Transformação digital é tema de reunião do Conselho de Política Industrial da CNI

Durante encontro, participantes falam sobre a importância de se adotar e difundir novas tecnologias na indústria. Presidente do Inmetro destaca importância da acreditação de produtos
Durante a reunião do conselho, também foi discutida a importância de o Brasil aperfeiçoar o seu sistema de acreditação de produtos

A adoção de tecnologias inovadoras na indústria brasileira foi um dos principais assuntos discutidos durante a reunião do Conselho Temático de Política Industrial (Copin) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (18). O presidente da Agência Brasileira e Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, afirmou que um dos grandes desafios da instituição para 2020 será trabalhar ações de transformação digital e de adoção e difusão de inovações.

“A gente pensa a inovação não como disruptiva, que vai revolucionar tudo. Nosso gap é tão grande que muitas vezes a gente precisa de coisas que estão na prateleira”, disse Calvet.

Ele observou, por exemplo, que pequenas e médias indústrias – que, em número de estabelecimentos, respondem pela maior parte do setor industrial – ainda podem ter muitos ganhos com a adoção de medidas relativamente simples, como técnicas de manufatura enxuta, que reduzem o tempo de produção das peças e o desperdício de materiais. “A maior parte das empresas talvez não tenha acesso a isso”, afirmou.

Segundo Calvet, o desafio de realizar um processo de transformação digital e de adotar e difundir inovações é grande frente ao orçamento da ABDI. Daí a importância de se trabalhar em conjunto com órgãos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e entidades parceiras, como a CNI.

“A estratégia adotada é construir projetos conjuntos para, com isso, podermos alavancar os recursos”, disse.

O presidente do Copin, Léo de Castro, afirmou que o processo de transformação vai ao encontro de um grande movimento no sentido de aumentar a produtividade na indústria. “É um movimento de, também, redesenhar processos e torna-los menos custosos. Trata-se de uma agenda de simplificação e desburocratização”, afirmou.

SEGURANÇA DOS PRODUTOS – Durante a reunião do conselho, a presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Ângela Furtado, ressaltou a importância de o Brasil aperfeiçoar o seu sistema de acreditação de produtos.

Na prática, a acreditação é referente à certificação de produtos no que diz respeito à qualidade e segurança. Ângela afirmou que a acreditação é um dos seis pilares das ações do Inmetro – os demais são articulação internacional, inovação, metrologia científica e industrial, regulação e supervisão de mercado.

De acordo com a presidente do Inmetro, o processo de acreditação é importante para viabilizar a inovação no setor produtivo brasileiro, uma vez que ele permite que produtos brasileiros tenham qualidade reconhecida na rede mundial de metrologia. Ela considerou, no entanto, que o mundo está mais bem preparado que o Brasil nesse processo.

 “O movimento do mundo é para que organismos acreditados possam certificar produtos em seus países de origem e eles serem válidos em qualquer país que faça parte da rede mundial de metrologia. No Brasil, a gente tem 2,7 mil laboratórios acreditados. Eles seguem as regras internacionais e são acreditados pelo Inmetro”, disse a presidente do Inmetro, que observou, por exemplo, que o Brasil não tem um laboratório acreditado para o setor automotivo.

“A nossa intenção é sempre garantir a qualidade e a segurança dos produtos em qualquer parte do mundo. A gente é responsável por tudo o que é comercializado aqui e por tudo o que é exportado pelo setor produtivo”, afirmou.

ABERTURA COMERCIAL – Na reunião do COPIN, o gerente de Negociações Internacionais da CNI, Fabrizio Sardelli Panzini, apresentou estudo da CNI que mostra que mais de 90% dos setores industriais apoiam a abertura comercial por meio de acordos, em contraposição à ideia de abertura unilateral. Panzini apresentou estudos estatísticos e análises de experiências internacionais que mostram preocupações com um corte abrupto de tarifas de importação pode promover.

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