Percepção sobre a reforma da Previdência melhorou porque a população sente que o Estado quebrou, diz Rogério Marinho

Em reunião com diretoria CNI, secretário afirma que redução na expectativa do mercado faz com que indicadores “desçam ladeira abaixo”. Para ele, reforma é alicerce para mudanças na economia
Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e o secretário especial de Previdência, Rogério Marinho

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, afirmou nesta terça-feira (28) que houve uma mudança da percepção da população brasileira em relação à aprovação da reforma da Previdência porque ela está sentindo que “o Estado quebrou e se exauriu”.

Durante reunião com a diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, Marinho citou problemas na saúde, na segurança pública e na educação e afirmou haver um problema relacionado à eficácia do gasto público. “Não é que falta dinheiro. Nesse caso, de educação e saúde, há a questão da vinculação constitucional. O problema é a questão do foco, da eficácia do gasto público”, disse. “Falta de saúde publica mata de uma vez só. Falta de segurança fragiliza as pessoas abruptamente. Mas falta de educação mata aos poucos, devagarzinho, porque mata sonhos e expectativas. Esse é um problema da falência do Estado brasileiro”, afirmou.

Diante desse quadro, o secretário considerou que a mudança na percepção da população se dá em função de uma “realidade objetiva”. “As pessoas não moram em Brasília. Então, eles estão sentindo que o Estado brasileiro quebrou, ruiu, se exauriu, e como ele se exauriu, ele precisa ser restaurado”, defendeu.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, disse que a CNI está trabalhando para aprovar a proposta de reforma o mais rapidamente possível. Além disso, afirmou, a entidade trabalha pela aprovação de outras propostas, como o marco legal do saneamento. "A reforma da Previdência sempre fez parte da nossa pauta prioritária, pois entendemos que ela é fundamental para a retomada do desenvolvimento econômico e social do país”, disse.

O secretário Marinho citou pesquisa da CNI que mostra que seis em cada dez brasileiros (59%) consideram necessária a reforma da Previdência. “Olha que mudança radical da percepção do povo, que se reflete por meio dos nossos parlamentares. Por isso, boa parte deles hoje admite votar a Previdência e mesmo os que são contrários ao texto do governo dizem: olha, esse texto está ruim, mas a gente precisa realmente reformar”, disse. “Ele [o parlamentar] não pode dizer simplesmente que não quer. Ele tem de fazer um preâmbulo, ele tem de se proteger, para não ser chamado de irresponsável, inconsequente, de leviano. Aquele discurso de que não há necessidade, o Brasil pode esperar mais foi por terra”, enfatizou o secretário.

QUEDA NOS INDICADORES - Rogério Marinho ressaltou que a diminuição da expectativa do mercado em relação ao que vai acontecer no Brasil está fazendo com que os indicadores econômicos, como de emprego e investimento, “desçam ladeira abaixo”.

“Acho que chegou o momento, amadureceu, o Congresso está pronto, mas ninguém pode ficar sentado aguardando”, disse. “A reforma previdenciária não é uma panaceia. Por si só, ela não vai resolver [todo o problema da economia], mas ela é o alicerce, a base, a espinha dorsal de tudo o que está por vir”, afirmou o secretário.

Marinho lembrou que, além da proposta de alteração nas regras de pagamento de aposentadorias e pensões, o governo tem toda uma agenda propositiva. Os itens dessa agenda vão desde a desoneração da folha de pagamentos, passando pela distribuição da carga tributária e pela abertura comercial gradual, até a diminuição da burocracia do Estado. “Temos uma agenda virtuosa a ser empreendida. Mas ela só poderá acontecer se dermos o primeiro passo, que é a reforma previdenciária”, disse.

ECONOMIA DE R$ 1,2 TRILHÃO – Durante a reunião, Rogério Marinho apresentou o que o governo considera como pilares da reforma da Previdência. Eles são o combate a fraudes; o combate a privilégios; a equidade; a cobrança de dívidas; e o impacto fiscal. O governo reitera a importância de se aprovar uma reforma que garanta uma economia de R$ 1 trilhão a R$ 1,2 trilhão num período de 10 anos.

O secretário disse que, diferentemente do cenário do ano passado, agora, embora apontem “vírgulas” que atrapalham a votação do projeto, parlamentares estão dispostos a negociar alterações. “Agora, as pessoas nos abordam e dizem que a vírgula está incomodando. Mas, se colocamos a vírgula duas casas para dentro, [dizem que] está confortável. Houve uma mudança de percepção e não é por acaso”, destacou.

Entre os possíveis motivos para a mudança de percepção da população sobre a importância de se aprovar a Reforma da Previdência, Marinho citou a situação fiscal de estados como Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. “Há uma relação de pelo menos 10 estados da Federação que disseram que, se não melhorarem as questões fiscais de seus estados, elas terão sérios problemas no fim do ano”, disse.

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