Ainda no ensino médio, ela chegou a Harvard: educação abre caminhos para carreiras globais

A experiência da estudante do SESI Pará em um ambiente educacional internacional exemplifica o papel dessas vivências na ampliação de perspectivas acadêmicas e de carreira desde o ensino médio

Aos 16 anos, a estudante Paula Araújo, aluna do SESI Pará, participou de uma das maiores simulações de debates da ONU do mundo, realizada na Universidade de Harvard

A formação de jovens com visão internacional deixou de ser um diferencial distante para se tornar parte de um movimento cada vez mais presente em um mercado de trabalho conectado, dinâmico e competitivo. Vivências educacionais fora do país, antes vistas como exceção, hoje integram estratégias de desenvolvimento de competências como liderança, autonomia, comunicação e pensamento crítico; habilidades estimuladas desde o ensino básico e decisivas para o futuro acadêmico e profissional.

Esse movimento ganha forma na trajetória da estudante Paula Araújo, de 16 anos, aluna do Serviço social da indústria (SESI-PA), que participou, entre os dias 4 e 9 de fevereiro, do Harvard Model United Nations (HMUN), uma das maiores simulações de debates da Organização das Nações Unidas (ONU) do mundo, realizada na Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.

Reconhecido internacionalmente, o HMUN reuniu cerca de 7 mil participantes, entre delegados e conselheiros, de aproximadamente 50 países, e é considerado um dos principais fóruns de formação para jovens em áreas como diplomacia, negociação e liderança, atraindo estudantes de instituições de ensino de diversas partes do mundo.

Além da representante do Pará, a delegação brasileira do SESI contou com estudantes de São Paulo e do Rio de Janeiro, reforçando a diversidade regional do grupo na simulação internacional

Representação do Norte e diplomacia na prática

O SESI Pará foi a única unidade da rede a representar a região Norte na simulação. Além da estudante paraense, a delegação brasileira, denominada Overseas, contou com três alunos do estado de São Paulo e um do Rio de Janeiro.

Para a gerente executiva de Educação do SESI Pará, Márcia Arguelles, a participação da aluna em um espaço internacional de debates evidencia o papel da educação básica na formação de jovens preparados para desafios contemporâneos.

“A presença de uma estudante do SESI Pará em um evento desse porte evidencia o compromisso da instituição com uma educação de excelência, conectada às questões globais e à formação integral dos nossos alunos. É uma vivência que estimula o protagonismo juvenil, o pensamento crítico e amplia horizontes acadêmicos e profissionais”, destacou.

Durante cinco dias, os participantes atuaram como delegados internacionais, representando países em discussões e negociações voltadas à construção de soluções para desafios globais, como meio ambiente, direitos humanos e políticas públicas.

Na simulação, a delegação brasileira representou a República de Nauru, pequena nação insular da Oceania localizada no Oceano Pacífico, com aproximadamente 12 mil habitantes. Entre os temas debatidos estiveram os impactos da desigualdade no acesso a novas tecnologias na área da saúde, especialmente na medicina, além das disparidades no cuidado com a saúde de mulheres e meninas.

O SESI Pará foi a única unidade da rede a representar a região Norte no Harvard Model United Nations (HMUN), em Boston. Estudantes atuaram como delegados internacionais em debates sobre desafios globais

Experiência que amplia visão de futuro

Segundo Paula Araújo, a participação no evento exigiu preparo, responsabilidade e dedicação. “A simulação funciona como uma ONU real. Representamos um país e precisamos estudar profundamente sua realidade para propor soluções para problemas concretos, como desigualdade, saúde e meio ambiente. Foram dias intensos de debates, apresentações e negociações com estudantes do mundo inteiro”, relatou a estudante.

A estudante destacou ainda que a vivência representou a realização de um sonho e a abertura para novas perspectivas de carreira.

“Estar nesse espaço me fez enxergar possibilidades de carreira que eu ainda não havia considerado. A experiência amplia nossa visão de mundo e mostra que a educação pode nos levar muito mais longe do que imaginamos”, concluiu.

Na simulação, a delegação do SESI representou a República de Nauru e debateu desigualdades no acesso à saúde, com foco em tecnologia médica e no cuidado com mulheres e meninas; experiências alinhadas a um mercado que valoriza liderança, autonomia e visão global.

Da simulação da ONU à graduação em Harvard

A trajetória de Paula dialoga com experiências já vividas por outros estudantes da rede SESI. Ex-aluno da instituição em São Paulo, João Lucas Oliveira Silva iniciou sua jornada internacional também a partir do HMUN e atualmente cursa o segundo ano da Universidade de Harvard, onde realiza dupla graduação em Governo e Ciência da Computação.

Hoje, ele integra a delegação da Overseas que incentiva a participação de outros alunos na simulação.

“A experiência da ONU vai muito além do evento em si. Ela abre portas para conexões, amizades e para o contato direto com o ambiente universitário internacional. Foi ali que encontrei ainda mais motivação para estudar em Harvard”, afirmou.

Ex-aluno do SESI SP, João Lucas iniciou sua trajetória internacional no HMUN e hoje cursa dupla graduação em Governo e Ciência da Computação na Universidade de Harvard

Formação alinhada às demandas do mercado global

As vivências internacionais de estudantes como Paula e João Lucas refletem uma mudança estrutural no mercado de trabalho, que passou a valorizar profissionais com perfil de liderança, autonomia, visão estratégica e capacidade de decisão em ambientes cada vez mais tecnológicos e globalizados.

Na avaliação da gerente de projetos e serviços do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-PA), Marcella Dias, ser líder hoje vai além do domínio técnico. “Existem competências que precisam ser trabalhadas para que a pessoa não apenas faça bem aquilo que faz, mas também saiba gerir pessoas e engajá-las para que os resultados da empresa sejam alcançados”, explica.

Segundo ela, a formação de lideranças envolve análise sistêmica, análise estratégica, tomada de decisão orientada por dados e uso da inteligência artificial. “É preciso produzir mais, melhor, de forma mais rápida. O mercado quer profissionais autônomos, com perfil de liderança e agilidade”, destaca.

Para atender a essa demanda, o IEL-PA  desenvolve iniciativas como o Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL), voltado à preparação de profissionais para conduzir pessoas e processos alinhados à estratégia do negócio.

Ao integrar educação básica, experiências internacionais e desenvolvimento de competências alinhadas ao mercado, trajetórias como as de Paula Araújo e João Lucas Oliveira Silva mostram que investir em uma formação com visão global pode ser o primeiro passo para universidades de excelência e carreiras com alcance internacional.

Durante cinco dias, estudantes atuaram como delegados internacionais em debates e negociações sobre desafios globais, como meio ambiente, direitos humanos e políticas públicas; uma vivência que fortalece competências valorizadas no futuro profissional, como liderança, pensamento crítico e tomada de decisão em contextos globais

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