Condições financeiras das pequenas indústrias atingem o pior nível em 5 anos, revela CNI

Juros altos e dificuldade de acesso ao crédito pressionam as empresas; carga tributária lidera os problemas e demanda insuficiente preocupa

Foto: Gabriel Pinheiro/CNI

As condições financeiras das pequenas empresas industriais atingiram seu pior nível em 5 anos, mostra o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (30). No 3º trimestre de 2026, o índice de situação financeira dos pequenos negócios caiu para 38,5 pontos, 0,9 ponto a menos do que no 2º trimestre.

O indicador vai de 0 a 100 pontos e é calculado a partir da combinação dos índices que medem a satisfação dos empresários com a margem de lucro operacional e a condição financeira das empresas, além da facilidade de acesso ao crédito. Quanto maior a pontuação, melhor a situação financeira dos pequenos negócios.

As comparações com outros períodos também mostram o aperto financeiro. Em relação ao 3º trimestre de 2025, o índice recuou 2,5 pontos. O resultado ficou ainda 0,3 ponto abaixo da média histórica.

“O ambiente de crédito ainda é muito restritivo, principalmente por causa da elevada taxa de juros. As pequenas indústrias sofrem ainda mais para conseguir crédito e, mesmo quando acessam, não conseguem o valor que necessitam”, afirma Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Confira a análise completa sobre a pesquisa na sonora de Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI:

Desempenho cai e se aproxima da média histórica

O desempenho dessas empresas também piorou. No 3º trimestre, o índice de desempenho das indústrias de pequeno porte recuou 0,9 ponto em relação ao trimestre anterior, para 44,3 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador ficou 2 pontos abaixo. Já em relação à média histórica, permaneceu 0,1 ponto acima.

Vale lembrar que o índice de desempenho é calculado a partir de 3 variáveis: 

  • Volume de produção ou nível de atividade, no caso da construção;
  • Utilização da capacidade instalada ou operacional, no caso da construção, em relação ao usual;
  • Evolução do número de empregados.

A escala vai de 0 a 100 pontos. Quanto maior a pontuação, melhor o desempenho das pequenas empresas do setor no período.

Carga tributária lidera os problemas e demanda insuficiente ganha importância

A elevada carga tributária seguiu no topo do ranking dos principais problemas enfrentados pelas pequenas indústrias da transformação e da construção. O entrave, inclusive, ganhou importância em relação ao 2° trimestre. No caso da transformação, as assinalações saltaram de 37,3% para 41%; na construção, de 42,9% para 43,6%.

A demanda interna insuficiente também passou a preocupar mais os industriais. Entre as empresas de transformação, o entrave saltou da 6ª posição do ranking, com 22,9% de assinalações, para a 2ª, com 26,6%. Por outro lado, a falta ou o alto custo da matéria-prima perdeu importância, caindo para a 3ª colocação da lista, de 34,6% para 26,2%.

Entre as pequenas indústrias da construção, as altas taxas de juros seguiram na 2ª posição do ranking. O problema foi apontado por 39,3% dos empresários desse segmento, ante 37,8% no trimestre anterior. A falta ou o alto custo da mão de obra não qualificada aparece em seguida, com 29,1% das assinalações.

Sem confiança, pequenas empresas projetam futuro com cautela

Em meio à piora do desempenho e das finanças, os empresários das pequenas indústrias completaram 23 meses de pessimismo. O índice que mede a confiança desses industriais até subiu em outubro — passou de 44,4 para 46,8 pontos —, mas segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. O indicador não ultrapassa a marca desde novembro de 2024.

Com pouca confiança, os empresários são cautelosos ao projetar o futuro dos negócios. O índice de perspectivas das indústrias de pequeno porte registrou 46,6 pontos no 3º trimestre, em uma escala que vai até 100. O indicador leva em conta a intenção de investimento nos próximos seis meses, as expectativas dos empresários para a demanda (ou atividade, no caso da construção) e o número de empregados.

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