7 inovações criadas por alunos do SESI e do SENAI que o consumidor poderá encontrar no dia a dia

Mostra Inova da Olimpíada do Conhecimento 2018 apresenta 50 projetos finalistas de produtos inovadores e soluções para aprimorar processos produtivos . Vencedores serão conhecidos no domingo (8)
Projetos e processos mais inovadores da Mostra Inova SESI SENAI serão escolhidos por voto popular dos visitantes da OC2018

Termina nesse domingo (8), às 15h, a votação que escolherá as melhores inovações criadas por alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI) de todo o país e que estão expostas na Mostra Inova. O resultado do voto e da avaliação da área técnica será divulgado às 16h, pouco antes do encerramento da Olimpíada do Conhecimento 2018, que ocorre no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília.

Os 50 participantes foram selecionados entre 310 projetos inscritos. A ideia da Mostra Inova SESI SENAI é trazer soluções inovadoras que possam ser aplicadas no mercado. Estão concorrendo 25 produtos e 25 processos inovadores. O produto refere-se a um objeto criativo e funcional que pode ser colocado no mercado. Já o processo está relacionado à melhoria no modo de fazer o produto e intensificar a produtividade, tornando a criação do objeto mais eficaz.

“Nesta edição percebemos mais maturidade dos alunos em relação às edições anteriores. Dessa vez, são 50 expositores. Na edição passada, foram 30. As soluções apresentadas e os planos de negócios estão bem estruturados”, comenta Mônica Mariano, coordenadora da Mostra Inova. Ela acredita que os produtos e processos apresentados pelos estudantes já estão em ponto de serem desenvolvidos em escala. “Alguns deles aproveitaram a Olimpíada e já fizeram negócios e contatos”, afirmou.

Os finalistas dos processos estão apresentando os projetos via conferência de vídeo. Já os produtos estão expostos na OC2018 e o público tem acesso às inovações. A equipe vencedora na avaliação técnica pela categoria produto inovador ganhará uma visita técnica com três dias de duração com a realização de workshops e oficinas - o local será divulgado amanhã. A escola da equipe campeã será premiada com uma impressora 3D multifuncional.

No caso dos processos, o grupo vencedor leva como prêmio uma visita técnica de três dias. Se a vitória vier do voto popular, o prêmio é um curso presencial no valor de até R$ 2 mil para cada uma das categorias.

Conheça algumas das inovações trazidas pelos estudantes do SESI e do SENAI:

1. Impressora Multiprocessos Customizada
O consumidor pode montar a própria impressora multiprocessos, de acordo com a demanda necessária. Este é o produto trazido por um grupo de alunos do SENAI de Catalão (GO). A ideia é que o cliente escolha o perfil que mais se adapte às necessidades, ao recurso e ao espaço disponível. “A gente monta da forma que o cliente precisa. Por exemplo, ele pode preferir uma estrutura em madeira em vez de alumínio”, explica Pedro Henrique Carneiro, 27 anos, estudante do SENAI. Segundo ele, a multiprocessos customizados é capaz de fazer usinagem, gravação e corte a laser, impressão 3D e desenho decorativo. O preço médio é R$ 18 mil, enquanto o da concorrência pode chegar à R$ 38 mil. O grupo desenvolveu o projeto apresentado durante um ano e já aceita encomendas e propostas.

2. Pulseira-guia
O estudante Vinicius Bail, 17 anos, do SENAI do Paraná criou uma pulseira que vibra quando o cego se aproxima de algum obstáculo. Ele comenta que o processo começou com uma luva que vibrava graças a um motor de joystick de video-game. Depois, ele aprimorou usando um sistema de vibração como o de celular e, no lugar da luva, optou pela pulseira, por ser mais leve. A pulseira ainda tem integração com um aplicativo de celular, que avisa se a bateria está acabando e ajuda na localização do cego por um sistema de GPS. “A ideia é incluir o cego no mercado de trabalho porque a pulseira vai permitir que ele faça mais atividades no setor industrial”, explicou Vinicius, que perdeu a visão ainda na infância por conta de um acidente. A pulseira já está disponível para a comercialização.

3. Caroçaí
Estudantes do SENAI de Roraima desenvolveram uma farinha nutritiva, saudável e sustentável a partir do caroço de açaí. De acordo com Maria da Conceição Silva, 23 anos, aluna do curso de panificação, o grupo percebeu que, ao usar apenas a polpa do açaí, 83% do fruto era desperdiçado. Por isso, os alunos resolveram desenvolver uma farinha triturando o caroço. A farinha pode ser usada na confecção de pães, de biscoitos e bolos. A comercialização ainda não começou porque falta o estudo da parceira Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicando a composição dos nutrientes. “Com base nessa informação, poderemos confeccionar o rótulo e colocar à venda. Buscamos investidores para podermos levar a farinha para o Brasil todo”, explica Conceição.

4. Tijolo de serragem
Alunos do SENAI de São João del-Rei (MG) aproveitaram a serragem de madeira de demolição que sobra da produção moveleira local para construir uma espécie de tijolo. Com a ajuda de uma resina, o bloco é quase duas vezes mais resistente do que o tijolo de cerâmica, segundo André Menezes, 29 anos, um dos responsáveis pelo projeto. De acordo com André, o produto foi bem aceito. O desafio para a comercialização é conseguir reduzir o custo de produção. Por conta da resina, o valor unitário fica a R$ 8,50. O objetivo é conseguir baratear para R$ 4. “Para isso, estamos desenvolvendo com um químico uma resina de preço mais acessível”, diz André. Como a legislação brasileira não permite o uso de bens reciclados para a construção, o uso esperado inicialmente para o tijolo é em paredes decorativas.

5. Comando de voz para deficiente
O morador de Ilhéus Jorge Botelho foi a inspiração para um grupo de alunos do SENAI de Ilhéus construir um sistema de comando de voz que permite ao deficiente mais independência. Jorge Botelho é tetraplégico há 30 anos e pediu para o SENAI automatizações que pudessem facilitar a sua vida. O aparelho criado é anexado à cadeira de rodas permite ao deficiente acessar atividades como beber água por canudinho e usar o smartphone. “A nossa ideia é estimular a autonomia de quem é deficiente”, comenta Tarcísio Anjos dos Santos, 29 anos, estudante do SENAI. O grupo aguarda um investidor para iniciar a comercialização do produto.

6. Passeio de bicicleta para todos
Com o objetivo de propiciar que cegos e idosos possam andar de bicicleta, um grupo de alunos do SENAI de Sergipe criou um sistema de barras fixas que permite conectar, com segurança, duas bicicletas. O esquema é totalmente desmontável. “As duas bicicletas conectadas permitem aos usuários sensação de autonomia e liberdade”, explica Hélio Menezes, 19 anos, estudante do SENAI-SE. Segundo ele, o grupo trabalha na confecção de barras mais flexíveis para permitir que as as duas bicicletas conectadas passem obstáculos como meio-fios. O estudante do SENAI de Taguatinga Gilmar Alcântara, 45 anos, é cego há seis anos e experimentou a bicicleta. “Eu não imaginava sentir essa sensação novamente”, contou. O kit de barras fixas já é comercializado por R$ 375.

7. Descarga com Sensor 
Diante da crise hídrica que o Brasil vive, economizar água é imperativo. Por isso, estudantes do SENAI de Salvador criaram uma descarga inteligente. O sensor identifica qual dejeto foi descarregado na privada e manda a quantia de água necessária. Em caso de dejetos líquidos, são 2 litros e sólidos, 5 litros.Uma descarga comum despeja 6 litros de água a cada uso. “Por ano, uma família com três pessoas economiza mais de 31 mil litros de água e cerca de R$ 350”, explica Ícaro Macedo, 33 anos, orientador do projeto. O kit já está sendo comercializado. “O que precisamos agora é de um investidor para darmos escala e melhorarmos algumas coisas como a fixação melhor do sensor na privada."

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