Sem Previdência, indústria apoia avanço de projetos da agenda pós-reformas em 2018, afirma Robson Braga de Andrade

Em reunião com Michel Temer, nesta terça-feira (20), presidente da CNI falou da importância de projetos que deem sequência à agenda de reformas aprovada pelo Legislativa, ao longo de 2017. Dirigentes de 20 federações da indústria estiveram no encontro no Palácio do Planalto
Representantes da indústria das diferentes regiões do país apresentaram prioridades da indústria que precisam avançar

Com as discussões sobre reforma da Previdência Social suspensas enquanto durar a intervenção no Rio de Janeiro, o Congresso Nacional deve avançar com propostas que contribuam para dar sequência agenda de competitividade do país. Em encontro com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (20), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, reforçou o apoio ao avanço de projetos da agenda de competitividade, mesmo em face do calendário eleitoral de 2018.

“Aprovamos reformas que há 20 anos se discutiam no país. Temos de ter a capacidade de sermos um país que atrai investimentos, olhando para o país no longo prazo”, disse Andrade, que esteve à frente da comitiva de presidentes de federações e empresários de 20 estados. O presidente da CNI falou da importância de se realizar um encontro como esse no início do ano, como forma de conhecer a pauta prioritária do Executivo e de mobilizar o setor produtivo pelas propostas que contribuem para o desenvolvimento do país.

Ao discursar para os empresários, o presidente Temer explicou a opção pela intervenção no Rio de Janeiro, como medida “extrema” de combate à violência no estado e a consequente interrupção das discussões da reforma da Previdência. Ele afirmou que o sistema previdenciário e a segurança pública são temas prioritários para a administração, mas que o segundo se impôs com mais urgência neste momento. “É importante esclarecer por que tivemos de interromper a reforma da Previdência, mas o debate não parou”, disse.

Andrade reforçou o apoio do setor produtivo à reforma da Previdência, frisou que esta é uma agenda que terá de ser, inevitavelmente, enfrentada pelo governo. “Se não for feita agora, poderá ser feita em novembro ou no início de 2018. A reforma é importante não para este ou aquele governo. É importante para o país”, afirmou. “É uma frustração de todo empresariado, tínhamos muita esperança na aprovação da reforma. Esta é uma reforma que terá de ser feita de forma imediata pelo próximo governo”, afirmou o deputado federal e 1o diretor secretario da CNI, Jorge Côrte Real (PTB).

Ao lado do presidente Temer, o presidente da CNI reforçou o apoio do setor produtivo à reforma da Previdência

NOVA AGENDA – Ao longo da reunião, o presidente da CNI e representantes da indústria das diferentes regiões do país apresentaram prioridades da indústria que precisam avançar, mesmo que em ano eleitoral, para se manter em andamento a agenda de competitividade no Congresso Nacional. O presidente da CNI destacou, entre os projetos prioritários do Executivo, medidas que contribuam para a simplificação e desburocratização de tributos, como a reforma do PIS/Cofins.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Pedro Alves de Oliveira, falou do apoio dado pela indústria à reforma da Previdência e da necessidade de que seja aprovada com urgência. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Amaro Salles, defendeu a derrubada do veto, pelo Congresso Nacional, à participação de micro e pequenas empresas no Refis (programa de recuperação fiscal) do Simples Nacional.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, destacou a aprovação do novo ensino médio como caminho para modernizar a educação brasileira e falou da importância de políticas de parcerias público-privadas (PPPs) para o Brasil voltar a investir. O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Ricardo Alban, também falou da necessidade de o Brasil dar um salto em sua taxa de investimento, tendo como caminho aportes para melhorar a deficitária infraestrutura de transportes do país.

Para o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado do Mato Grosso (FIEMT), Gustavo Pinto Coelho de Oliveira, a questão da segurança pública do país precisa, de fato, ser enfrentada. Ele ressaltou o custo que a violência tem para o setor produtivo e para o consumidor, devido a gastos com segurança, seguros e outras despesas decorrentes deste problema social.

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