Reunindo cerca de 110 mil visitantes em dois dias de programação, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) promoveu a primeira edição da Feira da Indústria FIEC, já considerada um dos maiores eventos do setor industrial do país. A feira foi realizada nesta segunda (09) e terça-feira (10), no Centro de Eventos do Ceará.
O evento agregou cadeias produtivas cearenses para apresentar inovações, tecnologias e soluções que evidenciam o impacto da indústria no cotidiano da sociedade e seu papel como força motora para o desenvolvimento econômico nacional.
Com o tema “A indústria conectada ao seu dia a dia”, o evento contou com a participação dos 39 sindicatos ligados à federação, representantes de segmentos como moda, energia, alimentos, construção civil, metalmecânica e química.
Os destaques da programação incluíram exposições, encontros de lideranças, rodadas de negócios, atividades interativas e palestras de grandes nomes da indústria, do empreendedorismo e da cultura, como Pedro Lima, presidente do Grupo 3Corações, João Adibe, CEO da Cimed, e o historiador Leandro Karnal. Apresentações musicais dos cantores Fagner e Waldonys também embalaram o público.
Durante a abertura do evento, o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, ressaltou os potenciais do setor, responsável por 82,6% das exportações no Ceará e 390 mil empregos de carteira assinada, e a capacidade de transformação dos empresários em meio a mudanças tecnológicas e econômicas.
“Indústria não é apenas máquina. É também inovação, design e criatividade e, acima de tudo, humanidade. Por isso, escolhemos um novo jeito de apresentar o nosso setor à sociedade”, afirmou. “Essa nova indústria, mais tecnológica, eficiente, sustentável, orientada pelo conhecimento, é a que queremos mostrar nesta feira”.
A integração entre cadeias também foi pontuada por Cavalcante. “Hoje, estão aqui representados todos os setores industriais em atividade no Ceará, desde setores históricos e estruturantes até áreas mais recentes e disruptivas. E a maioria das indústrias presentes nesta feira está diretamente conectada com outras indústrias. Forma-se assim um círculo virtuoso: uma empresa fornece insumos, outra transforma esses insumos em novos produtos, que abastecem novos segmentos produtivos e dão dinamismo à economia”, disse o presidente da FIEC.
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enalteceu o esforço conjunto dos cearenses em prol da valorização do setor produtivo nacional e defendeu a necessidade de promover uma “catequese” para que a indústria volte a ocupar lugar central na sociedade brasileira.
“Nós vamos ser criativos e persistentes para que a indústria entre no coração de cada um de nós, porque é um lugar do qual ela nunca deveria ter se afastado. Nós vamos mostrar o que a indústria transforma e que nós nos complementamos, que podemos fazer no novo Brasil, mais unísono, mais pujante”, afirmou.
Alban falou sobre a importância de reconhecer que o Brasil não é mais um país em desenvolvimento, mas, sim, um país desenvolvido. “Já passou da hora de nós sepultarmos essa frase de que o país é um país em desenvolvimento. Os jovens talvez estejam criando um espírito de desesperança. É esse jovem que nós, da indústria, queremos resgatar, não só pela percepção da indústria, mas pela percepção de Brasil, de nação”.
Governador do Ceará, Elmano de Freitas, frisou o crescimento industrial expressivo no Estado. “Esta feira expressa a força da indústria do Ceará, e nem sempre foi assim. Poucas décadas atrás, esse estado, com muito esforço, empregava 120 mil pessoas na indústria. Hoje, os senhores e as senhoras empregam 390 mil cearenses. Nós podemos ter o orgulho de dizer que nós somos o maior polo calçadista do país e o quarto maior produtor de aço. Nos últimos 12 meses, crescemos mais de 4% na indústria do estado do Ceará”, afirmou o Governador.
A criatividade da indústria cearense também ganhou destaque na programação. Um desfile idealizado pelo estilista Ivanildo Nunes abriu o evento ao exibir peças inspiradas em diferentes segmentos industriais, conectando moda, tecnologia e identidade regional. Os dois de feira foram marcados por uma ampla programação de desfiles, com 25 marcas e curadoria de Cláudio Santana, diretor artístico do São Paulo Fashion Week.
Palestrante principal do primeiro dia de programação, João Adibe compartilhou a visão empreendedora que impulsionou o crescimento da Cimed, gigante da indústria farmacêutica no país.
Para Adibe, é preciso incentivar o espírito empreendedor entre as novas gerações e promover trocas de experiências como forma de estimular o crescimento no ambiente de negócios. “Eu tenho orgulho de ser empreendedor e vendedor. E eu não vou medir esforços para poder incentivar essa nova geração de empreendedores. Acredito que, ao apresentarmos nossa visão e trabalho, aumentamos as possibilidades de crescimento”, afirmou.
Um dos momentos mais aguardados da programação da Feira da Indústria FIEC foi a palestra do historiador e escritor Leandro Karnal, que reuniu mais de mil participantes no dia 10 de março, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Reconhecido como um dos principais intelectuais e palestrantes do Brasil, Karnal abordou temas como ética, comportamento e as transformações sociais contemporâneas, refletindo sobre os impactos dessas mudanças no ambiente empresarial e industrial.
Diante de um auditório lotado, o historiador provocou o público a pensar sobre liderança, valores e responsabilidade no mundo atual, destacando que empresas e instituições precisam estar atentas às mudanças culturais e sociais que moldam o comportamento das pessoas e das organizações.
O cantor e compositor Fagner, um dos maiores nomes da música brasileira, fechou a programação com uma apresentação carregada de emoção, reunindo visitantes, empresários e famílias que participaram do evento ao longo dos dois dias.



