Brasil aprova Sistema S

Segundo o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, "esfaquear" o Sistema S é um duro golpe contra a educação, contra a qualidade de vida do trabalhador e contra a inovação

Composto por nove entidades ligadas aos setores produtivos brasileiros - comércio, agropecuária, transportes, micro/pequenas empresas e indústria -, o Sistema S acaba de ser aprovado pela sociedade brasileira em pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com resultados notáveis e formado pelo SESISENAI, Sesc, Senac, Sest Senat, Sescoop (cooperativismo), SenarSebrae, ele atua, prioritariamente, nas áreas da educação básica, ensino profissionalizante, saúde e segurança do trabalho e qualidade de vida do trabalhador brasileiro, em todas as regiões do país.

Milhões de brasileiros foram beneficiados por instituições ao longo de sua vida - as mais antigas com quase oito décadas de existência: o SENAI foi fundado em 1942 e, o SESI, criado em 1946 - ambos vinculados à CNI no âmbito nacional e às federações de indústrias nos estados. A pesquisa divulgada pela confederação neste mês confirma o reconhecimento dos brasileiros à essencialidade do Sistema S e das instituições que o integram. E reafirma a qualidade em nível de excelência dos serviços que prestam à sociedade.

Mesmo com todo este acervo de realizações, o Sistema S acaba de se transformar em alvo de ameaças que colocam em risco a sua própria existência. Em nome da necessidade de redução da carga tributária, o ministro Paulo Guedes diz que é "preciso enfiar a faca no Sistema S". Todos concordamos que é preciso reduzir a carga de impostos, mas não se pode fazê-lo cometendo equívocos e manipulando informações: os recursos do Sistema S não são impostos e também não são fornecidos pelo governo. São contribuições das próprias empresas e destinam-se a financiar a educação básica e profissionalizante para os trabalhadores.

O ministro Paulo Guedes tem e terá sempre o apoio do setor produtivo, muito especialmente o apoio da indústria, em iniciativas destinadas a recolocar o país no rumo do crescimento sustentado. "Meter a faca no Sistema S" certamente não se inclui neste rol de iniciativas. O resultado da pesquisa recém-divulgada pela CNI deixa claro que quem conhece o Sistema S aprova e defende suas ações. Entre os entrevistados que afirmam conhecer bem as instituições, 94% consideram o SENAI, que atua na educação profissionalizante, em inovação e tecnologia, ótimo ou bom; e 93% têm a mesma opinião sobre a atuação do SESI nas áreas da educação básica, cultura, esporte, responsabilidade social, saúde e segurança.

Financiado e mantido com recursos das empresas industriais, o SENAI é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Desde 1942, formou mais de 73 milhões de trabalhadores em todo o país e, apenas em 2017, realizou 2,3 milhões de matrículas. Em Minas Gerais, são 78 unidades em 63 municípios, o que significa dizer que estamos presentes em todas as regiões do estado. Neste momento, estamos preparando quase 100 mil estudantes para a indústria mineira e brasileira. Somente neste ano, o SENAI-MG formou mais de 55 mil trabalhadores.

Indo muito além dos resultados que gera no ensino profissionalizante, o SENAI tem forte atuação no campo da inovação e desenvolvimento de tecnologia, com o Sistema de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo (Site), que conta com 14 unidades de pesquisa e desenvolvimento voltadas para o atendimento à indústria mineira em diferentes regiões do estado. Faz parte do Site o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) SENAI/FIEMG, um dos maiores do país, com oito institutos. São cinco de tecnologia e três de inovação. Também estão no CIT o Laboratório Aberto SENAI FIEMG e o FIEMG Lab 4.0, de apoio ao desenvolvimento de startups.

O SESI apresenta, igualmente, resultados relevantes. Em 2017, foram cerca de 1,6 milhão de matrículas em educação básica regular, educação continuada e educação de jovens e adultos de trabalhadores e dependentes. Mais de 50 mil indústrias foram atendidas com programas de segurança e saúde no trabalho que beneficiaram 4 milhões de pessoas. Em Minas Gerais, o SESI mantém 38 escolas, com mais de 15 mil alunos. No Enem 2017, as escolas SESI-MG se posicionaram entre as de melhor desempenho no país. O SESI-MG também oferece à sociedade cinco centros de cultura, cinco galerias de arte, oito teatros e o Museu de Artes e Ofícios, na capital mineira. Este ano, foram atendidos mais de 600 mil espectadores, especialmente trabalhadores da indústria, seus familiares e as comunidades das quais fazem parte. Na área da saúde e segurança do trabalho, o SESI-MG opera 12 unidades, com 448 mil atendimentos este ano.

São preocupantes, portanto, as informações de que o novo governo vai cortar de 30% a 50% dos recursos do Sistema S. Os prejuízos serão gigantescos. Em todo o país, serão perdidas, anualmente, 1,1 milhão de vagas em cursos profissionalizantes do SENAI e serão fechadas 162 escolas de formação profissional. Serão extintas 498 mil vagas para alunos do ensino básico e na educação de jovens e adultos do SESI, que teria que encerrar as atividades em 155 escolas. Será necessário demitir 18,4 mil trabalhadores do SESI e do SENAI, a maioria educadores. E serão cancelados atendimentos em saúde para 1,2 milhão de pessoas. É dramático.

A pergunta é: por que começar destruindo instituições de reconhecida importância para a sociedade, aprovadas pelas ações que desenvolvem e que resolvem problemas graves criados exatamente pela ineficiência do governo e sua comprovada vocação para desperdiçar e gastar mal os recursos que toma da sociedade sob a forma de impostos? "Esfaquear" o Sistema S é um duro golpe contra a educação, contra a qualidade de vida do trabalhador e contra a inovação e o desenvolvimento de tecnologia na indústria.

Mais adequado seria, com certeza, atuar sobre o tamanho desmesurado que o Estado atingiu e que o leva a consumir quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, 40% de tudo que o Brasil e os brasileiros produzem. Além de não fazer o seu dever de casa, o governo atrapalha quem o faz. É isso o que a sociedade brasileira quer?

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