Indústria do Pará amplia articulação com setor de óleo e gás em evento no Rio de Janeiro

Comitiva paraense firmou parceria com a FIRJAN e teve agendas com representantes do Porto do Açu e da associação de produtores de petróleo e gás

Foto: FIEPA/Divulgação

A aproximação do Pará com alguns dos principais agentes da cadeia de petróleo e gás marcou o primeiro dia de participação da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) na ROG.e 2026, nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro. O evento é considerado o maior festival de energia do mundo e reúne debates, palestras, shows, exposições e competições acadêmicas. 

À tarde, a comitiva paraense se encontrou com representantes do Porto do Açu e da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP). As agendas foram voltadas à troca de experiências e à identificação de oportunidades relacionadas à logística, fornecedores, investimentos e preparação da indústria paraense diante das perspectivas abertas pela Margem Equatorial.

No encontro com o Porto do Açu, os representantes conheceram mais sobre a estrutura, as operações e os resultados de um dos principais complexos portuários e energéticos do país. A agenda integra o esforço da Federação para reunir referências que possam contribuir para o debate sobre infraestrutura e apoio logístico às futuras operações de óleo e gás na região Norte.

Já a reunião com a ABPIP aproximou a indústria paraense da entidade que representa produtores independentes de petróleo e gás no Brasil, com atuação em operações terrestres e marítimas e em temas como ambiente regulatório, competitividade, inovação, investimentos e desenvolvimento da cadeia de fornecedores.

“Mais do que acompanhar os debates nacionais do setor, nosso objetivo é inserir o Pará nas discussões sobre investimentos, conteúdo local, fornecedores, qualificação profissional, inovação e infraestrutura associadas a essa nova fronteira energética brasileira”, afirmou o presidente da FIEPA, Alex Carvalho.

Parceria com a FIRJAN prepara fornecedores

Outro resultado do primeiro dia foi a assinatura de uma parceria entre a FIEPA e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) para desenvolver o projeto de Mapeamento e Ativação de Fornecedores para os mercados de petróleo, gás, energias e naval no Pará.

O trabalho terá duração prevista de 12 meses e envolverá etapas de mapeamento, capacitação e ativação de empresas paraenses. A proposta é identificar capacidades já existentes, lacunas e requisitos técnicos, comerciais, documentais e de certificação necessários para que fornecedores locais possam disputar oportunidades na cadeia.

“Podermos compartilhar a atuação do SESI e do SENAI, além de levar a expertise da Firjan para os demais estados do país. É inspirador para o desenvolvimento da nossa indústria, ainda mais agora com essa nova fronteira petrolífera, que é a Margem Equatorial”, afirmou o presidente da FIRJAN, Luiz Césio Caetano.

Segundo Alex Carvalho, a cooperação complementa iniciativas que já vêm sendo desenvolvidas no Pará. “Essa parceria com a Firjan, com toda a experiência que possui, será fundamental para a formação da cadeia de fornecedores e mais um elo para o desenvolvimento sustentável do Pará e da Margem Equatorial”, destacou.

A iniciativa se soma ao trabalho da Redes FIEPA, que já atua com desenvolvimento e diagnóstico de fornecedores, capacitação empresarial, rodadas de negócios e aproximação entre empresas compradoras e prestadores de serviços.

Margem Equatorial em debate

A Margem Equatorial também esteve entre os principais temas da cerimônia de abertura da ROG.e. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o avanço da produção brasileira e a busca por novas fronteiras exploratórias.

Segundo Magda, o Brasil produziu, em 2025, 4,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia, sendo 3,9 milhões de barris de petróleo. Em agosto deste ano, a produção alcançou 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

“Seguimos ampliando as nossas fronteiras. Avançamos na Margem Equatorial, onde identificamos a presença de hidrocarbonetos”, afirmou a presidente da Petrobras.

Para o Pará, os possíveis desdobramentos dessa expansão já são objeto de estudos do Observatório da Indústria da FIEPA. Levantamento da instituição estima potencial de 52 mil empregos relacionados ao desenvolvimento da Margem Equatorial no Estado.

A região reúne cinco bacias sedimentares, entre elas a Pará-Maranhão, e tem potencial estimado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em cerca de 30 bilhões de barris. Dados reunidos pelo Observatório apontam ainda previsão de US$ 2,5 bilhões em investimentos da Petrobras entre 2026 e 2030 e a perfuração de 15 poços exploratórios no período.

A análise da FIEPA também destaca o potencial de Belém como base logística e de serviços para futuras operações offshore, cenário que amplia a necessidade de preparação de empresas, mão de obra e infraestrutura.

“A expectativa é ampliar a participação de empresas paraenses, formar fornecedores, capacitar trabalhadores, atrair negócios e criar condições para que parte relevante dessa cadeia seja estruturada no Estado”, afirmou Alex Carvalho. 

A agenda do Sistema FIEPA na ROG.e segue nos próximos dias com encontros com empresas, entidades e instituições ligadas à cadeia de energia, petróleo e gás, além de discussões sobre fornecedores, logística offshore, inovação, qualificação profissional e investimentos.

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