COP do Clima e COP da Biodiversidade: qual a diferença entre elas?

Com a COP17 em andamento e a COP31 marcada para novembro, na Turquia, a CNI explica o que é uma Conferência das Partes, o que diferencia as negociações e qual o papel do setor produtivo em cada uma delas

Dois dos principais fóruns ambientais do mundo acontecem quase em sequência neste fim de ano. De 19 a 30 de outubro, Yerevan, capital da Armênia, recebe a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17). Poucos dias depois, de 9 a 20 de novembro, Antalya, na Turquia, sedia a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31). 

As siglas são parecidas, mas os temas, as regras e o ritmo das duas conferências são diferentes. Entenda o que é uma COP, o que distingue cada uma delas e por que a indústria brasileira acompanha de perto essas negociações. 

Conferência das Partes (COP) 

A Conferência das Partes (COP, do inglês Conference of the Parties) é o órgão máximo de decisão de uma convenção internacional. Dela participam todos os países que ratificaram o tratado, chamados de “Partes”. Eles se reúnem periodicamente para avaliar como a convenção está sendo implementada, tomar decisões e aprovar novos instrumentos, como protocolos, acordos e metas. 

Cada convenção tem a sua própria COP, com numeração independente. É por isso que, no mesmo ano, convivem a 31ª edição da COP do Clima e a 17ª edição da COP da Biodiversidade. As duas convenções têm origem comum: foram abertas para assinatura na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro. 

COP31 do Clima  

A COP mais conhecida é a dedicada ao clima, que se realiza todos os anos numa região diferente do mundo. Tudo começou na Eco-92 (Cúpula da Terra), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Ali nasceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), um tratado da ONU onde as nações aceitaram que era preciso agir contra o aquecimento global. A primeira reunião oficial desse grupo, a COP1, aconteceu em 1995, em Berlim. Desde então, a conferência é realizada todos os anos, em sistema de rodízio entre as regiões do mundo. 

Os 3 Marcos Mais Importantes 

•  COP3 (1997, Kyoto): o Protocolo de Kyoto estabeleceu, pela primeira vez, metas obrigatórias de redução das emissões de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos. 

•  COP21 (2015, Paris): o Acordo de Paris reuniu praticamente todos os países do mundo no compromisso de limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para não ultrapassar 1,5°C. Cada país passou a apresentar suas próprias metas, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). 

•  COP30 (2025, Belém): a primeira COP realizada na Amazônia colocou o Brasil no centro da agenda climática, com foco na implementação dos compromissos assumidos em Paris. 

A COP31, em Antalya, terá um formato inédito. A Turquia exerce a presidência da conferência, e a Austrália conduz as negociações. O Brasil, que presidiu a COP30, transfere o comando dos trabalhos na abertura do encontro. 

O setor produtivo e a COP do Clima  

Entre os principais temas das COPs do Clima estão o financiamento climático, a transição para uma economia de baixo carbono e a adaptação aos efeitos da mudança do clima. As negociações discutem, por exemplo, quanto os países desenvolvidos devem mobilizar para apoiar os países em desenvolvimento no enfrentamento de eventos extremos e como acelerar a descarbonização e a transição para fontes de energia mais limpas. 

É aí que está o papel do setor produtivo. Protagonista na oferta de soluções para a transição energética, a descarbonização e o desenvolvimento sustentável, o setor produtivo tem incorporado a sustentabilidade como valor estratégico e como elemento central da competitividade industrial. 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acompanha as negociações climáticas desde 2009. A partir de 2021, passou a participar como organização observadora, o que lhe dá acesso aos espaços oficiais da conferência e facilita o diálogo entre o setor privado, o governo brasileiro e a comunidade internacional. 

CNI na COP30 

Em 2025, a CNI marcou presença na Zona Azul da COP, em Belém (PA), área oficial onde ocorrem as negociações climáticas entre os países membros da UNFCCC e entidades credenciadas como observadoras Blue Zone com um estande próprio em Belém (PA). No espaço, foram realizados conferências, debates, apresentação de cases de sucesso, painéis, lançamento de estudos e eventos de networking. 

COP da Biodiversidade 

Existe também uma COP dedicada à biodiversidade. Diferente da COP do Clima, que acontece todo ano, a conferência de biodiversidade é realizada a cada dois anos e tem como foco central deter a destruição de ecossistemas, proteger espécies ameaçadas e garantir o uso sustentável dos recursos naturais.  

A COP da Biodiversidade é o principal fórum global da ONU dedicado à proteção e conservação da vida na Terra. Os encontros de cúpula existem desde 1994, ano em que ocorreu a primeira edição (COP1) em Nassau, nas Bahamas, após o tratado internacional ter sido aberto para assinaturas em 1992 durante a histórica conferência Rio-92 e ter entrado em vigor no fim de 1993.  

Desde então, as reuniões de tomadas de decisão passaram a ocorrer de forma regular, consolidando-se em um calendário bienal onde os países signatários avaliam o progresso e definem os rumos das políticas de conservação biológica mundial. 

A CDB tem três objetivos: conservar a diversidade biológica, promover o uso sustentável de seus componentes e garantir a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes do uso dos recursos genéticos. Diferentemente da COP do Clima, que é anual, a COP da Biodiversidade acontece a cada dois anos. Nesses encontros, os países avaliam os avanços e definem os rumos das políticas globais de conservação. 

O principal referencial atual da Convenção é o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF), adotado na COP15, em 2022. O documento estabelece 23 metas para 2030 e uma visão de longo prazo para 2050, com o objetivo de deter e reverter a perda de biodiversidade no planeta. Entre as metas mais conhecidas estão a conservação de 30% das áreas terrestres e marinhas e a restauração de 30% dos ecossistemas degradados até 2030. 

COP17: o primeiro grande balanço do Marco Global 

Com o tema oficial “Taking Action for Nature” (“Agindo pela Natureza”), a COP17, presidida pela Armênia, fará a primeira revisão global dos avanços do Marco de Kunming-Montreal, com base nos planos e relatórios nacionais apresentados pelos países. Também estão na pauta a mobilização de recursos financeiros para a biodiversidade, o mecanismo de repartição de benefícios pelo uso de informação de sequência digital de recursos genéticos (DSI), conhecido como Fundo Cali, e a participação de povos indígenas e comunidades locais na implementação da Convenção. 

A CNI e a agenda de bioeconomia e florestas na COP17 da Biodiversidade  

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) participa, de 19 a 30 de outubro da 17ª Conferência das Partes da Convenções sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas, a COP17 da Biodiversidade, que este ano será realizada em Yerevan, na Armênia.   

O encontro na capital armênia marca a primeira grande revisão global do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF), marco adotado em 2022 que estabelece 23 metas para 2030 e a Visão 2050 voltada a deter e reverter a perda de natureza no planeta. 

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a COP17 representa um momento estratégico para transformar a implementação do GBF em ações concretas, políticas públicas, projetos e mecanismos de financiamento capazes de gerar resultados alinhados às metas de biodiversidade e, de forma mais ampla, aos objetivos do desenvolvimento sustentável.  

Confira as pautas de cada Conferência:

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