milhões de matrículas anuais e uma rede de 1.024 unidades escolares, o SENAI consolida-se como um dos principais pilares do desenvolvimento industrial e da capacitação profissional no Brasil.
1° dia de competições da WorldSkills Brasil 2025 - Confira todas as fotos:







