Como atenuar os efeitos do coronavirus na economia

Em artigo publicado neste domingo (29), na Folha de S. Paulo, o presidente da CNI defende estratégia de isolamento social vertical para retomada segura e gradual das atividades

O mundo está enfrentando a mais grave crise desde a 2ª Guerra Mundial, como bem comparou a chanceler alemã, Angela Merkel. As atenções dos governos, das empresas e da sociedade devem estar voltadas, prioritariamente, para preservar vidas, seguindo diretrizes da OMS (Organização Mundial de Saúde) com relação à covid-19. Entretanto, é crucial que nos preocupemos também com a sobrevivência das empresas e a manutenção dos empregos. É preciso estabelecer uma estratégia consistente para que, no momento oportuno, seja possível promover uma retomada segura e gradativa das atividades empresariais.

Além dos prejuízos sobre nosso bem mais precioso, a saúde, a pandemia pode causar uma onda de desemprego com consequências sociais sem precedentes - sobretudo no Brasil, onde pelo menos 12 milhões de pessoas já estão fora do mercado de trabalho. O fechamento temporário de vários segmentos da economia, com o louvável objetivo de manter as pessoas em casa e diminuir a circulação do vírus, poderá inviabilizar muitas empresas. As autoridades de saúde têm agido com notável competência no enfrentamento desta crise. Empenho semelhante precisa ser aplicado para salvar empregos, especialmente na realidade atual, quando se prenuncia uma recessão de dimensões globais.

As medidas econômicas já anunciadas pelo governo estão na direção correta e precisam ser intensificadas. Em parceria com federações estaduais e com o FNI (Fórum Nacional da Indústria), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou a autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário diversas propostas de medidas cruciais para a atenuação da atual crise. O objetivo é dar condições para que as empresas resistam no período de restrições às atividades econômicas. Apenas mantendo a viabilidade dos empreendimentos, será possível preservar os empregos já existentes. Nossas propostas se concentram nas áreas de tributação, política monetária, financiamento, regulação e legislação trabalhista. O governo já encampou diversas sugestões e, agora, estamos trabalhando pela aceitação das demais.

"Estamos empenhados tem ajudar o governo a viabilizar o isolamento social vertical de grupos de risco da covid-19"

Estamos empenhados também em ajudar o governo a viabilizar o chamado isolamento social vertical de grupos de risco da covid-19. A evolução de casos da doença na Coréia do Sul e na Alemanha demonstra que, se bem executada, essa é uma estratégia eficiente para promover o achatamento da curva de propagação do vírus, preservar vidas e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde. Ao mesmo tempo, facilita a retomada das atividades produtivas.

Por entendermos que, para ser eficaz, o isolamento vertical requer forte coordenação entre os setores público e privado, formulamos uma proposta de parceria em que o Serviço Social da Indústria (SESI) se compromete a capacitar e dar assistência para a realização de testes rápidos da covid-19, custeados com recursos do governo federal, para 100% dos cerca de 9,4 milhões de trabalhadores da indústria, a cada 15 dias, com isolamento social apenas de pessoas com exame positivo; e a realização de exame molecular para verificar falsos positivos, a chamada contraprova.

A proposta prevê ainda a criação de uma plataforma online, integrada e colaborativa, para manejo clínico do novo coronavírus na rede de atenção primária e de parceiros privados. Além disso, com o objetivo de contribuir para a provisão de liquidez das empresas, durante o período de crise, nos dispusemos a criar um fundo de aval, com recursos no valor de R$ 500 milhões, que seriam aportados pelo SESI para financiar capital de giro das indústrias de micro, pequeno e médio portes, com faturamento anual de até R$ 10 milhões.

Os desafios são enormes. A solução está na conscientização de todos na luta contra o coronavírus, no trabalho dos profissionais de saúde, na adoção de medidas emergenciais adequadas e na agilização de reformas estruturais que, mais do que nunca, precisam ser implementadas. O que mais precisamos agora é de previsibilidade, e que as medidas destinadas ao enfrentamento da pandemia sejam implementadas de forma transparente, coordenada e célere. Juntos, haveremos de vencer mais esta crise para retomarmos o caminho de um novo tempo para o Brasil e para os brasileiros.

Robson Bragada de Andrade é presidente da Confederação Nacional da Indústria. 

O artigo foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo neste domingo (29).

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