
Concentração e um friozinho na barriga: o clima de disputa começa antes mesmo das provas iniciarem. Nos bastidores da WorldSkills Brasil 2025, que acontece em Brasília até o dia 28 de setembro, competidores e técnicos se organizam em um ambiente que mistura tensão e expectativa.
Não é para menos: estamos diante da maior competição de educação profissional do Brasil. As seletivas nacionais, que acontecem desde agosto, reúnem os melhores estudantes em 46 categorias, conhecidas dentro da competição como ocupações.
Elas vão desde áreas mais manuais, como confeitaria, moda e cerâmica, até aquelas que parecem somente mais algumas horas em frente ao computador, mas que carregam o futuro da tecnologia, como arte digital, segurança cibernética e computação em nuvem.
Embora os competidores disputem individualmente, um contra o outro, eles não estão sozinhos. Antes das provas começarem, contam com o suporte de uma equipe técnica formada por instrutores, avaliadores e especialistas de diferentes áreas. Esses profissionais acompanham cada detalhe, ajustam pontos finos e garantem que tudo aconteça dentro do rigor que a disputa exige. Mas, quando chega a hora do “valendo”, o desafio é encarar tudo sozinho, e carregar o aprendizado e o apoio recebidos na preparação.
O clima é definitivamente de Copa do Mundo e a pressão também. No primeiro dia, ainda é possível trocar algumas palavras com os competidores dentro da arena, mas a partir desta quinta (25), quando as provas começarem, só será possível conversar com eles fora de campo. Quem precisar de informação, pode contar com os avaliadores técnicos, que têm um dossiê completo sobre a trajetória de cada aluno.
O que mais escutamos nos corredores é: “uma vez WS (WorldSkills), sempre WS”. Não é raro encontrar por aqui ex-competidores que hoje são treinadores, avaliadores ou delegados. Na sexta-feira (26), você confere uma matéria especial contando em detalhes cada uma dessas funções.
Para Luiz Eduardo Leão, gerente de Tecnologias Educacionais do SENAI Nacional, coordenador-geral da WorldSkills Brasil 2025 e representante do Brasil como CEO na WorldSkills International, a competição vai muito além de um torneio de habilidades. Para ele, trata-se de uma oportunidade única de transformar vidas e preparar jovens para o futuro profissional.
“A WorldSkills é o grande encontro da excelência entre tecnologia, técnica e carreira. Aqui, os jovens têm a oportunidade de construir o próprio futuro, enfrentando desafios alinhados ao mundo do trabalho e acessando o que há de mais avançado em tecnologia. É um agente transformador, sem dúvida, uma experiência inesquecível para a vida deles.”, afirma Leão.
E o resultado? Só no domingo. Isso porque as provas são construtivas, cada etapa é feita em um dia, e apenas no fim da maratona é possível saber quem serão os grandes campeões da educação profissional do Brasil.
Preparação intensa: 8 horas por dia de treinamento
A rotina dos competidores é marcada por meses de treino pesado, que simulam o ambiente real da prova. Muitos treinam horas por dia, equilibrando estudos, prática e ajustes psicológicos para aguentar a pressão da disputa.
No caso da eletrônica, por exemplo, o processo de preparação é longo: pode levar de um ano e meio a dois anos até que o aluno esteja pronto para a seletiva nacional. Nesse período, ele passa por todos os módulos da modalidade: hardware, projeto de placas, software e modificações, em treinamentos diários de cerca de oito horas.
Para o treinador Erielton Simões, do Paraná, o aspecto mais desafiador não é apenas o domínio técnico, mas a capacidade de manter o equilíbrio emocional diante da pressão.
“Muitas vezes o que mais pega neles é a questão psicológica. Claro que a técnica é essencial, mas o aluno que consegue manter a calma, administrar o tempo e lidar com a ansiedade acaba se saindo melhor. Esse primeiro dia, de ambientação, é crucial. É onde eles saem da sala de treino, que estavam sozinhos e focados, e passam a competir diante do público. É aqui onde precisam respirar fundo, se localizar e mostrar tudo o que aprenderam.”, destaca Simões.
Expectativas e histórias pessoais
Entre os competidores, não faltam histórias inspiradoras. Jovens que veem na WorldSkills uma oportunidade de transformar suas vidas, conquistar o primeiro emprego ou até mesmo sonhar com uma carreira internacional. Para Talisson de Oliveira, de 22 anos, representante do Distrito Federal na ocupação de Tecnologia em Design Industrial, a experiência é um divisor de águas:
“As expectativas aqui são muito grandes. Esta é uma oportunidade única, uma porta de entrada para muitos estudantes, inclusive para mim, que talvez nunca imaginaríamos ter. O maior desafio neste momento é lidar com as emoções. Não se trata apenas de suprimir, mas também de manter a concentração. Outro desafio é o ambiente, que não estamos acostumados. A gente vai aprendendo a se controlar para agir com mais razão na hora de executar nossas tarefas. E esta é a minha primeira competição.”
Para ele, cada etapa da WorldSkills é um aprendizado intenso, que vai muito além da disputa, é a chance de desenvolver disciplina, foco e confiança.
Etapa final em Brasília: o futuro em jogo
Em Brasília, os melhores de cada ocupação disputam o título de campeão brasileiro e a chance de representar o Brasil na etapa mundial da WorldSkills 2026, em Xangai, na China. Até o fim da semana, serão conhecidos os melhores do país.
Mais do que medalhas, a competição oferece oportunidades únicas: acesso ao mercado de trabalho, networking com empresas do setor produtivo e visibilidade em um dos maiores palcos da educação profissional do mundo.
Quer conferir o que já rolou? Confira as matérias que já saíram de cada etapa: online, São Paulo e Minas Gerais.
- Terceira etapa das seletivas nacionais da WorldSkills Brasil 2025 aconteceu em Minas Gerais;
- De Mecatrônica à Confeitaria: veja como foram as seletivas da WorldSkills em São Paulo.
Primeiro dia da WorldSkills Brasil 2025 - Confira todas as fotos:






