Conselho da CNI desenvolve agenda de trabalho para fortalecer a indústria de defesa

Estudos em desenvolvimento buscam oferecer subsídios para se entender dificuldades e oportunidades do setor. Durante reunião do Condefesa, industriais defenderam previsibilidade de projetos e a ampliação de investimentos
Reunião do Conselho Temático da Indústria de Defesa (CONDEFESA)

O presidente do Conselho Temático da Indústria de Defesa (Condefesa) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Glauco Côrte, afirmou nesta segunda-feira (24) que a confederação vem desenvolvendo estudos para entender as dificuldades e oportunidades no setor. Segundo ele, a proposta é sinalizar temas prioritários para a construção de uma agenda de trabalho sobre a elevação da competitividade da indústria de defesa.

“Buscamos defender os interesses da base de defesa e fortalecer a soberania nacional por meio da ‘tríplice hélice’ que congrega governo, setor produtivo e academia”, afirmou, durante reunião do conselho, em Brasília (DF). “Trabalharemos pela geração de oportunidades, parcerias e negócios, bem como pelo desenvolvimento da inovação dessa estratégica área nacional”, ressaltou o presidente do conselho.

Dentre os principais desafios para a indústria de defesa mapeados estão a disponibilidade de crédito e financiamento para produtos de defesa, a previsibilidade orçamentária do Governo e Forças Armadas e ausência de uma política robusta de incentivo às exportações. Esta foi a segunda reunião do Condefesa, criado pela CNI em novembro de 2018.

Glauco Côrte, Presidente do CONDEFESA, disse que a CNI desenvolve estudos para entender as dificuldades e oportunidades no setor

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO - O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, disse que o conselho deve trabalhar, agora, para fomentar a indústria da defesa, com a atração de investimentos e a geração de emprego e renda dentro do Brasil. “Precisamos atuar para desenvolver a indústria de defesa nacional e, por meio dela, contribuir para o desenvolvimento econômico do país”, afirmou.

O ex-comandante do Exército Brasileiro e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o Condefesa começa a se consolidar e avançar nos seus propósitos. A seu ver, muitas vezes é até impossível separar os setores de defesa e segurança. O general ressaltou que é preciso trabalhar para obter recursos e apoio para a indústria de defesa.

“Há uma integração entre defesa e segurança, inviabilizando, muitas vezes, a separação entre esses dois setores, até porque as Forças Armadas têm participado muito das atividades de segurança pública”, disse.

Secretário Nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, explicou os conceitos de defesa e segurança pública

EIXOS DA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA - O secretário Nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, afirmou que, hoje, os três grandes eixos das ações do governo federal na área de segurança pública são o combate à corrupção, ao crime organizado e a crimes violentos. Ele disse ainda que o governo tem incentivado as polícias civis, militares e em todo o Brasil a investir na indústria nacional de defesa.

Durante a reunião do conselho, o secretário ressaltou que defesa e segurança pública são dois conceitos diferentes. Segundo ele, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) tem buscado uma agenda para criar condições para o fortalecimento da indústria nacional de defesa.

“O pessoal associa defesa a arma, a canhão, a míssil. Defesa não é só isso. Tem o processo de simulação tecnológica, inovação e o uso dessas tecnologias geradas na defesa no campo civil. Então, é importante levar o conhecimento à sociedade sobre o que representa a defesa e a segurança pública”, afirmou.

Segundo o secretário, entre os princípios da política nacional de segurança pública estão a promoção da produção de conhecimento sobre segurança pública; a otimização dos recursos materiais, humanos e financeiros das instituições; e a simplicidade, informalidade, economia procedimental e celeridade no serviço prestado à sociedade.

MAIS INVESTIMENTOS - O diretor de Relações Institucionais do Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), Luiz Monteiro, defendeu a ampliação dos investimentos na indústria de defesa. Segundo ele, hoje, o Brasil destina 1,4% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para esse setor. “Poderia ser de 2%, como o Chile. Países menores que o Brasil investe mais em defesa que a gente. Quem tem dinheiro paga por segurança, e essa segurança privada, infelizmente, é a que menos gera desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento no Brasil”, afirmou Monteiro, que também é diretor do Departamento de Defesa e Segurança da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Conselheiro do Fórum de Defesa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Roberto Gallo, ressaltou a responsabilidade do Estado no aquecimento do setor por meio das compras governamentais, a previsibilidade dos projetos e orçamento, bem como o apoio a inserção da indústria de defesa brasileiro no mercado mundial.

“A responsabilidade do Estado é inescapável. A compra estatal garante por si só o apoio massivo à exportação”, afirmou.

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