Intensidade do crescimento da indústria no segundo trimestre surpreende, avalia CNI

CNI alerta que a retomada efetiva da atividade depende da combinação de ações que estimulem o consumo no curto prazo e de reformas estruturais, como a tributária. Baixo nível de investimento preocupa o setor
PIB industrial cresceu 0,7% no segundo trimestre em relação ao período imediatamente anterior

O crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, liderado pela expansão de 0,7% da indústria no segundo trimestre do ano, é um sinal positivo para a economia. No entanto, a retomada do crescimento depende da combinação de ações urgentes e de reformas estruturantes.  Entre as ações urgentes, está o estímulo ao consumo, com medidas que facilitem o crédito, e, entre as reformas estruturantes, estão as mudanças no sistema tributário.  A avaliação está no Fato Econômico 9, publicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que avalia os dados do PIB, divulgados nesta quinta-feira, 29 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

De acordo com a publicação, o Brasil ainda não conseguiu sair da crise.  “Segundo o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE), a última recessão durou 11 trimestres – entre o segundo trimestre de 2014 e o quarto trimestre de 2016. A partir do primeiro trimestre de 2017, a economia brasileira teria iniciado um ciclo de expansão que, contudo, mostra-se muito fraco. O PIB segue 4,8% abaixo do que era há 21 trimestres, enquanto a indústria se reduziu 12% na mesma comparação”, diz o Fato Econômico.  “Como o crescimento médio do PIB desde o primeiro trimestre de 2017 é de apenas 0,4% ao trimestre, seriam necessários 11 trimestres – quase três anos – para retomarmos o nível de atividade do início de 2014, caso esse ritmo se mantenha.”

A indústria está especialmente preocupada com o baixo nível de investimentos. “Mesmo com a melhora no segundo trimestre de 2019, o investimento segue 24,7% abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2014”, alerta a CNI. “O longo período de baixo investimento traz preocupações sobre possível obsolescência de parte da capacidade instalada e preocupações adicionais sobre a competitividade da indústria, tendo em vista o avanço das tecnologias de automação e troca de dados na produção”, avalia a CNI. 

EXPANSÃO DE 0,7% - O Fato Econômico destaca que, conforme os dados do IBGE, a indústria saiu da recessão. O setor cresceu 0,7% no segundo trimestre em relação ao período imediatamente anterior. O crescimento, que vem depois de dois trimestres consecutivos de queda do PIB Industrial, é resultado da expansão de 2% da indústria de transformação e de 1,9% da construção. “O crescimento trimestral da indústria da construção é o maior em cinco anos”, destaca a publicação. 

Depois da queda de 7,5% no primeiro trimestre, a indústria extrativa recuou 3,8% no segundo trimestre, especialmente em razão do rompimento da barragem em Brumadinho e suas consequências, como a paralisação de outras unidades de mineração em Minas Gerais. 

“Os dados sugerem que há uma reação positiva que deve se potencializar com os avanços que tivemos de junho para cá com a reforma da Previdência, as privatizações, a medida provisória da Liberdade Econômica, a redução dos juros e, mais recentemente, em relação à reforma tributária”, afirma o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

 “A consolidação desse ambiente mais favorável deve se refletir em maior confiança, mais investimento e consumo das empresas e das famílias, de tal modo que, para 2020, há expectativas de um crescimento mais expressivo do que os 0,9% esperados para este ano”, completa Castelo Branco.

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